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Interessa-me descobrir a verdade.
As tentativas para lá chegar são desesperantes e levam-me a pensar, muitas vezes, para que quero saber a verdade. Para que me serve?
Ocorreu-me que um pensamento sem palavras, sem lógica nem coerência, sem existência no real podia resolver o problema. Um que fosse da ordem do intelectual. Ou, mais certo, do espiritual ligado a algum mistério: nada que se veja, que se ouça ou em que se possa tocar. (Algum pensamento tem este tipo de existência?) Ou que se entenda e se possa dizer.
Um pensamento sem palavras que o traduzam, que o tornem inteligível, não pode ser comunicado. Sem palavras não há linguagem nem há comunicação. (Para que serve este pensamento não transmissível? O que dá o que quer que seja que não é transmissível? Reconhecível?)
Seriam sensações e intuições, percepções … que são quase-pensamentos, não são ainda pensamentos no sentido de conceitos e de ideias inteligíveis.
Interrogo-me sobre se temos necessidade de comunicar intuições? E se é possível…
Se não houver necessidade de comunicação, não há necessidade de palavras. (Esta linguagem que estamos a usar, pelo menos esta, não dispensa palavras).
Apreciamos sentir-nos frustrados: eu tenho intuições que gostaria de transmitir e não sei de que modo. Gostaria de as difundir porque são simples, primitivas, evidentes, portanto com mais possibilidade de serem verdades. Ou de estarem perto da verdade.
Penso e desejo apreender a verdade de forma directa e não necessariamente comunicá-la. Sem interferência de palavras cheias de vícios que me levam por caminhos errados.
Talvez a arte tenha capacidade de realizar esse desejo por meio de sugestões e de evocações, notas musicais e pinceladas, movimentos de dança e poemas. Ou usando qualquer outro meio.
Esse quase-pensamento de que falo será um pensamento-destroçado que talvez queira ser e que não chega a ser. Precisamente por estar arruinado, daquele modo. Não tem lógica, porque as palavras que lhe dariam a lógica ou a coerência não existem. E defini-lo seria dar-lhe palavras, seria dar-lhe lógica como a coisa única que podemos entender e reconhecer. E enunciar.
Se não tenho palavras para pensar/explicar, sofro de uma penúria de palavras e de falta de inteligência. Não sei pensar o que sinto, o de que tenho sensação, nem o que percepciono nem o que intuo.
O que quero dizer, é que metade do que se passa na minha mente não é pensamento lógico, não posso transmiti-lo. Nem sequer é forma. Não tenho vontade de ser inteligente a este propósito. Nem necessidade.
Estou a pensar se me leio, se leio as minhas intuições gravadas na minha memória. Se se podem gravar, de resto. Se serão lidas por mim antes de serem definidas por palavras, no caso de haver palavras e de as ter descoberto. Palavras certas.
Poderá a intuição ficar gravada na memória para uma leitura posterior?
É este o desafio: a intuição entende-se de diversas maneiras, mas estou a falar da apreensão directa da verdade, entre a percepção (entre o puro pensar e o puro sentir) e o pensamento lógico.
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