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Doze trajectos

por Zilda Cardoso, em 08.11.10

 

 

 

O atelier do Gólgota, em que pontifica como mestre Mónica Baldaque, vai expor trabalhos de pintura executados pelos alunos durante o último ano nas aulas das quartas-feiras.

A exposição estará na Galeria da Cave do Clube Literário do Porto, na rua Nova da Alfândega, de 16 a 30 de Novembro, todos os dias, todo o dia.

Mónica Baldaque preparou um folheto informativo que abre com uma muito bonita pintura sua, escreveu o texto que vou reproduzir e pediu à Bernadette Coutinho um outro texto, que não se sabe bem se é poesia ou pintura, mas que dá uma informação muito precisa sobre o ambiente em que decorrem as aulas.

“Théodore Chassériau tinha por hábito, quando viajava, anotar ao lado dos croquis que ia fazendo o seu pensamento. Ele ia registando a sua impressão, não só através do desenho como também através da reflexão pela palavra. Criava-se assim uma intimidade entre o gesto do desenho e o gesto do pensamento. Um equilíbrio.

Nas aulas que eu dou, a minha ambição vai quase até aí.

Mais do que ensinar a desenhar, eu pretendo ensinar a ver, a parar o olhar - um olhar silencioso sobre todas as coisas que nos rodeiam, a perceber o seu movimento e a sua linguagem. E a relacionar essa posição de ver com o pensamento e com a liberdade de usar os materiais quaisquer que sejam que deixam no papel um vestígio: um risco, uma mancha, uma forma.

Os trabalhos que aqui se expõem são exercícios que cada um escolhe de acordo com o seu gosto, o seu imaginário, as suas memórias, a sua vontade e expressão. Cada um pinta aquilo que lhe toca a alma, e cada um se ouve enquanto trabalha. É como tornar visível um conteúdo que se descobre.

Não imponho técnicas nem desvendo segredos. Cada um as vai criando e desvendando-se a si próprio. E vai criando um canto no seu mundo, dedicado a si, para além da rotina partilhada, ela também importante, mas incompleta.

É simples.”

 

O belo texto de Bernadette P. Coutinho – Cumplicidade aguarelada… - será reproduzido proximamente em simultâneo com os nomes dos aprendizes de pintor, todos famosos.

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publicado às 11:25


12 comentários

De Isabel Maia Jácome a 09.11.2010 às 08:36

Querida Zilda
essa capacidade de levar as pessoas a descobrir-se e conhecer-se um pouco mais e melhor através da pintura ou do desenho é fantástica!
é como diz..."Cada um pinta aquilo que lhe toca a alma, e cada um se ouve enquanto trabalha. É como tornar visível um conteúdo que se descobre.
Não imponho técnicas nem desvendo segredos. Cada um as vai criando e desvendando-se a si próprio. E vai criando um canto no seu mundo, dedicado a si, para além da rotina partilhada, ela também importante, mas incompleta.
É simples.”
...mas até descobrirmos que "é simples", que "pode e deve ser simples", leva o seu tempo!...
Faço um paralelismo com a música, embora também eu adore desenhar... tentar desenhar!... aprender a desenhar, a carvão sobretudo!... é que aos 43 anos voltei ao conservatório para retomar o meu piano... a música tão importante para mim... e fiz num percurso de alguns anos de muito trabalho e de descobertas fantásticas e revolucionárias em relação amim própria... mas também porque tive um professor fantástico que me ajudou a transpor essa aprendizagem para a vida e para o melhor conhecimento e descoberta de mim mesma!
Foi fantástico!
...quem sabe conseguirei visitar essa exposição!
Gostava!
Beijinho
Isabel



De Zilda Cardoso a 18.11.2010 às 08:39

Isabel
A exposição é de trabalhos de alunos que a mestra se esforça por tornar apresentáveis. O que todas apreciam mais é o convívio que o atelier proporciona e a forma como a Mónica Baldaque conduz os trabalhos pelos quais os alunos se apaixonam. São duas horas semanais de alegre e proveitoso convívio. Nunca vi alguém sair de lá sem um sorriso luminoso. E isso é já muito. E é o que mais agradecemos uns aos outros e a quem nos permite vivê-lo.

De Isabel Maia Jácome a 18.11.2010 às 21:45

...sem dúvida!
Os bons Mestres, têm sempre uma acção bem mais alargada do que possam aparentar!
De qualquer forma gostaria de poder estra mais perto, sentir esse ambiente de que fala... aprende-se tanto com o que se vê e sente!...
...mas infelizmente por agora estou"retida" na minha ciatalgia... breve hei-de melhorar!
beijinho
"Tenha um bom coração"!
Sempre,
Isabel

De cabecilha a 10.11.2010 às 16:21

Boa!

Gólgota? porquê?

De Zilda Cardoso a 11.11.2010 às 19:58

É a Rua, não conheces?

De descobrirafelicidade a 11.11.2010 às 09:07

Zilda

O meu blogue já não está activo, estou agora noutra "casa", juntamente com as minhas colegas. Nela (http://optimismoemconstrucao.blogspot.com/) tem um prémio como reconhecimento e admiração pelo seu trabalho. Um abraço e um resto de feliz semana para si

De Zilda Cardoso a 11.11.2010 às 17:39

Teresa, pode recordar-me o nome doseu blogue anterior, a sua antiga casa?
Obrigada.

