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Analisando a forma de algumas pessoas pronunciarem os seus simples discursos, seja, a sua maneira de falar, sou a pensar que as palavras que dizem e que constituem as suas falas não correspondem às que conhecemos constituídas por letras redondas ou ovais ou coisa que o valha, tal como as aprendemos na escola para serem escritas. Na verdade, pelo som, parece quase não terem volume e são achatadas e tortas, muito irregulares e, para mim, esquivas, difíceis de ouvir e entender.
Como poderia escrever o que elas dizem? De que modo lhes descobrir o sentido…?
E, portanto, neste momento, estou a ouvi-las, mas não as ouço. Além do mais, naqueles discursos, as palavras restam desgraciosas e sem energia e eu perco-me no fascínio dessa análise, naquela miscelânea, na aparente desorganização do que, na verdade, não tem forma definida, volumosa e conhecida.
Presto à cena uma atenção impiedosa, suponho. No meu silêncio, desejo ouvir o que for em boa cadência, sonoridade agradável, entoação harmoniosa. E calculo que seja mais fácil encontrar originalidade e arte, eloquência e divertimento aqui do que em fraseados regulares e lineares.
É claro que não me refiro propriamente a letras desenhadas no papel mas sendo discursos orais, falo do que se diz, do que é pronunciado, de sons, de fonemas.
Além de que as falas, (palavras faladas e discursos orais) têm em geral uma finalidade: são para serem ouvidas e/ou percebidas. E eu fico-me muito para trás: não entendo aquelas palavras e logicamente também não os discursos mesmo se os oiço.
Nesse sentido, é inútil tentar.
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