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Caminhava incerta pelas ruas do Parque ao som do jazz pós-rock de ensaio para mais logo, se compreendem o que quero dizer.
Aquela música dissonante dava-me um andar instável e punha-me a cabeça aos gritos.
Depois de ter ido visitar as exposições no Museu, achei-as estranhíssimas, é o menos que posso dizer, (não sei o que dizer delas), vejo que tudo se assemelha, afinal.
E não importa dizer o que está dito, tocar o que foi tocado, pintar imitando a natureza, ou fazer fotografias que a copiam muito mal: apenas ajudam a lembrar o que já se viu e lá continua, possivelmente.
Os ruídos daquele jazz que não é o meu preferido, extinguiram-se por alguns minutos. Voltei a ouvir o chilrear nas árvores e os gritinhos no relvado. Escuto o silêncio de fundo que deixa a descoberto os sons mais ou menos coloridos, mais ou menos próximos: de passos na calçada e nas escadas de pedra e outro que acontece no alto, do que passa lá no alto, a cada instante.
Aprecio os movimentos dos braços das árvores pesadas e o esquisito som dos maleáveis de folhas ligeiras e dançantes.
Tantas qualidades de sons, que bela mistura! O ruído agudo do meu ouvido ajuda a compor e a organizar a música desta tarde, à espera não de Godot, mas da hora do concerto.
São seis horas da tarde, vejo muita gente de outro tempo, cabelos grisalhos, desejosa de recordar outros belos momentos. Ou de ter novos, sublimes.
Este é o primeiro dos três concertos da época que promete novos estilos de jazz. O grupo de hoje é francês, I.Overdrive Trio, constituído por trompete, guitarra electrica e bateria.
O trompete foi especialmente interessante para mim: Remi Gaudillat soube criar um ambiente psicadélico, pós-rock mais do que jazz, mas também outros momentos mais suaves inspirados em obras de Barrett e Leo Ferré.
Sob um céu de chumbo azulado, os aviões continuaram a passar e os músicos a tocar a sua música diferente, de boa qualidade e originalidade que apreciei ouvir e viver como realidade.
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