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Sá Carneiro

por Zilda Cardoso, em 04.12.10

Tantos anos depois da sua morte e mitificação, conto um pequeno episódio com  o meu vizinho da rua Fernão Vaz Dourado ou de Santa Joana, a Princesa, que era a mesma rua muito pouco extensa mas com dois nomes, como se homenageassem pessoas sem importância: metade da rua tinha um nome, a outra metade o outro nome.

Eu estava a traduzir um livro para a Civilização Editora, intitulado A cada um o seu denário e o personagem  principal era um padre. Um padre encantador, devo dizer, bondoso, temente a Deus, como se diz, e eu não queria errar nada que lhe dissesse respeito. Naturalmente, não sabia muitos nomes que considerei técnicos, nomes de alfaias e de paramentos religiosos e fui perguntar aos frades da igreja dos Dominicanos também nossos vizinhos.

Então o frei Bernardo aconselhou-me a falar com o Dr. Francisco Sá Carneiro, ele conheceria esses termos muito específicos.

Alguém, talvez o próprio frei Bernardo (peço desculpa se não foi o frei Bernardo), falou ao Dr. Sá Carneiro, frequentador assíduo da Igreja, das minhas dificuldades e ele prontamente acedeu a falar comigo. E poucos dias depois, ele tocou à minha porta, pronto para ajudar.

Gostei da sua atitude, imaginem só, nem esperou que eu me aproximasse. Gentilmente apressou-se e dispôs-se a ajudar sem qualquer contrapartida.

Fiquei com a certeza de que era uma pessoa muito reservada, mas desejoso de tomar a iniciativa, pelo menos, quando fosse para auxiliar. E muito preocupado quando não podia.

Tinha já a sua aura de pertencente à álea liberal do Parlamento e de ter artigos na imprensa muito censurados. Teria ele as qualidades que gostaríamos de ver num político, neste momento?

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publicado às 19:17


11 comentários

De Marcolino a 04.12.2010 às 22:36

Boa noite, Zilda,
Dr. Francisco Sá Carneiro e Frei Bernardo, duas grandes figuras que tive o prazer de conhecer pessoalmente aí no Porto.
A última vez que estive com o Dr. Sá Carneiro foi poucos dias antes de falecer quando aqui veio, Santo António dos Cvaleiros, fazer uma visita rápida ao núcledo do PPD, ao qual nunca pertenci, mas como teria oportunidade de o cumprimentar pesoalmente, depois do jantar, eu e minha esposa, cumprimentamo-lo, e fomos convidados a tirar uma foto com ele, mais como nosso amigo pessoal, do que correlegionário, o que provocou grande admiração entre os militantes do PPD que nos conheciam pessoalmente.
Quanto a Frei Bernardo, gostava imenso de o escutar e quando ía ao Porto. Tenho gratas recordações de algumas das suas práticas dominicais.
Conheci também um outro Dominicano que, por alturas de 1979, salvo o erro e omissão, foi para o Canadá. Era grande orador, mas a meu ver um tanto ou quanto complicado, quiçá inteligentemente irreverente, nas intervenções. Não me recordo do seu nome. É natural!
Não sei se anda lá está, um tranquilo e conversador, Dominicano, a quem apelidei de Fei «Caminheiro» por ter gasto as pernas de tamto caminhar e ter ficado demasiado baixinho... Apesar desta minha sã irreverencia, demo-nos sempre muitissimo bem!
Outra pessoa que conheci pessoalmente, mas no Largo do Caldas, apesar de nunca ter pertencido ao CDS, e com quem falei várias vezes, foi o Eng. Adelino Amaro da Costa. Era um ser que me fascinava. Bebia-lhe o raciocinio!
No mesmissimo local, e em simultâneo, também me foi apresentado o Prof. Fretas do Amaral, bem diferente do Eng. Amaro da Costa.
Sempre tive amigos de todos os quadrantes poliicos e religioosos. Nunca os molestei, sempre me estimaram!
Quano o Dr. Sá Carneiro faleceu, mal soube da nefasta noticia, fui a correr para casa do meu pai, morava a 100 metros de mim, para estar junto dele, e para o acalmar, visto ser um «Sá Carneirista» convicto!
Engraçado, as recordações que este seu post desencadeou!
Abraço de bom domingo!
Marcolino

De Isabel Maia Jácome a 04.12.2010 às 23:20

É bom poder acreditar e constatar que há pessoas que realmente gostam e se disponibilizam para ajudar, sem qualquer contrapartida...
Acredito e constato. E é bom.
Abraço
Isabel

