Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



ALEXANDRE QUINTANILHA

por Zilda Cardoso, em 12.12.10

 

 

Ontem vi e ouvi parte de uma entrevista dada pelo Professor Alexandre Quintanilha à TVI24.

Já sabia que ele era assim. O Professor aparece com frequência em programas televisivos, fala do seu trabalho, da sua vida, da sua visão do mundo com a simplicidade e a sabedoria do cientista que escolheu viver no Porto e em Moledo, há cerca de vinte anos.                                                                                              

Tendo nascido em Moçambique de pai português/açoriano e de mãe alemã de Berlim, estudou na África do Sul e nos Estados Unidos, doutorou-se em Física e em Biologia, foi director do Centro de Estudos Ambientais na Universidade da Califórnia, e director da secção de Energia e Ambiente no Laboratório Lawrence e do Centro de Estudo de Tecnologia da Biosfera.

Na Universidade do Porto, foi director do Centro de Citologia Experimental, professor no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e coordenador do Instituto de Biologia Molecular e Celular.

Escreveu artigos em revistas científicas de nível mundial, editou e foi autor de seis volumes sobre Biologia e Ambiente; dezenas de artigos e relatórios têm aparecido em livros, revistas e jornais de divulgação, e é coordenador e autor de trabalhos nas áreas da Biologia, Ambiente e Física Aplicada.

 

 

 

 

 

 

Alexandre Quintanilha apenas parece desiludido com a política; de resto, a sua visão do mundo é optimista, ser feliz, isto é, realizado parece-lhe o objectivo mais importante da vida. E contribuir para a felicidade dos outros, descobrindo o que possa contribuir para essa felicidade. Se conseguir isso aumenta a auto-estima, que é o que se não ensina. Quando estava nos E.U. trabalhava no laboratório catorze horas por dia e depois ia para a discoteca dançar durante três horas. Era o tempo do Elvis Presley e dos Beattles, mas também viu exposições de arte extraordinárias, ouviu Michel Foucault e outros grandes pensadores, escutou concertos de música excepcional…

Veio para Portugal porque era um país novo, um país cheio de sonho, um país a renascer. É agora um estado europeu, onde conseguimos o que queremos desde que nos esforcemos, diz o Professor. Na ciência, a diferença é maior. Agora ensina-se ciência nas escolas. A ciência entrou em Portugal como uma arma do futuro, Portugal é agora um país moderno.

O que o atrai no Porto? Pergunta o jornalista. A resposta também me seduziu. De resto, dá gosto ouvi-lo, seja o que for de que fale.

 

 

 

 

Na cidade seduziu-o a beira-mar, a entrada do rio, o que também a mim me encanta cada dia. A cidade à nossa frente vista do lado de Gaia, o pôr-do-sol no mar ao fim do dia... “são das coisas mais bonitas que existem em qualquer parte do mundo”. Aprecia muitas outras coisas, como a arquitectura, que classificou como uma área de saber que tem uma parte estética e uma parte técnica importantes. “Também na Física há equações bonitas e elegantes”.

O Professor, sempre a sorrir, disse muitas coisas admiráveis que eu escutei deliciada; que a vida é uma estrutura imensamente complexa, que a natureza parece brincar connosco de forma perversa, e que 99,9% das espécies terão desaparecido ao longo de dezenas de milhões de anos de vida na Terra. Daqui por outros tantos, podemos não estar cá, nós .

E eu pensei ao ouvi-lo que afinal talvez não fosse fundamental não deixar morrer espécies. Enfim, talvez não as abelhas… porque ficamos sem o mel, que não é essencial para a nossa vida, mas há a polinização que deixam de fazer, e que nos pode afectar. Temos que pensar bem. Temos que fazer contas à vida.

 

 

 

 

O que quer é não ter medo do desconhecido. Não tem. O desconhecido fascina-o, ele procura-o. Sente-se encorajado para ir à descoberta. Porém, Deus? Não pensa nele, não lhe interessa. Há mistérios… por quê dar-lhes nome?

Quanto ao amor… “se não tiveres amor, não tens nada” por muito rico que sejas de todos os bens.

“Sou uma pessoa suficientemente aberta para dizer o que penso e não ter medo de o dizer; sou livre e não receio sê-lo”, afirma o Professor que diz também que os pais foram a boa influência na sua vida. A ambos deve o espírito optimista, livre, seguro de si.

 

 

 

(algumas informações biográficas foram colhidas na Internet e as imagens na marginal do Porto)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:12


13 comentários

De Maria João Brito de Sousa a 13.12.2010 às 16:03

Como este mundo é pequenino... foi do pai deste senhor, o Professor Aurélio Quintanilha, que o meu avô foi muito amigo! Encontrei por lá um soneto velhíssimo, rabiscado num papel quase imprestável, cheio de "drosófilos" e coisas que tais... está assinado " António de Sousa, pelo poema" ... agora vou extrapolar... mas poderia ser um pedido dele ao meu avô... sei lá, fala de microscópios e fungos... tenho de o encontrar!
Abraço gde!

De Zilda Cardoso a 13.12.2010 às 16:18

Muito estimulante! Sei que o Professor Aurélio Quintanilha foi dos primeiros cientistas a trabalhar com fungos. Pode extrapolar à vontade, provavelmente acerta.
Investigar documentos antigos é um fascínio. Diga-nos se encontrou.

