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Calcanhar de Aquiles

por Zilda Cardoso, em 26.09.08

 

Vou mostrar como se colhem as castanhas, mesmo em soutos de bom tamanho como este da Quinta do Casal, no Alto Minho.

 

011 galeria de fotos do windows

 

Os trabalhadores abrem os ouriços do chão recentemente caidos dos castanheiros e esmagam-nos com o calcanhar bem calçado e depois com as mãos enluvadas apanham os frutos para um balde de plástico. Os frutos do balde são despejados no pequeno carro parado no sítio da apanha e levados para serem pesados e vendidos logo a seguir, à porta.

É um processo demorado, mas parece que não há outro.

E seria penoso se as mulheres que fazem a colheita se não divertissem todo o tempo na tagarelice mais desenfreada.

 

 

 

 

Não se dão bem com o silêncio e, por isso, transformam qualquer pequeno acontecimento numa festa.

Convidaram-me a participar nela, na sua festa de palavras e de dizeres, não na apanha. Que essa é para elas e, quanto mais tempo durar, melhor.

Tudo isto se liga com a sabedoria feminina. Ou com a vulnerabilidade do calcanhar?

 

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publicado às 13:58

O mar verde

por Zilda Cardoso, em 21.09.08

A semana passada, fiquei surpreendida com o mar verde e sombrio sob os castanheiros.

Como se fosse Outono.

Só que no Outono, o mar não é verde, tem outras bonitas cores - amarelo, diversos tons de verde, avermelhado; chega ao castanho...

Neste momento da semana passada, fico com mágoa daquele mar: as castanhas não estão maduras e, assim, para que servem?

Apesar de gostar de mares - mar Negro, mar Vermelho, mar da Arábia, mar Amarelo, o Cáspio, o mar da Noruega, o do Japão, o de Berhing, o mar do Norte e mesmo o Adriático -, aquele anuviou-me. E pensei que compreendia finalmente o ar dramático dos agricultores quando clamam ao céu, e não apenas ao céu, contra o vento e as tempestades, a sombra e o sol, o granizo como punhos, os gafanhotos e os preços...

Aparentemente nunca estão satisfeitos.

Achava-os exagerados, dramatizando, mostrando imagens arrepelantes como de filme de terror, deixando-nos todos em pânico... com vista aos subsídios.

Neste tempo, acho que têm sempre razão. Durante meses, acarinharam o mais que puderam as suas criações, aconchegando-as de todos os modos e, depois, em poucas horas ou minutos, apenas porque soprou um vento forte ou porque a chuva caiu com força e em excesso, cuidando ela estar a fazer muito bem (nunca aprende), só por isso, a produção vai toda por aí abaixo, sem destino.

E, claro, se os outros não ficarem com fome, eles, os agricultores, ficam.

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publicado às 09:06




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