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Parabéns, Laurinda, pelo seu jornalismo construtivo

por Zilda Cardoso, em 01.12.10

Recorri ao seu blogue para transmitir o que diz de si e que nos interessa conhecer.

 

"Fiz o curso de Comunicação Social na Universidade Nova de Lisboa e comecei a fazer jornalismo quando tinha 20 anos. Primeiro como estagiária no departamento de Eurovisão da RTP, depois como coordenadora do Servicio Iberoamericano de Notícias na TVE, em Madrid, e durante 12 anos seguidos como reporter do Telejornal, na RTP. Ao mesmo tempo fiz reportagens diárias na TSF (de mota, no início da Rádio em Directo) e escrevi semanalmente no jornal O Independente. Na RTP fiz Grandes Reportagens e Documentários de Investigação. Ganhei o meu primeiro prémio de jornalismo em 1991, o ano em que o meu filho nasceu. Depois saí da RTP e fiz séries de programas para a SIC (Verdes Anos e Primeiros Anos, entre outros, que me valeram uma inesperada condecoração do presidente da República, simbolicamente atribuida "pelo debate e defesa pública das questões ligadas à Educação"), durante três anos seguidos assinei semanalmente a última página d'O Independente onde escrevia o Obituário, uma categoria de jornalismo tipicamente inglesa que na altura não se usava nos jornais portugueses. A ideia de inaugurar o estilo Obituário no Independente foi de Paulo Portas, então director do jornal, e devo-lhe a ele este exercício semanal que me obrigou a afinar e depurar a minha escrita. Aqueles três anos seguidos foram, para mim, uma grande escola. Deixei de fazer reportagem de mota na TSF quando percebi que a manutenção das motas era uma completa ficção, depois de uma primeira queda sem consequências. Decidi fazer apenas televisão e escrever nos jornais. Primeiro n'O Independente e depois no Público. Comecei a escrever uma crónica semanal na revista Pública há 13 anos. Desde então fiz muitas outras coisas no Público: a revista XIS (que durou 8 anos, até 2007) e crónicas semanais no jornal. Em matéria de escrita semanal, sinto que pertenço inteiramente ao Público...

Durante alguns anos em que fui cronista do Público fui também directora da revista Pais & Filhos. Voltei a fazer televisão uma e outra vez na SIC e SIC Mulher mas mantive o critério 'free lancer' por uma questão de escolha pesssoal e estratégia profissional. Participo regularmente em encontros, debates, conferências e seminários em escolas e instituições públicas ou privadas em todo o país (ilhas incluídas) e vou com alguma assiduidade a lugares menos comuns como cadeias e centros de recuperação onde sinto que fico muito mais próxima daqueles que, de uma forma ou de outra, vivem ' à margem'. De resto escrevo sobre aquilo que me marca e interpela, sobre o que me toca e comove e, neste sentido, acho que tenho uma escrita impressionista. O facto de ter criado a XIS, uma revista de atitude positiva, motivação e paisagem interior que falava de relações e valores e divulgava semanalmente causas e boas práticas, dizia eu que o facto de durante estes anos todos ter feito esta espécie de jornalismo construtivo colou a minha imagem à da 'jornalista boazinha' que não sou nem nunca fui. Muito pelo contrário. Prefiro, no entanto, não ter rótulos e acreditar que fazemos melhor aquilo que fazemos com convicção. Durante 8 anos acreditei profundamente no conceito da XIS e a fidelidade e o feed-back dos seus leitores devolveu-me a certeza de estar a fazer a coisa certa, na altura certa. Agora, que a XIS acabou, sinto que fechei um ciclo mas continuo a acreditar que 'melhor é sempre possível!'. Voltei a fazer o jornalismo abrangente e diversificado que sempre fiz e gosto de sentir que tenho muito a aprender e a explorar".  

... 

"Gosto de pessoas, casas, livros e viagens por esta ordem. Também gosto do silêncio, do amanhecer e do entardecer. De ouvir tocar piano, de ficar à conversa, do barulho do mar, da voz dos que amo, de coisas e memórias que guardo para sempre. Porque certas coisas nunca se esquecem".

 

O que podemos nós oferecer-lhe neste dia de aniversário? Oferecemos-lhe o desejo de que passe um dia feliz e que os seus bons projectos sejam aceites por quem o pode fazer para podermos usufruir deles. Pertencemos a um país em transformação - que, a partir de hoje, seja para melhor.

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publicado às 08:07


15 comentários

De Fátima André a 01.12.2010 às 09:22

Zilda,
Aceitei o seu desafio! Fica muito aquém daquilo que a Laurinda merece, mas são palavras justas. Uma mulher de grandes causas. Uma mulher que faz a diferença na vida de muita gente!

De Anónimo a 01.12.2010 às 09:41

Existem pessoas que são abrigos, que são companhia na caminhada. Pessoas a quem só abraçámos uma vez e em plena praça pública e de quem nos tornámos cúmplices no desejo de vitórias políticas, numa memória revivida de esperança e alegria na causa pública.
Há pessoas com quem choramos em lágrimas adivinhadas e gargalhamos em risos antigos e confiantes.
Pessoas que se tornam parte do nosso olhar porque são parte da transparência que vamos vivendo.
Pessoas de quem discordamos mas que não nos imaginamos sem essa discordância salutar e apaixonadamente vivida.
Há pessoas que nos acrescentam na hora da solidão e do desânimo e pessoas que conhecem as pedrinhas dos pequenos caminhos.
Há pessoas que revelando-se nos revelam, na transcendência das buscas comuns e fazem connosco a comunidade necessária para que o Absoluto se concretize.
Há pessoas que connosco vão aceitando as fragilidades de todos porque vão conhecendo as próprias e percebendo que na fragilidade de cada um está a sua força e a marca divina que transporta, como ferro em brasa que nos marcou para todo o sempre.
Há pessoas que fazem parte de mim.
A Laurinda faz anos hoje e é para ela este post porque foi com ela que o escrevi.
Parabéns, Laurinda!