De Zilda Cardoso a 05.12.2010 às 08:23

Talvez devamos pensar que estamos no século da política e não já no da ciência, e não já no da tecnologia. Tudo se pretende resolver politicamente, para evitar as guerras e a sua violência. Mas traz como consequência mentiras e arranjos, comissões e corrupção. Porventura, solidariedade também, ainda bem.
Mas a ajuda sem contrapartida e a entreajuda, a velha ou, devo dizer, novíssima solidariedade, a solidariedade humana é do que necessitamos mais no presente. O conhecimento de nós próprios será o começo do nosso conhecimento do outro, do estrangeiro que deixa de o ser, porque somos solidários com ele, cidadãos do mesmo mundo. Não pertencentes a uma cultura superior nem a uma inferior.
Aprenderemos e ensinaremos, sem deixarmos de ser nós próprios. (Aqui me levou a solidariedade de Sá Carneiro)

De Isabel Maia Jácome a 05.12.2010 às 20:22

Zilda
Só não posso dizer que detesto política porque o que detesto são precisamente os políticos de hoje, não acreditando em nenhum, com as suas "mentiras e arranjos, comissões e corrupção", mesmo que em prol da necessidade de evitar as guerras e a sua violência.
O que acredito mesmo é na importância do resto das suas palavras - "ajuda sem contrapartida e a entreajuda, (...) a solidariedade humana (...)" e acho muitíssimo importante que se estimule "O conhecimento de nós próprios será o começo do nosso conhecimento do outro, do estrangeiro que deixa de o ser, porque somos solidários com ele, cidadãos do mesmo mundo. Não pertencentes a uma cultura superior nem a uma inferior.
Aprenderemos e ensinaremos, sem deixarmos de ser nós próprios. "
É isto que actualmente acredito... e procuro.
Muito importantes as suas palavras!
... e ainda acredito que Sá Carneiro poderia ter feito a diferença... como, sem pretender julgar ou ser injusta para ninguém, tenho a tendência em acreditar que foi por isso mesmo que morreu... e tenho mesmo muita pena. Era muito jovem, mas acreditava nele.
Abraço
Isabel

De Joana Freudenthal a 05.12.2010 às 12:54

Nunca saberemos até que ponto, mas que nos fez muita falta, fez com certeza.

De Miguel Freudenthal a 05.12.2010 às 23:13

Penso que vale a pena recordar Grandes Portugueses, e grandes figuras da nossa história. Mas não é tempo de pensarmos no futuro e procurarmos alguém que nos ajude a sair deste estado letárgico em que nos encontramos?

De Joana Freudenthal a 06.12.2010 às 10:05

Claro que sim, Miguel!
Penso como tu e até pensei em escrever qualquer coisa parecida.
Mas, apeteceu-me ficar pela homenagem com saudade a um homem muito marcante nas nossas jovens vidas de iniciação à política, ao interesse e intervenção pela nossa Pátria.
Por essa mesma juventude, eu nem sequer tinha noção de como Sá Carneiro era um homem intrínsecamente especial. Tenho aprendido isso por estes dias e agradeço à Zilda o seu contributo.
Não é com nostalgia nem saudosismo à portuguesa, tipo fado, fatalidade que escrevo.
Só há vida para a frente. E é aí que temos de ter os olhos postos e os corações envolvidos.

Boa semana e abraço para todos.
Um beijinho para a Zilda e para ti, Miguel.

De Zilda Cardoso a 06.12.2010 às 12:00

Acha letárgico, Miguel? Têm acontecido muitas coisas, o que são é coisas inconvenientes, más, idiotas, imorais e quejandas. Temos, todos nós, de mudar de rumo, mudar para o rumo certo. Vou voltar à história do seu pai para ver se encontro inspiração.
Obrigada pelo comentário, precisamos de ideias novas.

De Joana Freudenthal a 06.12.2010 às 12:40

Boa, Zilda!
Volte, volte!

De Miguel Freudenthal a 09.12.2010 às 22:42

Olá Zilda,
Acho totalmente apático. Não me parece que haja rumo nem ninguém que nos guie e em quem possamos confiar. Falta-nos um D. Sebastião! Os políticos dizem muitas vezes que gostavam que houvess mais intervenção dos cidadãos, facto é que não deixam que se ninguém se meta na vida do país. Se o fazemos, roubam-nos as ideias, processam-nos e encostam-nos à parede!
Sinceramente acho que não existe ninguém para eu possa "olhar para cima". E fazia-nos falta alguém que nos indicasse um qualquer caminho.
Um beijinho!

De Zilda Cardoso a 11.12.2010 às 11:32

Miguel, acho que cada um tem que procurar o seu caminho. É infantil esperarmos por alguém que nos guie. Já vivemos em democracia há uns bons pares de anos, somos adultos, procuraremos o n/caminho, depois de matutarmos no que é o melhor caminho, singularmente e em comunidade. Temos que lutar por ele, nada nos é dado. Como fazia quando jogava rugby? Estava treinado, bem preparado para a luta que era dura e, por vezes, terminava de ossos partidos, mas continuava a esforçar-se porque entendia que precisava disso para vencer. E queria vencer!
Precisamos de si, não para se deixar guiar, mas para lutar e construir um mundo melhor.
Para já, sorria. É um bom tranquilizante.
Abraço.

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