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As minhas desculpas!

por Zilda Cardoso, em 11.12.10

Agradeço aos  amigos que se interessaram pelo meu estado de saúde pós-suicídio-frustrado, e peço desculpa.

Estava eu a contar uma história que realmente aconteceu ponto por ponto, há alguns anos. Tudo passou, não se nota qualquer vestígio e eu… não sei dizer por que razão me lembrei dela naquele dia.

É certo que não era história para esquecer, mas não viria a propósito. Estas voltas que o pensamento dá!

Posso admitir que queria declarar no momento, num esforço de comunicação, que afinal não é tão bom estar só como por vezes parece. Há regalias, todas egoístas, mas as desvantagens são muito de considerar. Isso ocorreu-me.

Houve quem entendesse (a maior parte dos amigos afáveis que são todos) que eu estava ainda a sofrer, acumulado isso com a queda e fractura e mais uns tantos acidentes recentes desagradáveis.

E é disso que peço desculpa - DE OS TER IMPORTUNADO. É claro que fiquei regalada com o alarido. Se ninguém tivesse dado importância, como me sentiria? Com telefonemas inúmeros e mensagens de desgosto, achei que estava no topo do mundo, a sorrir.

E agora deixo-lhes palavras de duas escritoras admiráveis - Maria Gabriela Llansol, nascida em Lisboa, de ascendência espanhola:

“Sempre sabereis onde encontrar-me porque a minha palavra ficará convosco. Eu estarei sempre na minha obra e no meu trabalho. Chamai e virei”;

e Clarice Lispector, judia e ucraniana, educada no Brasil:

“Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um acto. Sentir é um facto.”

 

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publicado às 09:56


21 comentários

De Joana Freudenthal a 11.12.2010 às 12:55

Querida Zilda, por favor, não peça desculpas.
Não faz mal nenhum ter ido buscar uma história antiga. Não faz mal nenhum «ter-nos importunado», como diz. O que andaríamos cá a fazer se não fosse o Amor? Olharmos, ocuparmo-nos, preocuparmo-nos, cuidarmos, alegrarmo-nos, celebrarmos uns com os outros. E que maravilha se isto lhe levou momentos desse Amor!
Quanto a estar ou não estar só, como tudo na vida, um e outro têm vantagens e desvantagens. Garanto-lhe que não compensa estar só!
Agora posso dar-lhe um abraço mais apertado sem medo que ainda lhe saia um esguicho de sangue pela costura do suicídio... :)

De Zilda Cardoso a 11.12.2010 às 14:25

Que bom ter o s/abraço apertado, agora que está bem disposta e eu também! Alguma coisa há-de sair desse abraço, será um esguicho, sim, mas de algo perfumado, bonito de ver e sentir.
Tem blogue, Joana?

De Joana Freudenthal a 11.12.2010 às 14:49

Não tenho blogue, não.
Este ano não teremos o festejo dos anos da Alice para nos abraçarmos ao vivo. Como será??? Teremos de inventar qualquer coisa. Cá ou lá.

De Zilda Cardoso a 11.12.2010 às 15:02

Vamos pensar. A Alice não festeja? Deixam-me na ignorância... os malandros!

De Joana Freudenthal a 11.12.2010 às 17:54

São coisas que eu «aprendo» no Facebook. Parece que nem passa cá os anos.

De Isabel Maia Jácome a 11.12.2010 às 19:58

Confesso querida Zilda que me estava a sentir um pouco mal por me ter parecido que se tratava de uma história antiga e, como sempre, tão bem contada.
Vale sempre a pena partilhar...
...e aqui (que senti ter sido menos efusiva na minha vontade de "mimar" de alguma forma quem eventualmente esteja menos bem, ainda por cima alguém de quem já gosto tanto), senti-me de facto um pouco encolhida por eventualmente estar menos atenta e menos intuitiva...
...assim, ainda bem que é algo já passado... e como diz a Joana, nunca sinta que possa ter importunado...
No que me toca, ficaria mais triste de não poder ter uma palavra amiga num momento mais complicado!
Um abraço, de certa forma duplamente aliviado:
por estar bem e não me ter enganado naquilo que interpretei.
Esse abraço
Sempre,
Isabel

De Zilda Cardoso a 17.12.2010 às 11:36

Interpretou muito bem, Isabel. A história corresponde à realidade num determinado momento e lugar, mas, quando a conto, é ficção. Também acontece que confundimos muitas vezes realidade com verdade e não é necessariamente a mesma coisa.
Aquele acontecimento deu-se há um certo tempo, naquele local. Quando conto, e procuro contá-lo bem e com simplicidade, já não tem a ver com realidade nem com verdade. É apenas uma história possivelmente bem contada. E não é importante que seja ou não verdade, que seja ou não realidade, ela pertence a outra ordem de verdade, a outra ordem de realidade.
Já tenho contado histórias baseadas em acontecimentos passados comigo numa determinada data e lugar, são coisas que na realidade nunca se passariam comigo, indico todos os pormenores e diverte-me mesmo que os leitores que me conhecem me perguntem se a coisa se passou mesmo, querendo dizer se eu tive a coragem de realizar aquilo.
Não é fácil distinguir a realidade da ficção e isso me diverte.

