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Tive uma tarde prometedora, com conversas de viva voz que me interessaram.
Conversas sobre cada um e sobre o mundo. Política, claro.
Fiquei a pensar como é importante podermos falar pelos nossos meios, orgânicos, sem ajuda de aparelhos, quaisquer.
Gostei de ouvir a minha voz, apreciei as outras falas. E as opiniões a reflectir visões do mundo. Houve várias e alguma emoção. Muita racionalidade, também. Bom senso e inteligência.
Eram apenas opiniões, nenhum de nós estava suficientemente informado para dar certezas do que quer que fosse. E a experiência e a vivência dos acontecimentos do dia-a-dia não chega para ter conhecimento.
Sobre assuntos políticos, principalmente, somos informados e formados por opiniões de outros que leram como nós e reflectiram sobre o que leram, e depois escreveram e falaram, mas nenhum teve acesso às fontes.
E quando há acesso às fontes, há os interesses políticos, que não são necessariamente pessoais. Podem ser os da comunidade. Os das comunidades ou os das uniões.
Os homens são diferentes e têm interesses distintos uns dos outros. Em geral, poderei dizer como Allende, a política é pensada para pessoas absolutamente desiguais considerando a sua igualdade relativa e abstraindo da sua diversidade relativa. Os homens organizam-se a partir de um caos absoluto de diferenças...As pequenas comunidades diferenciam-se das grandes e uma união tem interesses que não são os de cada uma das comunidades que lhe pertencem, nem das grandes, nem das pequenas.
A política trata das relações entre os homens, de organizar essas relações, mas o político não é parte da essência do homem. Cometem-se erros graves, é por isso que parece prometedor, para corrigir alguns, tentar encontrar um equilíbrio entre um mundo transparente que sabemos que não nos cabe construir e aquele imperfeito dos seres no entanto à procura da perfeição.
Os meus amigos e eu não nos compreendemos politicamente. Temos opiniões diferentes sobre actuações políticas, sobre o que deve ser a actividade política.
Ouvi algumas ideias interessantes nesta minireunião caseira. Por exemplo: que o homem deve ser criativo. Concordo com isto, mas lembrei-me que se um assassino for criativo… o que pode trazer isso de bom à comunidade a que pertence? Ou ao mundo em geral? Um malvado qualquer, um ditador implacável, género Hitler, quando criativo, além de maldoso e perverso, será desastroso e absolutamente nefasto para a humanidade. Receio muito um político criativo.
Ir à luta… foi outra das ideias que surgiram, a minha amiga confessava-se envergonhada com a atitude do governo português em relação à troika, à união europeia, aos mandões europeus, às facturas a pagar…
Assumimos compromissos, diz alguém. É claro que há muito desemprego, há pobreza, não há investimento estrangeiro, há emigração qualificada… a carga fiscal é monstruosa…, mas há acordos, há contratos, há promessas...
Eu digo que há montanhas de analistas e de jornalistas a falar do que não sabem nem podem saber. Têm que dizer alguma coisa, espera-se que digam, não que saibam a verdade. E influenciam-nos.
Ninguém sabe o que é a verdade, de resto, embora os Gregos devessem saber mais do que quaisquer outros. E devessem saber o que é possível realizar, segundo a razão.
Talvez o ministro grego, que parece tão criativo até na própria expressão, e que foi à luta com muita segurança, descubra alguma coisa sobre verdade e se repita o milagre grego de há 2500 anos. Para bem de todos.
Ou a Europa não passará de um sonho mal sonhado.
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