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O que me inspira?

por Zilda Cardoso, em 19.02.21

O que me inspira?

(para a escrita deste tipo de textos…)

 

Tenho várias musas. E também um sentimento.

A primeira musa e a mais importante é a paisagem. Da minha varanda, vejo o mar, o céu, as nuvens, o Sol, os barcos, o misterioso horizonte… Da casinha de Moledo, vejo os relvados, as árvores, os canteiros rústicos, as flores silvestres, o céu azul, as nuvens brancas e uma profusão de estrelas à noite. E o horizonte que é muito mais próximo do que em qualquer outro lugar.. A que quase chego com as mãos.

É a tranquilidade desses lugares que me atrai…

Há também a transparência dos rios - românticos e bons estímulos para escrever poesia, há a beleza e os trinados dos pássaros…

É tudo paisagem.

Em 2º, há os acontecimentos do dia na cidade e no mundo. São as notícias lidas ou ouvidas nos jornais, na rua… e os factos observados que estimulam a reflexão e o desejo de transmitir alguma coisa com interesse para outros.

Em 3º lugar, há a releitura de trechos dos meus autores favoritos e que tanto pode ser a Lírica de Camões como a filosofia e os pensamentos lógicos de autores contemporâneos. Cito G. Steiner que anda sempre comigo, e também R.Barthes, E. Prado Coelho, Eduardo Lourenço… Agustina na sua Embaixada a Calígula, Sophia inultrapassável, Mia Couto com uma linguagem tão inspiradora, Gonçalo M. Tavares cheio de imaginação e de temas novos.

E muito para além disto, inspira-me um sentimento: o de que me cabe retribuir com um trabalho a vida que me foi dada. E esforço-me.

Sinto a responsabilidade.

Nunca tentei dominar o mundo.  

Aproveito o que  me é oferecido e me rodeia e tento compensar com um trabalho que de algum modo seja útil ou interesse a alguém. 

Desde há algum tempo, sei …que deve ser um trabalho que me agrade e que possa realizar sem esforço excessivo.

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publicado às 16:55

A VISITA

por Zilda Cardoso, em 14.11.13

 

 

 

 Estivemos em Lisboa há dias, fomos e regressámos de comboio. É confortável e rápido e baixo preço.

A Rita quis saber sobre comunicação e falou com a grande comunicadora que é a minha Amiga: foi um gosto ouvi-las. Tenho esperança de que o trabalho da jovem vá ser muito bem classificado. Para a minha Amiga foi um esforço grande de boa vontade, o interromper o seu trabalho para nos atender. Para responder às perguntas da Rita.

A minha Amiga sabe tudo sobre comunicação e como conseguir interessar as pessoas nas suas palavras… que são muito mais do que palavras. Ela dá-lhes um sentido seguro e digno.

E as suas atitudes acompanham o sentido das palavras que diz.

  

  

Naquele dia, ela apercebeu-se de que eu e a Rita íamos ter um intervalo comprido desde a conversa até à hora do regresso. E resolveu fazer um programa connosco…de improviso. Apesar de o telefone estar sempre a tocar e de o trânsito àquela hora ser impossível, ela esteve connosco o tempo todo: levou-nos a sua casa, contou-nos as suas histórias, fez-nos uma saborosa merenda e levou-nos à Estação do comboio. Todas estas tarefas foram gigantescas pelos seus afazeres, pela dificuldade do movimento nas ruas, por mil outras razões.

A sua é uma das casas mais bonitas que conheço: bem situada, magnificamente decorada, acolhedora, de muito bom gosto. Só pode ser a casa de uma pessoa inteligente, civilizada e culta.

  

 

Trouxe algumas imagens que não lhes fazem justiça, mas eu não soube fazer melhor.

O importante é que me comoveu a sua condescendência, a sua bondade, a sua atenção, a sua amizade e… a sua casa que resume tudo isso.

  

 

 

 

 

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publicado às 13:47

Embaixada a Calígula

por Zilda Cardoso, em 17.10.08

 

Um dos livros de Agustina que mais aprecio não é um romance, é um relato de viagem. Desapareceu da minha biblioteca sem deixar rasto, e está esgotado nas livrarias. Mas tenho uns trechos seleccionados por Álvaro Manuel Machado num seu livro sobre a vida e obra da escritora.
Vou reproduzir alguns, continuando a minha homenagem...
 
"Estou cansada de ter olhos e coração, de andar já friamente nas naves das igrejas, de reparar nos ciprestes negros erguidos sobre as colinas. Já não ouço o cair da chuva nas folhas, a verde flora dos Pirenéus nesta húmida tarde não me deixa qualquer impressão. A cova de Lourdes com o rolar do Gave e o pátio das aparições, onde se juntam os carros dos doentes, produz-me um último sobressalto. As mãos dum moribundo, brancas e despovoadas de desejos, ainda me fazem chorar. Mas mais nada.”
 
“Estamos em Vitória, onde, pela primeira vez em muitos dias, temos frio. O ar é áspero, não anda ninguém nas ruas; a gente de Vitória parece possuir uma rudeza não isenta de dignidade; quando uma empregada de cafeteria, depois de conferir a sua conta nos pede que ouçamos o enumerar das parcelas, toca-nos no ombro com o lápis, com sereno e comunicativo desplante. Os homens que bebem café ao balcão riem-se, e tornam em caricatura o confiado gesto da rapariga; mas a verdade é que ela se exprimiu com uma exactidão invulgar, e que o pequeno toque do lápis no meu ombro representou um prodígio de linguagem.”
 
“Estou em Portugal, as mesetas sombrias e onde cheira a fumo parecem mover-se com o vento duro e triste. Vão-me fazer perguntas, meu Deus, vão-me fazer perguntas! … “Direi que encontrei amigos e coisas belas, que os países são invejáveis com o seu pão delicado, as suas gentes frias, os portos onde vemos sempre um homem esfarrapado voltando as costas ao mar. Se eu trouxesse um frasquinho azul rescendente ainda de velho veneno florentino então como me receberiam com orgulho! Talvez me convidassem para fazer uma conferência sobre os sabores dos pêssegos da Umbria…”
 
“Estrelas de um verde irisado e claro tremem nos altos. O vento treme, tremem as sarças sobre as quais as libélulas morreram ao fim do dia. …”É amargo partir, é amargo voltar. Nesta treva onde se movem ventos silenciosos, eu conheço a terra mais do que nunca estranha e amada, bloco de esquecida falésia, rasto perdido onde, como dedos de sal, aponta um humanismo esperançado, porém triste. Neste planalto onde vêm morrer as vozes dos lugares, das casas fumacentas, das encruzilhadas em que lentamente passam os gados, surpreende-se de súbito uma espécie de idílio desgraçado com o tempo, o mundo, as próprias estrela esverdeadas. Um idílio patético e interminável, um amar entre zumbidos e barafunda, um estar sozinho no coração de toda a gente. É assim a vida, é assim a morte. Um regresso de parte nenhuma, um encontro com a contradição.”
 
Muito para além da descrição minuciosa da paisagem que parece ter uma dimensão mítica, há uma permanente reflexão filosófica sobre “processos de civilização”, sobre a história, sobre relações humanas.
Depois desta Embaixada a Calígula, fica-se a conhecer muito melhor a MULHER .

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publicado às 09:31




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