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Missão dos Portugueses no mundo 2

por Zilda Cardoso, em 10.09.09

Lendas e mistérios envolveram a formação do Reino Portucalense.

Portugal não só se separou de forma misteriosa, porque supostamente impossível, do resto da Península, enfrentando reinos muito mais poderosos, como, mais tarde, teve ânimo para “dar mundos ao mundo” de forma totalmente inesperada; para reconquistar a sua independência contra qualquer expectativa; para fazer gorar as ambições do Grande Imperador...
Nós, Portugueses, aprendemos diversas versões das nossas origens, mas nenhuma que eu saiba, se assemelhava àquela da missão a cumprir absolutamente, quero dizer, de inspiração divina. Procurei relembrar o que me tinha sido explicado há muitos anos: que vínhamos directamente dos celtas - bárbaros  e muito independentes - mas com outra língua e outros limites territoriais; e também que afinal não descendíamos deles, celtas lusitanos, mas que éramos uma nação moderna formada graças à revolução e à conquista. Surgiu a ideia do factor geográfico determinante e criador de independência e não acaso e não “consequência de acontecimento puramente histórico”. E muitas outras teorias têm sido apresentadas com argumentos etnográficos, étnicos, antropológicos e mesmo administrativos e culturais que pretendem usar razões lógicas.
Mas que a eclosão da nacionalidade fosse devida a uma missão que os Portugueses tivessem sido escolhidos para cumprir não ocorre a qualquer do nosso tempo, mas era assim que falava dela apaixonadamente Claudius Legrais.
Quanto à gigantesca expansão marítima (aquela força, o dinamismo, a pujança), interrogamo-nos qual podia ter sido o seu objectivo. Económico? Decerto. E científico, religioso, político? Desejo de expansão em África ou maneira de chegar à Índia? Curiosidade pelo Oriente? Tudo isto e o desejo de descobrir, de experimentar, de se aventurar?
Nessa época, estudámos muito, depressa e bem, criámos uma arte de navegar que durou três séculos, realizámos uma revolução económica, política e científica pela influência e em consequência dos Descobrimentos, segundo Jaime Cortesão.
Alguma vez, curiosidade, desejo, sentimento, emoção... foram suficientes para realizar uma época de ouro, um milagre como esse? Ou teria sido a cultura, o método e o espírito organizador?
Os Legrais porém acreditam que sem uma ajuda de outra ordem não teria sido possível aos Portugueses realizarem tão grandes feitos com tão poucos e pequenos meios (e a repartição do mundo e o lugar primeiro reservado à navegação portuguesa ?...).
                       ...”Mais do que prometia a força humana”
diz o Poeta. Muito mais do que era permitido esperar e mais do que prometia a capacidade e a inteligência humana. 
O FAVOR DIVINO é claramente uma constante na História de Portugal, na opinião dos Legrais. A Ordem do Templo, foi criada em França no ano da formação do reino português; um dos seus fundadores foi Bernard de Clairvaux que tinha visto, numa sua peregrinação a Compostela, um sinal que lhe permitiu apontar o território do futuro país independente como o lugar donde partiria o Verbo.
A Ordem do Templo foi depois abolida em toda a Europa, mas em Portugal, transformada, tomou o nome de Ordem de Cristo. A Cavalaria ligada a essa Ordem usava a Cruz de Avis que ficou desde então relacionada com todos os grandes acontecimentos da História de Portugal. Os Cavaleiros juravam defender os fracos e os oprimidos e lutar pela fé; a Ordem forneceria os meios necessários a essa empresa.
D. João, mestre de Avis e futuro rei, surge como predestinado para a missão que assumiu como defensor da pátria contra Castela e como comprometido difusor da fé cristã. Com alguns dos seus filhos, os ”ínclitos infantes”, dirigiu e organizou a grande empresa destinada a revelar o mistério do Mundo. Portugal era então um país confiante em si próprio, unificado, com um grande ideal colectivo e uma vontade sobre-humana de vencer.
Consolidada a independência, a expansão marítima era o caminho apontado a estes novos portadores da Mensagem.

 

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publicado às 09:45

Missão dos Portugueses no mundo

por Zilda Cardoso, em 06.09.09

 

Há talvez dez anos, conversei com um casal extraordinariamente interessante que me pediu para escrever a entrevista que eu lhes faria e que seria publicada algures com determinado objectivo. Tanto quanto me recordo, nada chegou a ser divulgado. Acontece que encontrei o rascunho desse trabalho; retomo-o agora,  mesmo sem saber o que aconteceu ao propósito em que tão apaixonadamente se empenhavam.
Ele, Legrais, cidadão francês, ela, oriental, Yen Bay, tinham um projecto europeu de negócio com uma base muito concreta mas certamente difícil de realizar por pessoas tão sonhadoras e entusiastas por um programa que seria de re)conciliação, alguma coisa de que muito se falou na circunstância.
"Considerando que o mundo dos negócios se constrói fora de Portugal, sentindo os industriais portugueses o perigo de exclusão, tentam realizar alguma coisa eficaz. Algo que nivelará as diferenças entre o Norte e o Sul da Europa..."
Confesso que ignoro o que aconteceu aos industriais portugueses neste campo, não sei se existe o Triângulo Textil Europeu, mas o que ainda me fascina é a forma como Legrais falou da missão dos Portugueses no mundo: era sobre este tema que ele derramava a sua paixão.
‘Ao Apóstolo S. Tiago tinha sido confiada a Península Ibérica como lugar de pregação da mensagem cristã; depois da sua morte, o túmulo tornou-se objecto de veneração e a Galiza centro de peregrinação de crentes de todo o mundo. Mas a Mensagem permaneceu por demasiado tempo cristalizada em Compostela; era necessário espalhá-la de novo.
Foi essa missão que coube aos Portugueses que deviam, antes de mais, existir como povo independente. De facto, o mesmo sentido de humanismo social, o mesmo intercâmbio de culturas que se realizou durante séculos em Compostela orientou a Viagem dos Portugueses – a sua peregrinação pelo Mundo’.
Mais ou menos assim, Legrais falou da missão dos Portugueses e de Portugal como o novo povo escolhido por Deus, a quem ama acima de todos os outros e a quem confiou a missão de perpetuar o Verbo. Certamente em termos muito mais poéticos.
Haveria momentos na história de Portugal envoltos em mistério em que pode ter havido intenções e votos secretos, recomendações, indicações, vontades, altos desígnios: o momento da formação do reino e o das grandes descobertas dos séculos XV e XVI foram alguns citados. 

(Voltarei a falar deste projecto e da missão dos portugueses no mundo)

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publicado às 09:34




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