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Nos nossos dias, há quem considere ser sensato não nos habituarmos a coisa nenhuma. Quero dizer, não ganharmos hábitos.
Os hábitos adquiridos constituíam, no passado, um património cultural da maior importância. A tradição, a rotina, os costumes… Por isso, adquirir bons hábitos era fundamental na nossa vida disciplinada e estável. Incluía hábitos de moral.
Deixou de ser.
No presente, devemos habituar-nos a mudar rapidamente de usos, de atitude, de comportamentos. Os nossos valores não são estáveis pela razão de a nossa sensibilidade e os nossos reflexos terem mudado radicalmente. E assim as nossas capacidades. A maneira de estar no mundo e de viver é diferente do que era não há muito.
Ia dizer, neste tempo - da nova e da novíssima geração - tudo é diverso do anterior. Mas não há divisões estanques entre as gerações e alguma coisa de uma geração passará para a seguinte. Sucessivamente. A maneira de viver altera-se em permanência (os altos e baixos não coincidem com as gerações) e isso é que será a verdade ou o mais próximo dela.
São dados da experiência.
E a arte contemporânea, se quisermos falar na arte contemporânea, com as suas contínuas propostas, por vezes, terrivelmente inovadoras, revolucionárias, tem-nos ajudado a aceitar este estado de coisas, a compreender e a admitir um mundo continuamente em mudança. A arte consegue melhor, porque é encantadora e fala aos sentimentos antes que à razão. Ela própria se constrói com valores. E ajuda-nos, seres humanos, a integrar-nos na nossa cultura - do nosso tempo, do nosso lugar - e a evoluir no que respeita a mentalidade. E a possibilidades.
A arte parece progredir ao ritmo da ciência, acompanha a cadência do seu desenvolvimento que, desde que admite o erro e deixou de considerar-se como sinónimo de pura verdade, passou a crescer implacavelmente mais.
Tem sido dito inúmeras vezes: nada é definitivo, perfeito, acabado, permanente. Há insegurança e instabilidade em tudo, sem dúvida. Mas é isso o que nos permite continuar a descobrir e a imaginar.
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