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Lamber as tampas dos iogurtes

por Zilda Cardoso, em 07.11.10

Não resisto à tentação de reproduzir na íntegra o último post do blogue do Vicente Mais ou Menos de Sousa  que julgo muito divertido. Espero que ele ache graça a esta graça.

 

 

"A idiotice é vital para a felicidade.

Pessoas chatas são as que querem ser sempre sisudas, profundas e viscerais. A vida já é um caos, então porque querermos torná-la num tratado cheio de regras? O ideal é ser-se sisudo nos momentos inevitáveis: mortes, separações, dores e afins.

No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria-se dos seus próprios defeitos. E de quem acha que os tem. Ignore o que o estúpido do seu chefe lhe disse. Pense assim: quem tem que andar com aquela cara tão feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele.

Milhares de casamentos acabaram não pela falta de amor, dinheiro, sexo, química, mas pura e simplesmente pela falta de idiotice.

Quem lhe disse que é bom partilharmos a vida com alguém que tem conselhos para tudo, soluções sensatas, mas que não se consegue rir quando tropeça?

Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas que não tem a menor ideia de como preencher as horas livres de um fim de semana?

É muito vulgar haver pessoas que se sentem perdidas quando se acabam os problemas.

Desaprenderam de como se brinca. Brincar é bom. Ouviu bem?

Esqueça os que lhe falaram sobre o que é ser-se adulto, ou seja ter maneiras à mesa, não se dizer asneiras, não se ser imaturo, não chorar, não andar descalço à chuva.

Os adultos podem (e devem) contar anedotas, passear nos parques, rirem alto e lamberem as tampas dos iogurtes.

Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "senão" realmente aceitável.

Teste a teoria. Uma semaninha, para começar.

Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras. Acorde de manhã e decida fazer uma de duas coisas: ficar de mau humor ou sorrir...

O que é verdadeiramente bom é ter-se problemas na nossa cabeça, sorrisos na boca e paz nos nossos corações!

A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que caia o pano!"

 

 

 

Espero os vossos divertidos comentários e também os de quem não achou graça, para comparar. Talvez cheguemos a conclusões interessantes. Sensatas? Género: nem sempre a rir nem sempre a chorar?

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publicado às 09:05


13 comentários

De Vicente Mais ou Menos de Souza a 07.11.2010 às 10:38

A ideia de lamber as tampas dos iogurtes foi a que mais me seduziu....pois pelo andar da carruagem, vai haver uma série de "idiotas" neste país a lamber tampas de iogurte...não porque sejam idiotas, mas porque têm fome

De Zilda Cardoso a 07.11.2010 às 12:30

A vantagem de pertencer a uma comunidade é que os outros não nos vão deixar morrer à fome. Vão dar-nos iogurtes. pelo menos as tampas para lamber... E se calhar, também nos dão os próprios iogurtes, embora possam ser dos azedos. Mas vamos aprender a apreciar os azedos. E outras coisas igualmente azedas.

De pmvs a 07.11.2010 às 11:02

"Ria-se dos seus próprios defeitos"
é muito bom !

De Zilda Cardoso a 07.11.2010 às 12:47

É difícil chegar até aí, mas concordo: é bom.
Há ali outras boas ideias. "Ignore o que o estúpido do seu chefe lhe disse. Pense assim: quem tem que andar com aquela cara tão feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele". Acho isto muito repousante.
E sinta as coisas como realmente são, isto é, passageiras. Que bom consegui-lo.
Não se trata propriamente de dizer asneiras, portar-se mal à mesa e outras que tais. A mim isso não me daria qualquer gosto. Trata-se de ter coragem de fazer aquilo que nos dá gosto sem olhar a preconceitos e a regras estabelecidas e convencionais. A mim dá-me prazer estar solta, passear à chuva, de pés descalços ainda melhor. E imitar o Gene Kelly de guarda-chuva ou sem ele. Porém, não sei contar anedotas. E tb não sou capaz de lamber as tampas dos iogurtes, mas ocupo-me perfeitamente quando não tenho nada para fazer.
Enfim, façam-me o favor de serem felizes! como dizia o outro que sabia contar anedotas, e tinha razão.











e

De Isabel Maia Jácome a 09.11.2010 às 08:46

É isso mesmo!..."Trata-se de ter coragem de fazer aquilo que nos dá gosto sem olhar a preconceitos e a regras estabelecidas e convencionais."...
...na minha idade já começo a querer dar-me a esse luxo... um luxo que é uma descoberta fantástica e que deve ser uma forma de coerência onde não importa se se ri, ou se está cizudo, havendo momentos para tudo e momentos em que ao contrário das aparências ou do politicamente correcto, rimos onde os outros pensariam que deveriamos chorar e choramos onde os outros pensam que deveriamos rir...
... respeito pelos mistérios de cada um de nós e pela delícia de descobrirmos, sem medo, a forma de estarmos de bem connosco próprios!
Beijinho,
Isabel

