É que, desde há um certo tempo, a minha vida é assim: passo a 6ªfeira (com aparentemente 24 horas) bem vivida e, depois, logo a seguir, há outra 6ªf. e depois dessa outra… outra e assim por diante.
É uma vida de 6.as feiras muito movimentadas. E quando me dou vagamente conta, passou mais uma Primavera, um Verão, outro Outono e um Inverno.
Não sei de todo se este último foi mais chuvoso que o anterior ou menos frio. Se houve no resto do mundo ciclones, ondas gigantes e inundações piores. Se a Primavera à minha volta foi mais florida do que todas as que já vi. Se noutro tempo as folhas das árvores caíram com o vento antes ou depois do Natal. Se o Verão passado foi suficientemente quente e luminoso para me iluminar.
Apenas reconheço com verdade as 6.as feiras. São elas os meus absolutos ou meus dogmas. São a minha ideologia e a minha utopia. São tudo e coisa nenhuma.
Dizem-me que vivo um tempo de incertezas e de crise. Porém, da minha experiência, uma coisa é certa: as 6.as feiras existem com toda a evidência.
Esta é a minha ciência sem fundamento, sem razão, sem valor. Mas está aqui. A minha esperança é que continue por algum tempo mais. Aqui. Interessada em comunicar as descobertas que for fazendo na complexidade do real.