Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Cristãos e muçulmanos

por Zilda Cardoso, em 08.12.15

A civilização ocidental ou “a grande jornada do Ocidente”, como lhe chama G. Steiner, que terá começado com o milagre grego – a preocupação com a verdade e a valorização da razão - pode ter terminado com a descoberta de que não há nenhuma verdade a descobrir. E que a razão não produz nem certezas nem ideias claras.

Por isso, escusamos de nos preocupar, digo eu, com a invasão da Europa por muçulmanos e com a destruição que eles fazem dos valores que nos são queridos, das obras de arte e dos conhecimentos de que nos orgulhamos. As tentativas de descobrir a verdade que foram fundamentais para a civilização ocidental, acabaram há um certo tempo, não digo que desistimos.

Não desistimos de investigar e de querer compreender.

Entretanto e presentemente, vemos que a Verdade não tem a importância que os Gregos lhe atribuíam. Estavam enganados e nós todos, ocidentais, ficamos enganados por séculos. Porém, foi a sua atitude, a sua maneira de pensar e o seu gosto pela contemplação, pela reflexão, pela crítica que nos levou a descobertas e a invenções essenciais e actuais.

E a esperança de encontrar a verdade, que era a ideia base da ciência/filosofia no tempo clássico, estava há muito a decair, desde que a verdadeira ciência se foi transformando no valor primordial. É claro que vou afirmar que não há, nunca houve verdadeira ciência.

Pois não. As civilizações são provisórias como tudo o mais, o que quer dizer que são substituíveis; fundamental deixou de haver porque há “outros fundamentais”; todas as verdades são transitórias, admitem-se opiniões razoáveis. Manter o espírito aberto, viver em democracia e discutir em liberdade os assuntos que dizem respeito a todos é no momento o principal... (“O que é o principal”?). Coisas assim.

Estamos em vésperas de desaparecer, nós e as nossas ideias ocidentais, nada do que era importante… é.

Estaremos num ponto de ruptura. Apenas precisamos de esclarecer se devemos nós próprios destruir aquilo para que nascemos, se se impõe deixar que nos destruam com os nossos valores colados a nós ou se temos de esperar que as coisas por que vivemos se aniquilem por si.

E eu, branca caucasiana e ocidental exacerbada, começo a pensar que os muçulmanos talvez conheçam a verdade absoluta e estejam possivelmente dentro da nossa estimada razão. Eles! E só porque querem a mudança para nós.

E interrogo-me: as mudanças são necessárias? As verdades são provisórias?

Há que alterar? Alterar pode ser corrigir… e ir além? 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:38





Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

  Pesquisar no Blog



Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2016
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2015
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2014
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2013
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2012
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2011
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2010
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2009
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2008
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D