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Todas as manhãs bem cedo, vou à janela, antes de mais. Verifico tim-tim por tim-tim o que há de novo em relação ao dia anterior. Encontro sempre algumas diferenças, não significativas, bem entendido, por isso, descanso. Ainda é o meu mundo, onde sempre vivi conciliada com ele.
Sim, conheço-o em cada centímetro de terra, de mar, de céu… Sei daquelas árvores e de pessoas. Reconheço as cores que sempre me impressionam e certas formas, se bem que estas sejam variáveis, eternamente variáveis, e tenha dificuldade em as reconhecer de cada vez.
Mas, um dia destes, quero assinalar isto, numa luminosa manhã,


antes de começar a acontecer fosse o que fosse, olhando da minha janela, tive a nítida sensação de que o Sol se não tinha posto, não se havia aquietado como de costume ao fim do dia (do que é habitual ser o fim do dia antes), ou ido iluminar outras paragens. Ele não fora alegrar outros dias que não os meus, ele não saíra daqui.
Na realidade, não era outro dia. Tudo estava IGUALZINHO ao que fora, ao que eu tinha visto. O mundo era exactamente o mesmo, o dia era ele, o mesmo, sem nascimento e sem pôr-de-sol, sem divergências nem antagonismos, sem contrastes.
Digamos, fiquei assombrada e feliz. Talvez seja um dia-não-contado na minha vida. E porventura possa ter outros. Sabem o que quero dizer: vou permanecer por aqui, demorarei com gosto mais tempo, por gentileza dos dias não contados. Graças a estes dias só luz.
É questão de imaginação. Será também de loucura?
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