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(imagem da Internet)
“A incandescência da actividade intelectual e poética na Grécia Continental, na Ásia Menor e na Sícilia nos séculos VI e V a.C. continua a ser única na história humana. Sob certos aspectos, a vida do espírito de então em diante não passa de uma longa nota de rodapé. É uma evidência que se impõe de longa data. As causas desta súbita aberta de sol, os motivos que a provocaram no seu tempo e lugar continuam a ser pouco claros. O “politicamente correcto” penitencial que hoje prevalece e o remorso do pós-colonialismo tornam inquietante levantar sequer as questões que seriam pertinentes, perguntar porque foi que o prodígio ardente do pensamento puro triunfou em dado lugar e quase em mais nenhum (que teorema produziu a África?)”.
“Os factores que interagiram foram necessariamente múltiplos e complexos – implosivos, … … Entre esses factores, contam-se um clima mais ou menos ameno e a facilidade das comunicações por mar. As ideias viajavam com rapidez: eram, no sentido antigo e figurado do termo, “mercuriais”. A acessibilidade das proteínas, cruelmente negada a grande parte do mundo subsaariano, pode ter sido fundamental. Os nutricionistas chamam às proteínas “o alimento do cérebro”. A fome e a subnutrição estropiam a ginástica do espírito”… … ...
“Mas as correntes profundas de um autismo fulgurante que associam a matemática grega e o debate teórico e especulativo, que exaltam a perseguição da verdade acima da sobrevivência pessoal, iniciam a grande jornada do Ocidente.”
(Vale a pena ler o que sobre o “milagre grego” escreve George Steiner, actualmente professor de Literatura Comparada na Universidade de Oxford, professor de Poesia em Harvard, colaborador do New Yorker, de The Times e de The Gardian no seu livro A Poesia do Pensamento, pag. 27 e seguintes).
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