Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]
“Já não sou capaz de sonhar!” - quase gritei para mim, logo de manhã. “E não sei esforçar-me!”
Como é que alguém se pode esforçar por sonhar? Como se trabalha para isso?
Quero muito sonhar, faz-me falta. Desejo escrever, escrever a palavra poética, a que envolve mais sonho que realidade, a que encanta ou deseja encantar.
Não me importa a realidade nua e crua. Não será interessante nem para mim nem para muitos outros apreender essa realidade. E sobretudo falar dela.
Tudo está lá, claramente, sem mistério. Todos o podem ver, observar, analisar até à exaustão. Reportar para os jornais. Cada um o descreve como entende, o mais próximo possível do que julga ver. E será útil.
Devo considerar, todavia, dois tipos de sonhos: os que se sonham enquanto se dorme e os outros.
Os primeiros… dependem… provavelmente, de “desejos inconscientes reprimidos”, serão “espaço para realização desses desejos”. Ou…
Foram muito estudados por psicanalistas, têm a ver com inconsciente e revelam sempre aspectos da vida emocional.
Os outros acontecem quando se tenta ver ou quando nos convencemos de que o mais importante é ver o que está para além do que vemos. É isso que terá uma beleza singular ou um encanto que aconteceu eu ter descoberto e desejo agora transmitir na minha escrita. Para que seja geralmente apreciado e melhore a maneira de vermos o mundo.
É emocional, de outra maneira. É desejo não reprimido, mas conseguido de expandir-se, de dar-se a conhecer. E de realizar o desejo ou o sonho, divulgando a ideia.
Porventura nos faz amar o mundo e nos leva a ponderar se temos ou não o direito de poluir, por exemplo. E possamos e concordemos em não poluir tanto o que amamos!
Medito na conveniência de inventar uma língua que os outros entendam e com que se deleitem, sem terem competência para falá-la; apenas compreendê-la.
O que penso e digo para mim, aquilo que devo escrever no preciso momento em que me ocorre senão escapa-se… é o quê?
Terá a Musa alguma coisa a ver com isso?
Talvez ISSO se não relacione com razão, se bem que, quando escrevo uma história, procure a sua coerência interior. Procure que seja internamente lógica, para ser credível ou provável. A lógica em geral, essa lógica, não tem a ver com o que quero contar, o que desejo narrar na minha língua poética exclusiva.
Afinal é possível esforçar-me por sonhar, (por me emocionar), pondo o melhor de mim naquele desejo de escrita.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.