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OUTRAS COISAS que faltam nas escolas

por Zilda Cardoso, em 22.11.08

 

 

 

 

É o tema e o título de uma das crónicas de ontem da Laurinda Alves no Público. Que recomendo vivamente. O que ali se diz é duma clareza e evidência absolutas. Não quero dizer que seja novidade, quero dizer que é fundamental.

Cada palavra merece ser meditada, oxalá encontre continuação noutros jornalistas capazes de fazer tanto ruído a este propósito como fazem acerca de professores e de sindicatos, de alunos e de seus pais, de ministros e do ministro... Tanto ruído como fazem os próprios queixosos. Quando convém…

Quando o assunto convém a muita gente, tem que satisfazer os jornalistas.

Esta matéria ajusta-se a toda a população e tem a ver com o nosso lugar no mundo. Poderia interessar mais?

 

Escreve Laurinda Alves:

Nas escolas portuguesas os alunos não são ensinados a argumentar e a defender pontos de vista, não são treinados no debate de ideias e muito menos estimulados no improviso e na expressão oral. Não existem aulas para aprender a falar em público nem as matérias relacionadas com a comunicação são muito exploradas e é pena pois os portugueses apresentam sérias desvantagens num campo cada vez mais exigente e determinante.

 

Numa era claramente marcada pela comunicação, ter dificuldade em exprimir ideias, em alimentar um debate ou manter uma polémica com quem tem opiniões divergentes é um handicap tremendo. A diversidade de dons é e será sempre enorme e hoje em dia ganha mais quem comunicar melhor aquilo que sabe.

 

Tão importante como pensar e fazer bem as coisas é saber comunicá-las. Acontece que no sistema de ensino nacional não existem cadeiras específicas de comunicação e o resultado é que a generalidade dos portugueses não se sente confiante na expressão verbal das suas ideias e competências.

E mais adiante:

Há os que escrevem o que querem dizer para não correrem o risco de se esquecerem ou para manterem uma coerência discursiva impecável ao longo da sua intervenção mas também estes falham muitas vezes a comunicação por uma razão simples: enquanto lêem o papel não olham para a plateia e não falam verdadeiramente com quem está presente. Até podem dizer coisas bem articuladas do ponto de vista literário mas como não adaptam o discurso às circunstâncias, não percebem para quem falam nem se detêm na eficácia daquilo que comunicam.

 

Este assunto sensibiliza-me profundamente (toca muita gente, de outro modo não falaria nele), já que tenho a noção  e nenhuma  dúvida de que esta forma de agir prejudicou vivamente a minha vida e prejudica todos aqueles que não conseguem por si próprios ultrapassar a timidez. E resultou não apenas de um temperamento (possível de corrigir), mas da forma como se ensinava nas escolas portuguesas quando eu as frequentava. Parece que continua a ser assim.

E é contra este estado de coisas que devemos revoltar-nos. Por que razão os professores e os dirigentes deste sector não se comprometem a pensar nisto e a tentar melhorar o seu próprio ensino e o ensino em geral?

A sua função é de transcendente importância no presente e para o futuro: haveriam e regozijar-se-iam de serem avaliados e bem classificados na certeza de que isso seria o VALOR do seu papel, da sua tarefa.

 

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publicado às 09:42




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