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“As coisas simples causam confusão”, diz Agustina.

por Zilda Cardoso, em 15.10.10

Pedi à M. para me trazer de casa um frasquinho mínimo de água-de-colónia, uma amostra, coisa fundamental para a minha vida naquele momento.

Trouxe três frascos, dois estavam vazios, um tinha uma embalagem complicada de que não consegui livrá-lo sem poderosa ajuda.

Depois ficou o frasco com o líquido a reluzir, ligeiramente azul, transparente e bem cheiroso sobre a mesa até ao dia seguinte. Contudo, quando me fui servir dele, não consegui tirar a tampa - um objecto branco minúsculo, translúcido, bem bem apertado para nada se perder do precioso líquido que me faria a mim conquistar com tranquilidade o mundo. Então o A. tentou abrir com não sei que instrumento e a tampa saltou e nunca mais se viu.

A água preciosa não sobreviveria tempo nenhum no recipiente sem a tampa, por isso, eu o conservei na minha mão. Enquanto isso, o A. e a C. que assistia à cena, andaram de joelhos no chão por largo tempo, acenderam todas as luzes, arrastaram cadeiras e mesas e a cama e… nada, não encontraram nada. Sumiu, evaporou-se, eclipsou-se, desapareceu. Zero, nada, coisa nenhuma.

Diverti-me a observá-los naquela difícil tarefa de encontrar uma coisa que era fundamental para alguém e, para mim, no momento já sem valor. Eu continuava, apesar disso, com o objecto na mão, vertical, para que nenhuma gota se derramasse.

De súbito, a tampa apareceu a alguns metros de distância sobre o estreito rodapé da parede em frente, para onde tinha sido catapultada pelo instrumento rígido do resgate. Foi uma alegria, um entusiasmo, uma festa. “Quem porfia”…  “Se eu desistisse”… “Eu nunca desisto”… e por aí fora, foi o que ouvi repetir.

Pus a tampa no frasco (chamar-lhe frasco é excessivo, aquilo é uma coisinha cristalina que mal se vê) que ficou sobre a base de vidro totalmente imperceptível na mesa-de-cabeceira.

No dia seguinte, depois dos arranjos matinais, procurei a água perfumada para dar a mim própria um ar supostamente mais delicado, civilizado, talvez. E, imaginem, ela não estava lá nem a base de vidro onde ficara alojada. Tinham vindo arrumar o quarto e decidiram levar a base transparente que ali permanecia há vários dias, de facto desde a primeira hora da minha estada no hospital. Levaram a base e o que lá estava.

Quando a empregada entrou de novo, toda de verde aos quadradinhos mas não bastante risonha, para finalizar as limpezas, ousei perguntar com muita esperança, mas timidamente, se podia procurar o frasquinho, se ela podia procurar o frasquinho, talvez nos corredores… na copa... ou não sei onde. E ela que já tinha empreendido comigo primitivas buscas ali, disse, sim, senhora, vou procurar.

Não chegou a sair do quarto – o jovem frasco estava, não na base transparente que, essa, tinha na verdade desaparecido, mas sobre o pano bordado, o napperon cheio de flores azuis e doutras cores suaves pousado sobre a mesa. E brilhava azulado e puro como uma água-marinha de berílio e silicato de alumínio, pedra semi-preciosa, como as que há no Brasil e um pouco por todo o mundo, mas não em Portugal.

Não é uma história divertida?! De gemas e líquidos azuis raros e aromáticos? E de persistência e de caça ao tesouro e de humildade? E de paciência? Quanto a imaginação…

 