De Isabel Maia Jácome a 17.12.2010 às 14:11

...continuo a sentir qualquer "coisa" a sussurar-me ao ouvido que um dia destes preciso mesmo de "falar" consigo.
Se calhar, está a chegar a hora... ou o momento, para quem, como eu, acredita que nada acontece por acaso...
Tenho aprendido mt consigo.
Obrigada
Abraço
Isabel

De Vicente Mais ou Menos de Souza a 13.12.2010 às 11:00

eu também tenho estórias do passado em que fiz asneirinhas e fui cosido vezes sem conta de feridas que fiz e do onde saíam golfadas de sangue...que rica ideia fazer-nos mergulhar no tempo. Parabéns dona Clarice Lispector...trouxe agora do Brasil o livro para ler.

De Zilda Cardoso a 16.12.2010 às 08:46

Penso que vai gostar da Clarice. É uma excelente escritora que soube ver e contar.
Conte-nos tb uma das suas, infância misturada com adulteza (sinto-me inventora de nomes). Gosto de palavras novas, às vezes invento, mas fico com receio de não ser entendida, e no fundo quero ser entendida.
Há que escolher entre inventar palavras ou ser entendida. As próprias palavras já inventadas e mesmo muito usadas dão lugar as confusões. A única maneira de não confundir palavras, i.é., significados é inventar uma língua totalmente nova em que cada palavra tivesse um só significado e mais nenhum. Não será um bom trabalho, socialmente aceitável e desejado, sobretudo se for feito em regime de voluntariado?

De Marcolino a 16.12.2010 às 06:36

Bom dia, Zilda!
Sempre gostei de a ler por completo e nunca na diagonal, daí o meu comentário usando apenas um termo: «Rocambolesco»...
Abraço
Marcolino

De Zilda Cardoso a 16.12.2010 às 08:37

Obrigada, Marcolino, estava a sentir a falta da vossa companhia. O dizer apenas rocambolesco significa que leu em diagonal ou que não leu em diagonal?

De Marcolino a 16.12.2010 às 10:37

OLá Zilda,
Não li na diagonal aquele seu texto pois reagi de olhos esbugalhados, e em monólogo, na altura, enquanto a via espetar perigosamente, uma aguçada e afiada faca de cozinha, entre algo congelado e uma superficie vitrea, tendo como resultado um ferimento doloroso e perigooso!
Achei uma peripécia inverosímel, isto é, rocambolesca...
A tal de «faca» que sempre usei nestas situações foi, e será sempre, deitar água morna sobre o conjunto vitrificado, isto é, congelado.
Abraço
Marcolino

De Zilda Cardoso a 16.12.2010 às 13:15

Imagine só, que simples!

De Zilda Cardoso a 17.12.2010 às 09:56

Copio o que me diz Cidália Carvalho porque acho muito importante essa divulgação e vem a propósito da m/história de suicídio involuntário. Não se sabe bem o que nos ocorre em certos momentos e hoje ao ver o comentário do Marcolino sobre o que faria naquele caso, e seria tão simples, pensei o que estaria eu a pensar, ou a sentir, que conflitos me perturbariam naquele momento para não me lembrar do que seria mais natural. Mas aparentemente eu estava muito tranquila e procedi como tal, senão não teria escapado. Também podia estar tranquila e deixar que as coisas acontecessem doutra forma, isto é, podia ter deixado correr... Há que admitir muitas hipóteses.
Eis o que me disse Cidália Carvalho articulista do blogue Mil Razões cuja leitura frequente recomendo a todos.
"São muitas as razões que levam a este estado de desespero: razões emocionais, sociais, questões familiares e de honra, perturbações mentais etc...
Como podemos evitar que aconteça?
A sua última frase é uma das formas de prevenir o suicídio. Se estivermos atentos aos sinais e os soubermos ler poderemos ajudar.
A organização mundial de saúde (OMS) diz que a prevenir o suicidio é um trabalho que não compete exclusivamente aos profissionais da saúde mas a todos nós.
Falar sobre o suicídio, com alguém que esteja muito próximo de o cometer pode ajudar, contráriamente ao que se pensa na generalidade".

(ver o blogue Mil Razões)

De Isabel Maia Jácome a 17.12.2010 às 14:05

Completamente de acordo!
(pode não ter mt interesse dizer que estou de acordo, mas apeteceu-me mesmo!... como se estivesse à sua frente a acenar positivamente a cabeça para si e para mim mesma... sinal de que faz sentido..., já fazia..., reforça ainda mais o sentido...
...caramba, estou uma fala barato!
Abraço
Isabel

De joao nuno a 21.12.2010 às 11:27

Querida Zilda, antes assim: tudo bem quando acaba bem.
Às vezes recordar também nos alimenta a alma.
Espero que os seus dias continuem a ser cheios de luz, apesar desta chuva.
Um beijinho
João Nuno

De Zilda Cardoso a 21.12.2010 às 12:00

Que os seus bons desejos se realizem!

De maria a 02.01.2011 às 18:55

Gosto de a ler!
Obrigada pela partilha...
Que tenha um Bom Ano 2011
maria

De Zilda Cardoso a 03.01.2011 às 07:51

É consolador! Obrigada por ter escrdezununito essas palavras.
Ouviu alguém dizer - não sei se lhes deseje um bom ano novo, se deseje que este continue...?

De Zilda Cardoso a 03.01.2011 às 07:53

obrigada por ter escrito essas palavras

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