De Maria João Brito de Sousa a 13.12.2010 às 16:34

Eu ando muito "emperrada", mas vou procurar naquelas montanhas de papéis velhos que por lá tenho... a memória é que me não ajuda nada! Há muito poucos dias encontrei o papelinho, decifrei-o a custo, fiquei fascinadíssima - sem fazer ideia de nada disto, claro! - e disse, para mim mesma, que o ia guardar muito bem, não fossem os gatos fazer das suas... agora não me lembro aonde! Mas vou procurar, assim que for para casa!
Abraço gde!

De Zilda Cardoso a 13.12.2010 às 16:56

Vai encontrá-lo, claro. Não se preocupe. Também emperro muitas vezes sobretudo com questões de fotos e outras muito electrónicas. Desta vez, não fui capaz de colocar uma foto do Prof. Quintanilha, de modo que optei por fotos da beira-mar que ele aprecia. Para compensar, coloquei uma grande quantidade.

De Maria João Brito de Sousa a 13.12.2010 às 17:05

São lindíssimas! Magníficas fotografias!
Eu tenho por aí, no álbum do Sapo, perto de mil fotografias... só meia dúzia tem alguma qualidade e eu, agora, nem as consigo ver porque houve um problema qualquer com a net e os técnicos optaram por bloquear som e alguns tipos de imagens... nem uma consigo ver! :)
Nem as levo para o Facebook porque já não tenho tempo para nada... mas não o poderia fazer desde que bloquearam o álbum...

De Isabel Maia Jácome a 13.12.2010 às 21:54

ficou ainda masi bonito com esta série de fotografias...
abraço
Isabel

De Marcolino a 16.12.2010 às 06:32

Bom dia Zilda!
Sempre me senti fascinado por Seres Inteligentes!
Abraço
Marcolino

De Marcolino a 17.12.2010 às 09:02

Bom dia, Zilda!
Como hoje é um dia muito feliz para si venho aqui dar-lhe os meus sinceros parabéns, e desejar-lhe as maiores felicidades junto dos seus lindissimos netinhos!
Aceite, por favor, um beijinho de parabéns, deste seu seguidor.
Marcolino

De Zilda Cardoso a 17.12.2010 às 09:33

Marcolino
É muito simpático e eu agradeço. Estou feliz porque tenho muitos amigos e sei que me desejam o melhor. Não podia querer mais.

De Isabel Maia Jácome a 17.12.2010 às 14:18

... estou desatenta, ou fez anos? Ou faz anos??????????
ups... se for o dia, ou se por acaso já tiver passado na sua habitual discrição posso deixar um abraço especial por "esse" dia?
Isabel

De Maria João Brito de Sousa a 22.12.2010 às 16:12

Um FELIZ NATAL, Zilda! Eu sou das que gostam do Natal, mesmo que o passem em casa a tratar de um gato moribundo... :)
Abraço gde!

De Zilda Cardoso a 22.12.2010 às 18:11

Não está sozinha, pois não?! Se gosta do Natal, espero então que o passe bem, fazendo um grande soneto, um lindo poema que faça o Natal valer a pena! Um grande abraço para si, querida amiga.

De Maria João Brito de Sousa a 23.12.2010 às 12:09

Não! Vou estar com as criaturinhas que ainda estão vivas e que foram representadas naquela tela. É uma tela grande, aquela que ilustrava o meu último soneto, quase em tamanho natural. Só espero é não ir mesmo parar ao hospital porque este "empenamento" todo era de uma hipertensão que está a resistir tanto como os meus sonetos! Já lhe disse que não era bem-vinda - a ela, hipertensão - mas continua a deixar-me neste estado lastimoso em que mal consigo por um pé à frente do outro!
Até já chupei as pastilhinhas de nitroglicerina, mas só consegui que baixasse para 16,8-11,9.
Mas vou mesmo tentar passar a meia noite a fazer um soneto! :)
Um grande abraço!

De Maria Helena P. Ribeiro a 22.12.2010 às 22:42

Querida Zilda, o desejo de um Natal sereno, também a todos quantos visitam esta sua sala.

O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro deste gestos que em igual medida
a esperança e a sombra revestem
Dentro das nossas palavras e do seu tráfego sonâmbulo
Dentro do riso e da hesitação
Dentro do dom e da demora
Dentro do redemoinho e da prece
Dentro daquilo que não soubemos ou ainda não tentamos

O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro de cada idade e estação
Dentro de cada encontro e de cada perda
Dentro do que cresce e do que se derruba
Dentro da pedra e do voo
Dentro do que em nós atravessa a água ou atravessa o fogo
Dentro da viagem e do caminho que sem saída parece

O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro da alegria e da nudez do tempo
Dentro do calor da casa e do relento imprevisto
Dentro do declive e da planura
Dentro da lâmpada e do grito
Dentro da sede e da fonte
Dentro do agora e dentro do eterno

Tolentino Mendonça

Comentar post





Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

  Pesquisar no Blog



Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2016
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2015
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2014
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2013
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2012
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2011
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2010
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2009
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2008
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D