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publicado às 13:00


25 comentários

De Maria João Brito de Sousa a 15.10.2010 às 15:14

Há muito que não leio os comentários de ninguém. O tempo encolheu, a minha saúde anda num período menos bom e até teclar me exige um esforço maior do que aquele que o meu corpo consegue despender sem se sentir ainda mais comprometido... dizia que não leio os comments de ninguém, senão os meus mas, nesta confusão de acasos e não-acasos, encontros e desencontros, muito fascinada pelo minúsculo recipiente de vidro, a visualizá-lo muito concretamente, como se, por artes mágicas, tivesse vindo parar ao lado de cá do meu ecrã... no meio de tudo isto, apercebi-me de que havia um "hospital" pelo meio. O frasquinho evapora-se e sinto o inevitável arrepio a que a palavra hospital se associou no universo emocional que me povoa.
Assim vim a descobrir que caiu e está - espero eu! - perfeitamente recuperada.
Praticamente não tenho visitado ninguém porque, muito embora não tenha caído, estou doente, com uma infecção respiratória e, agora que me lembrei de lavar o chão todo com Creolina, com uma tremenda crise de asma...
Zilda, não há nada de belo, fascinante ou mágico no meu enorme frasco de Creolina. É de plástico azulado e só tem a virtude - dizem... - de ser um bom desinfectante para superfícies habitadas por animais não humanos... a razão poderia - e deveria! - ter-me avisado acerca de todos os riscos, mas a imaginação não conseguiu antecipar os efeitos desastrosos que aquilo viria a ter no meu aparelho respiratório... neste momento, só espero, do fundo do coração, que esteja bastante melhor do que eu estou!
Um enorme abraço!

De Zilda Cardoso a 15.10.2010 às 19:47

M. João
Muito agradeço os s/bons desejos. Mas como arranjou todos esses problemas tão graves?
Eu tb tenho andado arredada destas lides, muitas coisas foram acontecendo que eu tl conte um dia, quando estiver preparada. Aparecerei de vez em quando. Nesta altura, quis falar de Agustina que completa hoje 88 anos, e há vários dias que a cito ou falo dela.
Poeta, espero que esteja boa da próxima vez que conversarmos.

De Maria João Brito de Sousa a 18.10.2010 às 12:27

Ainda bem que está melhor, Zilda. Compreendi que era o aniversário da Agustina... até falei disso no cafezinho. Embora me não tivessem ligado muito dediquei uns longos minutos a desejar-lhe, cá por dentro e à minha maneira, um muito feliz aniversário.
Não sei muito bem como arranjei estes problemas todos, Zilda... alguns nasceram comigo e outros foram caindo do céu aos trambolhões... às vezes penso que é o preço que pago por ter alma de poeta. Se assim for, tudo bem! Prefiro ter a tal alma de poeta e este montão de problemas a não a ter e passar uma vida confortável... eu volto já, Zilda!Estou a ficar atrasada para o almoço no CSPNO... eu depois decifro-lhe a sigla. Até já!

De Isabel Maia Jácome a 15.10.2010 às 20:16

Oh valha-me Deus... anda por aqui uma enfermeira a distribuir os "mimos" e atenções que pode por tanta gente e logo a duas senhoras que admira e a quem gostava de poder dá-los directamente, tem que o fazer através de um ecrã...
... à Zilda fui acompanhando nas manifestações discretas, por certo estóicas, das dores que uma queda valente provocam...mimos que procuro dar com a mesma discrição com que as dores são reveladas...mas confesso, ainda sem suspeitar que o mal pudesse tê-la obrigado a ficar num hospital...
À poetaporkedeusker fica aqui o meu desejo de melhoras também, carinhoso, passivo é certo, mas desejoso de que se sinta aliviada o mais rapidamente possível desse desastroso efeito que a malfadada creolina provoca.
As melhoras...mesmo!
Isabel Maia Jácome

De Maria João Brito de Sousa a 19.10.2010 às 15:35

Muito obrigada pelos "mimos", Isabel. Eu não sou tão estóico como a Zilda e aproveito a blogosfera para me queixar à vontade :) Em casa nem preciso de me queixar pois os meus companheiros de quatro patas "sentem" que não estou nada bem e vão fazendo o que podem... talvez por isso eu aproveite as palavras para me queixar, sempre que a situação o justifique e os outros intervenientes sejam humanos. Quanto à Zilda, tive de reler o texto, não fosse eu estar a extrapolar e a ver hospitais onde eles não existem... mas tenho razão. A Zilda está - ou esteve - mesmo num hospital. Repare bem no sexto parágrafo.
Eu sinto-me diminuída até na escrita, que, diga.-se em abono da verdade, é a única coisa menos má que me resta... :) mas souberam-me muito bem as suas palavras! Muito obrigada e um grande abraço!

De Zilda Cardoso a 19.10.2010 às 17:48

Poeta!
Está tão doente?! Mas vai passar, não é verdade? Não há nada irrecuperável na sua saude ou na falta dela?
Está sozinha ou sente-se sozinha?
Se não lhe apetece, não diga. Só queria poder animá-la porque os poetas são inestimáveis e eu quero estimá-los, estimá-la.
E ler os seus poemas, egoisticamente.

