Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


O MEU TEMPO

por Zilda Cardoso, em 04.12.09

 

É que, desde há um certo tempo, a minha vida é assim: passo a 6ªfeira (com aparentemente 24 horas) bem vivida e, depois, logo a seguir, há outra 6ªf. e depois dessa outra… outra e assim por diante.
É uma vida de 6.as feiras muito movimentadas. E quando me dou vagamente conta, passou mais uma Primavera, um Verão, outro Outono e um Inverno.
Não sei de todo se este último foi mais chuvoso que o anterior ou menos frio. Se houve no resto do mundo ciclones, ondas gigantes e inundações piores. Se a Primavera à minha volta foi mais florida do que todas as que já vi. Se noutro tempo as folhas das árvores caíram com o vento antes ou depois do Natal. Se o Verão passado foi suficientemente quente e luminoso para me iluminar.
Apenas reconheço com verdade as 6.as feiras. São elas os meus absolutos ou meus dogmas. São a minha ideologia e a minha utopia. São tudo e coisa nenhuma.
 
Dizem-me que vivo um tempo de incertezas e de crise. Porém, da minha experiência, uma coisa é certa: as 6.as feiras existem com toda a evidência.
 
Esta é a minha ciência sem fundamento, sem razão, sem valor. Mas está aqui. A minha esperança é que continue por algum tempo mais. Aqui. Interessada em comunicar as descobertas que for fazendo na complexidade do real.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 07:58

Calcanhar de Aquiles

por Zilda Cardoso, em 26.09.08

 

Vou mostrar como se colhem as castanhas, mesmo em soutos de bom tamanho como este da Quinta do Casal, no Alto Minho.

 

011 galeria de fotos do windows

 

Os trabalhadores abrem os ouriços do chão recentemente caidos dos castanheiros e esmagam-nos com o calcanhar bem calçado e depois com as mãos enluvadas apanham os frutos para um balde de plástico. Os frutos do balde são despejados no pequeno carro parado no sítio da apanha e levados para serem pesados e vendidos logo a seguir, à porta.

É um processo demorado, mas parece que não há outro.

E seria penoso se as mulheres que fazem a colheita se não divertissem todo o tempo na tagarelice mais desenfreada.

 

 

 

 

Não se dão bem com o silêncio e, por isso, transformam qualquer pequeno acontecimento numa festa.

Convidaram-me a participar nela, na sua festa de palavras e de dizeres, não na apanha. Que essa é para elas e, quanto mais tempo durar, melhor.

Tudo isto se liga com a sabedoria feminina. Ou com a vulnerabilidade do calcanhar?

 

jpeg012

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:58

Sabedoria antiga e moderna

por Zilda Cardoso, em 05.09.08

Há dois conceitos na filosofia budista que aparecem frequentemente na fala e na escrita dos seus pensadores: humildade e compaixão.  

Pensei que era irrealista estar a recomendar, entre nós, estes estados de espírito. A cultura ocidental impõe a procura do sucesso, do pódio, das medalhas e para isso é necessário não ser humilde, não ter compaixão.

Não via conciliação possível, se bem que essa forma de sabedoria tão antiga seja cada vez mais bem sucedida no Ocidente.

Quis aprofundar o assunto, li alguns livros.

Le moine et le philosophe, resultou de conversas entre o filósofo francês Jean-François Revel e o seu filho, doutor em biologia, monge tibetano, Matthieu Ricard. O objectivo é esclarecerem o que é o budismo exactamente, e como é possível que desperte tanto interesse num contexto, no seu todo, desfavorável.

E lá encontrei resposta para as duas velhas questões que me preocupavam.

Ser humilde não é sentir-me inferior, mas libertar-me da importância de mim (talvez para regressar a um estado de simplicidade natural).

E compaixão é um estado de espírito não violento, não ofensivo, não agressivo em que há respeito pelo outro, sentido de responsabilidade e de compromisso.

Tenho capacidade de confrontação e mesmo de represália, mas decido não agir dessa forma: isto é ser humilde e usar de compaixão.

Talvez afinal seja o momento bom para mudarmos os nossos hábitos mentais.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 07:54




Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

  Pesquisar no Blog



Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2016
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2015
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2014
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2013
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2012
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2011
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2010
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2009
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2008
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D