Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



É falta de hábito, palerma!

por Zilda Cardoso, em 30.09.16

DSC04881.JPG

Nos nossos dias, há quem considere ser sensato não nos habituarmos a coisa nenhuma. Quero dizer, não ganharmos hábitos.

Os hábitos adquiridos constituíam, no passado, um património cultural da maior importância. A tradição, a rotina, os costumes… Por isso, adquirir bons hábitos era fundamental na nossa vida disciplinada e estável. Incluía hábitos de moral.

Deixou de ser.

No presente, devemos habituar-nos a mudar rapidamente de usos, de atitude, de comportamentos. Os nossos valores não são estáveis pela razão de a nossa sensibilidade e os nossos reflexos terem mudado radicalmente. E assim as nossas capacidades. A maneira de estar no mundo e de viver é diferente do que era não há muito.

Ia dizer, neste tempo - da nova e da novíssima geração - tudo é diverso do anterior. Mas não há divisões estanques entre as gerações e alguma coisa de uma geração passará para a seguinte. Sucessivamente. A maneira de viver altera-se em permanência (os altos e baixos não coincidem com as gerações) e isso é que será a verdade ou o mais próximo dela.

São dados da experiência.

E a arte contemporânea, se quisermos falar na arte contemporânea, com as suas contínuas propostas, por vezes, terrivelmente inovadoras, revolucionárias, tem-nos ajudado a aceitar este estado de coisas, a compreender e a admitir um mundo continuamente em mudança. A arte consegue melhor, porque é encantadora e fala aos sentimentos antes que à razão. Ela própria se constrói com valores. E ajuda-nos, seres humanos, a integrar-nos na nossa cultura - do nosso tempo, do nosso lugar - e a evoluir no que respeita a mentalidade. E a possibilidades.

A arte parece progredir ao ritmo da ciência,  acompanha a cadência do seu desenvolvimento que, desde que admite o erro e deixou de considerar-se como sinónimo de pura verdade,  passou a crescer implacavelmente mais.

Tem sido dito inúmeras vezes: nada é definitivo, perfeito, acabado, permanente. Há insegurança e instabilidade em tudo, sem dúvida. Mas é isso o que nos permite continuar a descobrir e a imaginar.

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:12


2 comentários

De Anónimo a 04.10.2016 às 22:55

As palavras que já não sei escrever…
Ando com um cansaço extremo, que me impede de ter inspiração para, tarefa que, reconheço, tenho muitas saudades de fazer, encontro escritas por outros as palavras que já não sei compor…mas com as quais identifico…!
Fico a pensar: afinal, se somos tantos os que temos este problema evidente, emergente e tão preocupante, mas continuamos a alimentar esta “máquina” absurda (estou a ser delicado com as palavras), para onde levaremos esta sociedade...?
Já lá vai o tempo em que éramos muito felizes nas rotinas...!

De Zilda Cardoso a 05.10.2016 às 12:12

Compreendo.
Não me quer dizer o seu nome?

Comentar post





Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

  Pesquisar no Blog



Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2016
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2015
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2014
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2013
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2012
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2011
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2010
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2009
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2008
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D