De Zilda Cardoso a 01.12.2010 às 12:58

Por quê Anónimo?
Está tão bonito o seu texto!

De Maria Helena P. Ribeiro a 01.12.2010 às 13:52

Comoveu-me a sua apreciação, querida Zilda.
Vindo de si nem sei que mais diga.
Faça como entender.
Muito obrigada e beijo

Maria Helena

De Zilda Cardoso a 02.12.2010 às 08:43

Maria Helena

Teria muita pena de não saber quem tinha escrito um texto de tão clara e justa apreciação das qualidades da Laurinda.
E para mim, não fazia sentido que não quisesse revelar o nome. Ainda bem que está tudo esclarecido. Este sistema de comunicação, tão fáci,l tem os s/segredos; eu tb gostava de os conhecer quase todos, mas não sou muito paciente e devia ser visto estar a utilizá-lo.
Um abraço.
ZC

De Reflexos a 01.12.2010 às 09:48

Bom dia,

Sim, é fantástica, a Laurinda.
Tem uma forma (formula?) fantástica de gerir as emoções. Em tudo encontra sempre a parte positiva e é com ela que segue caminho.
E assim deviamos ser todos...
Um beijinho também muito grande para si, Zilda.
((apesar de não deixar 'marca', venho cá sempre...gosto muit de cá vir)

De João Nuno a 01.12.2010 às 11:04

Querida Zilda,
acabei de deixar um post dedicado à Laurinda no meu blogue. Adorei a ideia desta rede de amigos:)
Desejo-lhe um bom dia de feriado e espero que esteja bem.
Um beijinho. Obrigado por tudo.
João Nuno
http://joaonunomb.spaceblog.com.br

De Zilda Cardoso a 02.12.2010 às 08:45

Sempre atento, João Nuno, obrigada.

De Isabel Maia Jácome a 01.12.2010 às 11:25

Zilda
Pela sua abrangência, de uma forma simples e directa, obrigada pela ideia que nos deu... em rede demonstrarmos o carinho e apreço que temos pela Laurinda...
Obrigada também pelo espírito solidário e reconhecido que manifesta.
Hoje, parabéns à Laurinda, mais uma vez e a si também!
Que com esta iniciativa, se consiga algo mais para a Laurinda Ela merece.
Abraço
Sempre
Isabel

De Maria Helena P. Ribeiro a 01.12.2010 às 12:33

Querida Zilda, a anónima sou eu! Ou será que intencionalmente escondeu o meu nome?
Olhe fico tão nervosa por estar a escrever no seu blogue que já nem sei se enviei o post anonimamente, calcule :-((
Desculpe a maçada que lhe dou.
Obrigada. Beijo.

Maria Helena P. Ribeiro

De Marcolino a 01.12.2010 às 13:08

Boa tarde, Zilda!
É maravilhoso poder prestar esta homenagem a quem nos tem dado tanto de si mesma!
Abraço
Marcolino

De CC a 01.12.2010 às 23:07

Conheci pessoalmente a Laurinda Alves nas comemorações de uma linha de ajuda em Coimbra, há cerca de cinco anos. A Laurinda foi lá como palestrante convidada. Começou por dizer que não sabia muito sobre este tipo de ajuda mas que tinha tomado conhecimento de alguém que tinha sido salvo por ter telefonado para uma linha destas. E contou como foi e falou sobre a importância destes serviços e eu fiquei com a impressão de que sabia muito mais como ajudar do que qualquer um de nós. È esta simplicidade da Laurinda que eu acho admirável.
Mas já aqui referi uma vez neste espaço, a lealdade da Zilda para com os amigos é um valor imensuravel.
Muitos parabéns para a Laurinda Alves, muitas e boas surpresas.
Obrigada Zilda, por de uma forma tão simples nos mostrar como se trata a amizade.
Fiquem bem!

De Laurinda Alves a 02.12.2010 às 02:40

Querida Zilda e queridos fãs do Fio de Ariadne, não tenho palavras para vos agradecer, mas quero que saibam que há dias e pessoas e gestos e palavras que não se esquecem. Obrigada por tudo neste dia. E em tantos outros. Guardo especialmente no coração a generosidade e a amizade que sinto e leio nas linhas e entrelinhas. Espero merecer e gostava de estar à altura. A sério.

De Rosa a 02.12.2010 às 15:16

Parabéns Laurinda! Parabéns pelos anos, parabéns pela amizade, parabéns pela partilha diária de uma vida virada para fora, que elogia e enaltece, que honra e respeita a dignidade de cada um. Parabéns por saberes olhar à volta e ver com os olhos do coração! Parabéns pela cor alegre e forte com que sempre pintas a vida, e nos ajudas a encontrá-la assim, mesmo que seja por detrás de um cinzento dominante como tantas vezes a vemos. Muito obrigada! Um beijinho da Rosa

De Zilda Cardoso a 02.12.2010 às 16:24

Rosa, agradeço também. Agora mesmo, olhando pela minha larga janela, aquela que dá a sul, vejo diversos cinzentos - esverdeados, azulados, quase brancos e... por aí fora. Está um mar de grande tempestade que sinto sobre mim, mas tal como a Laurinda sempre sugere, vou e vamos descobrir um pequeno brilho colorido lá bem ao fundo, que avança. E tudo vai ficar bem. E este ruído do vento vai desaparecer, os grandes pássaros acalmar-se-ão, a tranquilidade voltará. Mas não sei quando.
Um abraço para si.

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