De Vicente Mais ou Menos de Souza a 07.11.2010 às 12:50

Só não temos defeitos quando, no fundo, estamos em missão na terra e somos deuses disfarçados do Olimpo. Neste caso e por consequência não haverá risos de nós próprios, mas já haverá ruidosas gargalhadas sobre os pobres dos seres mortais...ahahaahahahaahah...como na ópera "Palhaços"...ridi pagliaci

De Marcolino a 07.11.2010 às 16:56

Olá, Zilda!
Escrevi isto, em Junho de 2008:«...que nos faz falta cultivar a alegria no viver. Por isto mesmo, apareceu, pelo menos cá para o Sul, a chamada Terapia do Riso. Dizem-me que, cada vez mais, aumentam os adeptos, além de terem sido salvos alguns casamentos...»
Abraço de quem tem levado sempre a Vida, com uma gargalhada bem sonora, mesmo num velório...!
Marcolino

De Isabel Maia Jácome a 09.11.2010 às 08:50

...daquilo que por aqui vou escrevendo, entre os blogs da Zilda, da Laurinda, do João Nuno, do "Vicente mais ou menos de Sousa" e da "poetaporkedeusker" o Marcolino é outro dos "personagens" com quem tenho aprendido muito e de quem sinto que gosto, "a valer"!
Tinha que dizer isto em qualquer lado... foi aqui!
Que bom!
Abraço,
Isabel

De Marcolino a 09.11.2010 às 13:52

Olá, Isabel!
Obrigado pela sua abertura à minha forma de poder estar na vida, pois sou um velho de 68 anos, continuo alegre e bem disposto, como quando aportei aqui neste belissimo Planeta Azul, tal como Deus quer que sehamos todos.
É uma questão cultural, que me vem desde muitissmo novo, apreendida com os negros da minha terra natal, nos chamados Óbitos, ou «velórios», onde se cantava, comia, bebia e dançava, para alegrar a Alma do finado!
Abraço
Marcolino

De Zilda Cardoso a 09.11.2010 às 09:00

Mal posso imaginar uma gargalhada bem sonora num velório! Podia dar uma guerra com aqueles que estão tristes. Um velório, tal como os fazemos, é triste, mas podemos aprender a fazê-los doutra maneira. Podia cada um que chega pôr-se a contar o que o defunto tinha de melhor, o que realizou bem, o que ficou para a posteridade e de que podemos usufruir.
De certeza que nem tudo o que ele fez foi deplorável ou para esquecer. Quanto ao acontecimento em si, nunca é inesperado, por isso, não precisa ser triste. Só que já estamos com saudades!

De Isabel Maia Jácome a 09.11.2010 às 15:49

Respondendo ao Marcolino e à Zilda... Acho uma ideia fantástica poder sorrir, rir, ou gargalhar se o sentirmos, mesmo com o risco da injusta ofensa que possa causar a quem se prende à figura das carpideiras, cujo choro falso fere os nossos ouvidos e deveria ferir os nossos corações.
Que estejamos tristes, é um direito que assiste a todos quantos possam estar num velório ou num funeral... mas não será mais bonito, mais agradável, outra forma de hino ou entoação, se era amor o que sentíamos por quem já não está fisicamente vivo?
Assisti a um funeral de uma amiga minha, já há alguns anos... era bem mais nova do que eu... bem, bem mais nova... e no meio da incredulidade, do desgosto, da saudade de todos quantos estavam presentes, principalmente o marido e a filha pequena, o que o se ouviram foram hinos e canticos bonitos e... felizes... como se assim embalássemos, aconchegássemos e mimássemos essa nossa amiga com tudo o que pudessemos ter de melhor para lhe dar. Alegria e Amor... e a certezade que fica, ficará sempre viva nos nossos corações!
Abraço, Isabel

De João Nuno a 11.11.2010 às 01:17

Fantástica, querida Zilda, a harmonia de pensamentos que se cruzam connosco nos momentos mais insignificantes da vida.
Um obrigado por todas as partilhas e pelos ensinamentos de luz.
Um abraço sentido,
João Nuno
htpp://joaonunomb.spaceblog.com.br

De Maria João Brito de Sousa a 11.11.2010 às 16:35

Se achei graça? Mas é um verdadeiro elogio à muitíssima idiotice que existe em mim e que eu tão esforçadamente vou preservando! Adorei!!! E garanto que não é difícil rirmo-nos dos nossos próprios disparatezinhos! É fácil e é um verdadeiro bálsamo!
Abraço grande! :)

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