De Zilda Cardoso a 11.11.2010 às 19:56

Neste momento, só posso agradecer a simpatia do Prémio Dardos. Não consigo fazer aquilo a que sou obrigada pela aceitação do prémio que muito me honra. Mas vou fazê-lo logo que possa com tranquilidade. Me desculpem. Para já, convido os meus amigos a visitarem o novo blogue que as suas possuidoras intitulam optimismo em construção e que está cheio de sugestões absolutamente fundamentais nos dias de hoje.
Leiam com atenção. E sigam as indicações: é meio caminho para a felicidade.
Tenham um bom coração.

De descobrirafelicidade a 11.11.2010 às 21:19

Zilda

Entendo perfeitamente e não queria, de todo, que se sentisse obrigada a seja o que for. Vou confessar-lhe uma coisa: Eu própria não sou grande fã de selinhos... Fico agradecida, sim, mas ao mesmo tempo... Não sei explicar-lhe. Só sei que a entendo e que não precisa desculpar-se de nada. O meu grande objectivo com a atribuição deste prémio era unicamente mostrar-lhe o meu (nosso) reconhecimento e divulgar mais o seu blogue (sobretudo, para os nossos alunos). Aliás, mencionamos blogues que provavelmente nunca saberão da indicação: Foi mesmo para serem, ainda mais, divulgados. Eu era muito avessa a este mundo virtual e só o facto de não ter sido possível a concretização de um projecto que tinha em mente, me levou a fazer o blogue descobrirafelicidade (a minha antiga casa). Durou o tempo que achei necessário para transmitir o que pretendia. Agora senti que o projecto que tenho na escola estava a precisar de oxigénio e embora as minhas colegas também sejam muito avessas a este mundo, resolvemos criar o novo blogue. E já estou a alongar-me. Despeço-me fazendo meu o seu desejo: Tenha um bom coração. Também me despeço muitas vezes assim. E agora, não tinha pensado faze-lo, mas o seu acolhimento tocou o meu coração e vontade de partilhar o excerto de um livrinho que escrevi. Aqui fica:
É no pensamento budista que o espírito da gratidão se revela com maior força: Um dos exercícios mais profundos no Budismo é justamente o de abrir o coração da compaixão, através da prática da gratidão. O simples facto de agradecer abre o coração, tornando-nos mais conscientes de tudo aquilo que nos é oferecido diariamente. Muitas vezes não valorizamos o quanto temos para agradecer porque olhamos para certas dádivas como algo adquirido. Agradecendo, começamos a descobrir cada vez mais motivos para o fazer.
Aparentemente simples, esta é uma prática que exige um longo caminho de consciencialização, aceitação e reconhecimento. Há que aprender a olhar para dentro de nós, tomar consciência do significado das experiências vividas, aceitando tristezas inevitáveis – é a aceitação que permite atenuar as “montanhas russas” emocionais que nos assaltam e nos leva a saborear a vida como um todo, na diversidade dos seus paladares – e reconhecendo tudo aquilo que nos é oferecido no quotidiano: O ar e sol que nos entram pela janela, o auxílio de um amigo num momento difícil, a presença da nossa família, o tecto que nos abriga… É este reconhecimento consciente que nos leva a apreciar aquilo que temos, mais do que nos centrarmos naquilo que nos falta.
O reconhecimento gera reconhecimento, porém não basta sentirmo-nos reconhecidos. Há que expressar a nossa gratidão: AGRADECER aos outros, o bem que nos fazem. É a gratidão que nutre as relações, alicerçando o sentido de integração e pertença. Um antídoto poderoso para o sentimento de solidão existencial que possamos, por vezes, sentir. Ao reforçar laços sociais, a gratidão é benéfica para a auto-estima e um dos grandes motores da boa saúde emocional, do bem-estar duradouro. A propósito, numa experiência feita com estudantes americanos durante dez semanas, em que alguns tinham como tarefa anotar, em cada semana, pelo menos, cinco acontecimentos que lhes inspirassem reconhecimento perante alguém e outros teriam de anotar, pelo menos, cinco acontecimentos stressantes, os estudantes do grupo “gratidão” davam uma pontuação significativamente mais alta à sua felicidade e bem - estar.
A gratidão é, sem dúvida, um dos grandes factores da nossa felicidade e alicerce na construção desse enorme edifício que é o de um mundo melhor.

Grata por tudo o que me tem dado
Teresa

De Isabel Maia Jácome a 20.11.2010 às 23:34

Teresa... só hoje consegui ler com alguma calma este excerto do "livrinho" que escreveu e deixou aqui no blog da Zilda, por quem tenho uma profunda gratidão.
Para mim a gratidão é dos sentimentos que mais felicidade me traz... porque é um sentimento que me enche e que sinto que transborda reverberando-se no outro.
Os livros não se medem pelo número de caracteres e espaços, nem pelo número de páginas que tem.
Pelo que li deste excerto, este "livrinho" tem um importante conteúdo e uma importante mensagem. Gostava de o ler. Posso?
Qual o título? Onde se pode aquirir?
Obrigada
Sempre,
Isabel

De João Nuno a 17.11.2010 às 02:03

E no meio de tantos trajectos, as palavras de Eugénio de Andrade...

As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade


Um abraço
João Nuno

De Zilda Cardoso a 18.11.2010 às 08:27

João Nuno
Escelente ter-nos lembrado as palavras de Eugénio de Andrade - tão belas, tão puras, únicas. E no entanto são de todos.
Quero escutá-las já que ele no-las ofereceu, a todos e o João Nuno as recebeu com privilégio e distribuiu.
Muito obrigada.

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