De Maria João Brito de Sousa a 19.10.2010 às 17:54

Muito obrigada, Zilda! :) Não me sinto sozinha, pelo menos enquanto for capaz de fazer sonetos... pode parecer estranho, mas é verdade... amanhã volto! Agora vão encerrar o centro! Bjo!

De Maria João Brito de Sousa a 20.10.2010 às 12:05

Cá estou, conforme prometido, Zilda! Um pouco menos febril e dorida do que estava ontem e desejando, do fundo do coração, que esteja recuperada.
Já respondi à Isabel e penso que estamos a transformar este seu post num "tratado" de comentários :) Dizia eu que nunca me sinto sozinha, quando consigo produzir poesia... e é a mais pura verdade! Também me fazem muita companhia os meus gatos, o Kico, o cãozinho - que já está mais lá do que cá, coitadinho... - e os dois pombos que salvei de um envenenamento colectivo. Todos eles sintonizam tão perfeitamente com o meu estado emocional que seria muito injusto não os mencionar... e tenho os funcionários aqui do Centro de Juventude que são muito simpáticos e me tratam com toda a gentileza, os senhores e senhoras que almoçam comigo no Centro Paroquial, duas senhoras que costumam tomar cafézinho comigo, ao fim da tarde... mas confesso que, quando entro nos períodos de grande criatividade poética, fico muito "loba solitária"... isto para não falar dos períodos de desenho-pintura em que até me esqueço de comer! Mas já não pinto desde 2007. Não me sinto com grandes forças para isso e também não tenho material... até agora, os sonetos têm preenchido esta minha "fome" de criar e, no fundo, é tudo tão parecido... letras e desenhos são grafismos... mas isto sou eu a tentar explicar o inexplicável porque a verdade é que nunca sei quando vou entrar numa "fase" e sair de outra...
Um enorme abraço e desculpe-me esta infinita dissertação.

De Isabel Maia Jácome a 19.10.2010 às 18:57

Às vezes, poeta, apetecia-me poder abarcar o mundo..., olhar as pessoas... e num gesto mágico, mesmo que imperceptivel, fazer-lhes bem... ou ajudar de alguma forma a que possam sentir-se um pouco melhor...
...é bom poder dar mimo... principalmente a quem gosta de o receber.
Obrigada também pelas suas palavras.
Desejo muito que se sinta aliviada o mais rapidamente possível...
Sempre,
Isabel

De Maria João Brito de Sousa a 20.10.2010 às 11:49

Quase todos os dias me acontece sentir assim, Isabel... só nos dias em que estou muito, muito dorida e com febre, é que me faltam as forças para lançar esse imenso apelo, esse desejo de fazer bem, de fazer o meu melhor e de desejar que o meu melhor seja minimamente eficaz :) Hoje não me sinto tão mal como me sentia ontem... talvez a infecçãozita esteja realmente - e finalmente! - a ceder ao antibiótico. Mas já me sinto mais alegre e um pouco menos "estúpida" do que nestes últimos tempos... não falo de uma estupidez estrutural... é qualquer coisa que me acontece quando estou fisicamente doente e que faz com a própria escrita fique "entalada", perca a sua fluência... é impressionante o que o nosso corpo consegue fazer à criatividade! Quando se sente muito mal - pelo menos comigo acontece sempre isso - bloqueia completamente o raciocínio e a criatividade. As imagens perdem-se com a fluência e tudo o que seja mais do que; "quanto são 2+2?", parece um tremendo esforço que nem a vontade consegue permitir-nos...
Muito obrigada por sentir como sente!
Um abraço grande!

De Isabel Maia Jácome a 15.10.2010 às 20:49

"quanto a imaginação!"...nem se fala!...
Zilda, como sempre, espantosa esta sua capacidade de nos dizer as pequenas grandes coisas de que afinal a vida é feita.
Grande lição, também... e deliciosamente escrita!
Grande lição, em muitas vertentes, não esquecendo a leveza e humor fantásticos que a vida realmente contém, tão espantosamente expressos... Gostei tanto!...
Uma lição!...
...mas confesso, não fazia ideia que estivesse no hospital!...que tinha sido assim tão mais grave do que me parecia ler, nas entrelinhas da sua discrição e estoicismo...
e eu, enfermeira, aqui quieta e passiva de volta das palavras, quando no fundo desejava agarrar-lhe a mão, ou fazer-lhe uma festa, se necessitasse por um momento perder o pudor que às vezes a dor provoca... ou permanecer em silêncio junto de si caso precisasse, ou mesmo aconchegar-lhe apenas as almofadas, bem devagarinho, num gesto de mimo e carinho mais directo e expresso...mesmo que silencioso.
Zilda, com todo o carinho que a distância, o conhecimento e amizade recentes permitem... as melhoras, AS MELHORAS rápidas!... e, e um beijinho...
Com amizade, acredite
Isabel

