Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Às Artes, cidadãos!

por Zilda Cardoso, em 09.12.10

Ou Às armas, cidadãos!?   

 

 

Quero falar-lhes da actual exposição de Serralves. Quero falar… por que não falo logo?!

Os meus rodeios são um alerta: quem entrar desprevenido na exposição fica perplexo, sobretudo, se não estiver habituado a ver arte contemporânea.

Uma das características que os comissários de quaisquer exposições querem imprimir às exposições - ao modo como são expostos os objectos, aos objectos escolhidos e aos temas - é que consigam provocar surpresa.

Esta exposição é muito surpreendente. Disse-me alguém a quem perguntei opinião: “é demasiado comunista para meu gosto.” Bom. Talvez não seja assim que ela aspira ser vista. O que se diz no catálogo é que “o objectivo é sempre o de revelar múltiplas perspectivas de um tema que convoca conceitos como os de globalização, democracia, activismo, ideologia, memória, exílio, revolução, iconoclastia, comunidade.”

Do que temos desde logo a certeza é de que se trata de apresentar a arte nas suas intersecções com o político, no tempo presente.

Recordo que um artista e a sua obra não podiam ser conotadas com qualquer ideologia política porque esse comprometimento levava logo ao afastamento do artista, pelo menos, no que respeitava a grande arte. A arte tinha que ser limpa de qualquer referência política.

O título desta exposição, segundo o texto dos comissários no catálogo, “contém em si um desejo de comunidade”, o que é tão louvável nos dias de hoje como o foi sempre. Mas o título parece excessivamente revolucionário por aquilo que evoca, «Aux armes, citoyants », ou excessivamente guerreiro como no hino nacional - Às armas… pela pátria lutar… contra os canhões...  embora se tratasse de incitar à vitória no sentido de levantar o antigo esplendor de Portugal, o tempo dos heróis do mar.

Afinal comemora-se o centenário da República Portuguesa, por isso, se justificam estas características revolucionárias e talvez até as guerreiras, já que foi criado um lugar de debate - encontro entre artistas e público que levará à discussão dos direitos e dos deveres políticos de todos os cidadãos, revelados e acentuados pelas obras expostas e salientará, do mesmo passo, os valores de democracia e de cidadania que uns e outros precisam ter presentes.

Foram convidados trinta jovens artistas e colectivos artísticos de várias nacionalidades que apresentaram os seus pontos de vista. É interessante a globalização vista de diferenciados ângulos. O que acontece, não acontece apenas em todas as salas do Museu de Serralves, mas em diversos pontos da cidade - em igrejas, em escolas, no teatro, em livrarias, nas ruas; acompanham a exposição, performances, conversas, leitura de textos, vídeos, visitas guiadas, instalação, seminários, conferências, mesas redondas, documentários.

A exposição e as actividades que a ela se ligam continuarão até Março.  Quem a visite deve ir preparado para uma troca importante - livros para construir uma pilha e enviar para Timor enquanto recebe outros oferecidos pelo Museu. E também para responder ao apelo para a adopção de um enxame de abelhas, assim:

 

 

Não queremos a morte das abelhas que levaria ao desaparecimento de certas espécies vegetais e de certas espécies animais. E ao desaparecimento do mel. Protegeremos os polinizadores

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:54


1 comentário

De Isabel Maia Jácome a 09.12.2010 às 18:20

Querida zilda
ainda bem que ainda há quem se dê ao trabalho de explicar tanto do que fica só para o entendimento "intelectual"... e assim distancia cada vez mais a cultura, em determinada acepção da palavra, daqueles que, de alguma forma desejam mas não conseguem alcançá-la.
Fazer entender é um dom... e uma vontade... que só quem deseja a partilha e o verdadeiro enriquecimento global, pratica.
Ser simples ou tornar simples, além de dom... uma sabedoria.
Gostei muito deste post.
Mais uma vez, obrigada
Abraço amigo
Isabel

Comentar post





Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

  Pesquisar no Blog



Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2016
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2015
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2014
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2013
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2012
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2011
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2010
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2009
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2008
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D