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A minha amiga Jean festejou o seu aniversário: acontecimento muito esperado cada ano e muito bem-vindo neste lado da cidade.
Como sempre, houve reunião meio de improviso lá em casa onde os amigos entram, prestam a sua homenagem, confraternizam de copo e salgadinho na mão e saem para entrarem outros.
Acumulam-se numa mesma sala e ninguém tem tempo de se aborrecer, há sempre pessoas novas, as conversas são ligeiras e estimulantes: é preciso dizer rapidamente a novidade que pode interessar.
Estão a ver? Nada de profundezas filosóficas nem obviamente de políticas. É um corrupio entre as 7 e as 9, muitos já não se viam desde o ano anterior, falam-se com entusiasmo.
Tagarelo do que é uma referência importante na cidade e sobre um tempo circular: o antes e o depois, o que acontece antes, o que acontece depois do aniversário da Jean.
Digo-lhes como é repousante ver que ela não fica sentada no trono a ser consagrada, reconhecida, aclamada. A cada instante, vem lá de dentro aureolada do branco brilhante dos seus cabelos, rosto radioso e olhos risonhos e… passa com os pratinhos na mão, por entre a multidão de amigos (que nunca sabe quantos são), oferecendo, oferecendo.… Ofertando sobretudo a sua proverbial boa disposição, o gosto de nos ver, o prazer de ouvir novas histórias e de contar as suas.
E traz os croquetes, especialidade da casa, e os maravilhosos rissóis pequeninos feitos com todo o requinte, quentes, quentes, acabados de fritar… Ela detesta cozinhar, diz. Como seriam os seus cozinhados se gostasse de cozinhar?
Não há sinais de fadiga, os seus gestos são expressivos e vivos. O que homenageiam estas pessoas tão diferenciadas pela nacionalidade, pela idade, pelos interesses? Acho que felicitam uma larga visão do mundo, e condescendência, bondade, sinceridade, firmeza que tudo isso é dela.
Uma mulher exemplar que não pára. Viaja para muito longe, se tiver oportunidade, e para perto, para Moledo, por exemplo, conduzindo o seu velho carro cor de vinho do Porto, garantidamente com pneus novos, quase todos os fins de semana de Verão e de Inverno. Isto se não houver um concerto atraente na Casa da Música.
(Talvez continue um dia destes)
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