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Manhã AZUL

por Zilda Cardoso, em 28.06.17

Em Junho, tenho-me empenhado na busca da manhã de Verão deslumbrante de que falam os poetas.

E saí para a praia num dos últimos dias possíveis.

O mar estava todo de azul, de muitos azuis amalgamados ou confundidos com outras tintas, de modo a resultar uma imensidão colorida como nunca antes tinha visto. E não sei classificar: cores novas conseguidas no momento, irrepetíveis, segundo penso. Nada tão harmonioso e inesperado mesmo para mim que o contemplo todos os dias.

E o céu, diria, azul de diferentes tonalidades, misturas, combinações de grande mestre que não explica como o faz nem por quê, o que o orienta.

Não havia vento, nem chuva, nem sol, nem nevoeiro; não havia frio nem calor, nem mágoas nem espinhos… apenas uma serenidade, uma transparência, um silêncio ligeiramente musical… Graça? Talvez… não, não sei…

Uma beleza incomparável, sim. Um regalo.

Era isto que procurava, foi o que achei há poucos dias: o momento feliz de deslumbramento que aconteceu e não voltará a acontecer.

E que não sei imaginar. Uma imagem real está na minha memória, desconheço como se desenha e se pinta ou como se descreve.

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publicado às 16:42

AVENIDA DOS ALIADOS

por Zilda Cardoso, em 14.07.09

 

Maria do Céu Figueiredo escreveu um poema algo ingénuo e muito sofrido que eu li e prometi divulgar. Foi há muito tempo, há dois anos… há mais… exactamente quando os arquitectos Siza Vieira e Souto de Moura acabaram o arranjo da Avenida mais importante do Porto – a sua sala de visitas.
Quase toda a gente, incluo-me nesse número, ficou muito magoada e penso que ainda nos não recompusemos do abalo. De forma que não é despropositado reproduzir hoje as palavras da poetisa portuense.
Bela avenida do Porto! /Onde estás? E os teus encantos? /Os relvados onde tantos/- Aves, pessoas, crianças -/Com deleite e com conforto/Saltitavam, descansavam/Ou brincavam de alegria/ Quer de noite, quer de dia? / Ou em noite de folia/- A noite de S. João -/Dormiam até ser dia/Na tua relva macia, /Felizes de coração? /Onde estás, que não te vejo? /Mas sabes que o meu desejo/ Era ver-te e admirar-te
Ou talvez não, para quê? /Para quê, verde relvado/Para quê tão verde prado/Que enchia os olhos de cor? /Para quê tanta flor?
Agora… pedra sem cor, /Sem perfume ou macieza! /Onde está sua beleza? /Se nos quisermos sentar/Ou deitar para descansar/ Temos pedra, pedra, sim! /E os banquinhos do jardim/São hoje cadeiras, só! /Cadeiras que metem dó!
E a continuar assim/As almas dos “Aliados”/Aliadas à beleza/Da menina de olhos de água/Virão chorar sua mágoa! /E os olhos da menina, /De humidade toldados, / Continuarão a chorar/Lá do alto, a recordar/Os verdes dos tempos idos/ E toda a policromia/Que esta avenida exibia/E jamais serão esquecidos! /Chora, de olhos magoados, /Menina dos Aliados!
 

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publicado às 21:39




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