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O cineasta romântico

por Zilda Cardoso, em 19.09.08

 

Ontem estive em Serralves para homenagear Manoel de Oliveira.
Até Setembro, decorrerá uma exposição dos seus filmes com visitas guiadas (a pedido, todos os dias),  será lançado um livro, um seminário O cinema inventado à letra proporá uma revisão crítica do cinema de M.O.,  passarão todos os seus filmes, e houve esta sessão a que assisti com a presença do cineasta.
O público esperou meia hora ou mais pela sua chegada ao auditório, mas ninguém se enfadou. Ele estava fresco, bem-disposto, feliz.
Era outra vez o galã, o desportista das corridas de automóveis, muito mais do que o inventor do cinema ou do cinema novo que ele quis construir. Depois das apresentações dos directores (do Museu e da Cooperativa Árvore), e das palavras de Paulo Rocha, realizador e seu amigo, Manoel de Oliveira, levantou-se e falou de pé, facilmente, apesar da sua apregoada timidez, no meio do palco, ligeiramente encostado a uma bengala.
Discorreu sobre si e sobre o seu cinema que não é movimento nem por definição nem por aproximação.
Quanto a mim que gosto do cinema como movimento, não necessariamente o americano, mas também o americano, fico sempre com enorme desejo de ver e… não consigo gostar. Tento sempre assistir, cada filme é uma real surpresa, mas nunca estou preparada para ficar até ao fim: toca-me demasiado, enerva-me em excesso, mexe comigo como se entrasse num lugar proibido, um inferno de que sairia com dificuldade.
Porém, sei ver onde está o talento, a diferença, a originalidade, a arte.
Por isso, não apenas felicito Manoel de Oliveira, mas regozijo-me por viver este tempo, o mesmo tempo do cineasta portuense. E na mesma cidade.

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publicado às 20:09




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