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A DOR QUE ME FICOU

por Zilda Cardoso, em 30.11.09

 

 

O costume e o bom senso levam-nos a enfatizar as qualidades más das pessoas pelas quais nos interessamos, sem dúvida na esperança de que algum bem daí venha. Acreditamos que da correcção dos defeitos, efeitos positivos se verão em toda a humanidade.
Depois de as pessoas saírem para sempre da nossa vida e da vida, apenas queremos recordar as qualidades boas, que são exemplo e demonstração do que vale a pena.
E é assim que deve ser.
Sigo a tradição, falando das boas qualidades de um amigo e familiar que acaba de desistir. Era bondoso, respeitador, crente no bom carácter dos outros, preocupando-se com eles, sacrificando-se pelos filhos muito para além do que seria razoável esperar; vivendo sem grandes ambições e sem atropelos, com um sorriso.
Gostando da terra, voltou a ela e aos prazeres simples. Depois de muitos anos longe das aldeias… muito longe…, das árvores, das leiras, das plantações, das sementeiras e das colheitas, foi ao seu território que voltou para trabalhar e sofrer por tudo isso.
Porém, nestes últimos tempos, sofria por muito mais, sofria de mais.
Neste instante, vejo ao longe uma linha finíssima de luz muito brilhante entre o céu cinzento e o mar cinzento e triste e ouço alto uma música solta, a mesma de que me não liberto há dois dias, desde que começaram estas cerimónias.
Tenho agora esperança de que, se há uma forma de existência para além desta e em que “memória desta vida se consente”, ele a ouvirá enquanto eu a ouvir. E compreenderá.
Espero então que seja por muito tempo.
 

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publicado às 16:16




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