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Compreendemos muito bem que a chamada austeridade é necessária. E que não a apreciemos também é compreensível. Porém, ela é inevitável porque ou quando se segue a um período de gastos excessivos e não temos recursos para pagar dívidas entretanto contraídas. (É provável que a austeridade devesse começar logo quando seria facilmente controlável e antes do acumular das dívidas).
A severidade e o bom senso são muito válidos para saber como diminuir despesas quando não há possibilidade de aumentar as receitas. E em consequência equilibrar os orçamentos.
Porém, quando esse período se prolonga para além do absolutamente necessário, surgem problemas de outra ordem: desinvestimento, desemprego, impossibilidade de satisfazer compromissos em relação aos credores, a respeito da sociedade e dos indivíduos que participam dela. Há descrédito geral, falta de confiança, pobreza…
É difícil, muito difícil encontrar o ponto de equilíbrio, o momento em que se deve parar ou moderar o rigor e recomeçar a investir e a criar empregos e… a melhorar a saúde mental dos cidadãos.
Muitos jovens saem todos os anos das escolas prontos a trabalhar naquilo para que se formaram.
Pode-se esperar que compreendam e que façam um trabalho considerado inferior por um período (podem descobrir outra vocação), mas têm que ter esperança de que seja por um pequeno tempo… para ajudar a resolver problemas, não para abandonarem as suas legítimas ambições ou para deixarem o país, necessariamente (o que não lhes faz mal).
E pode-se esperar que os que ganham bem, possam limitar, nesta contingência, as suas despesas e ajustá-las aos ganhos.
Há inúmeras dificuldades que todos conhecemos e que devemos tentar compreender sem entrar em conflitos. Temos que ter confiança nos que elegemos; com vontade ou sem ela, participamos disto. Temos poder e sabedoria bastante, apreciamos ter, somos responsáveis.
O que para mim é constrangedor é ver e ouvir, numa energia imensa de palavras, considerar miseráveis, estúpidos em último grau, idiotas maldosos e virulentos os que tentam fazer alguma coisa para melhorar a situação.
Aparentemente, todos sabem, mas todos, toda a população, todas as populações dos diferentes países envolvidos nestes complicados processos, todos sabem e vêem com clarividência como resolver a crise menos os que tentam resolvê-la. É evidente que não vemos ninguém adiantar qualquer solução prática válida.
E eu interrogo-me por que razão usamos esta desconcertante violência de epítetos, uns contra os outros? Somos os nossos piores inimigos, somos os piores inimigos dos nossos semelhantes?
Estamos a criar o mundo de Hobbes, o estado natural, sem leis e sem as regras que limitariam a satisfação dos nossos interesses, o estado em que seríamos todos contra todos, permanentemente em guerra…?
Não passaremos disso, a menos que consideremos que são bem-vindos os que procuram soluções, gregos ou não.
Não podemos estar contra estes nem considerá-los heróis nem sábios. Assim mesmo, desejamos a segurança e defesa dos nossos interesses, por isso, resta-nos ajudar os que procuram resultados equilibrados. Sem paixões.
Que não vão surgir de um momento para o outro, que não vão despachar todos os problemas mas que nos porão no caminho de os resolver.
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