De Zilda Cardoso a 16.10.2010 às 12:55

Mas Isabel fez-me os mimos todos!
De perto ou de longe, são mimos, são carinhos que vou merecendo e que agradeço. Palavras carinhosas são para mim fundamentais, os gestos não o são. Quero dizer, não são fundamentais.
As suas palavras comoveram-me, sei que as sente... que quer o melhor para mim... que partilha comigo o gosto pelo silêncio, pela discrição, pela cultura, por outras coisas que prezo.
Continuo a senti-la perto de mim. Até logo.

De Isabel Maia Jácome a 17.10.2010 às 13:27

...Obrigada Zilda, por acreditar, por sentir, e pela partilha profunda... comoveu-me também. E é bom. Bem "perto", força! Muita força!
Com muito carinho e profundo respeito pela pessoa que é...
"Sempre"
Isabel

De Laurinda Alves a 16.10.2010 às 09:55

Querida Zilda, leio-a deitada, mesmo deitada não é sentada na cama, note (pura preguiça matinal de um sábado com sol encoberto), a fazer imensos malabarismos com a mão esquerda para segurar o computador e ele não me pesar nem cair em cima, e ao mesmo tempo, ir escrevendo com as duas mãos, e não posso deixar de lhe dizer duas coisas, perguntar uma e agradecer outra. Primeiro, o que lhe quero dizer: espero que esse tempo de relativa imobilidade esteja a chegar ao fim e que já não tenha dores insuportáveis ou que moem e impedem a liberdade interior (a liberdade de movimentos sei eu que impedem). Pelo que conta do frasquinho de perfume e pelo que escreve sobre a Agustina (será que faz anos no dia da minha mãe?!) percebo que está em grande forma intelectual e adoro essa certeza em si, sempre. Fascina-me a sua veia descritiva, o seu olhar ao detalhe dos detalhes, a sua escrita impressionista, colorida e ... perfumada :) O que lhe queria perguntar afinal já perguntei e era se a Agustina faz anos a 15 de Out. O que lhe quer agradecer são os parabéns que nos deixou por escrito. Muito querida e muito atenta, sempre. Um abraço do Sablon :)

De Zilda Cardoso a 16.10.2010 às 11:32

Sim, a Agustina faz anos no mesmo dia da sua mãe. Já não tenho dores insuportáveis, mas uma pequena experiência de há 2 dias deixou bem claro que não posso desviar-me 1 milímetro do que me é permitido fazer - parece voltar tudo ao princípio.
De modo que vou permanecer algumas semanas ainda semi-imóvel (tenho que inventar outra palavra, não é bem isto). Esta condição tem-me dado algumas vantagens. Por exemplo, renovei contactos c/velhos amigos que me têm feito boa companhia e me levaram a pensar no outro como aquele que me faz existir. Não vou filosofar, mas vou pensar e escrever sobre a importância dos próximos. E como afinal é bom estar um pouco dependente deles.
Laurinda, muito obrigada pelas suas palavras de conforto e companhia.
Dou-lhe um abraço grande e desejo que possa continuar a preguiçar nos intervalos de um trabalho fascinante.

De Marta M a 16.10.2010 às 22:08

Gosti imenso de mergulhar nessa sua descrição sobre a aventura dos frasquinhos ;)
Bem haja por partilhar e proporcionar estes bons momentos quando é evidente que está um pouco fragilizada e nenhum movimento lhe é fácil...
Espero que tudo lhe corra pelo melhor.
Bom fim de semana
Marta M

De Zilda Cardoso a 17.10.2010 às 08:51

Agradeço muito os seus bons desejos.
Está de facto a correr bem esta recuperação, suponho. Apenas lamento o ter de ficar por casa quando, nesta altura, tenho tantos convites para concertos interessantes. Mas estou disposta a cumprir o que me foi prescrito e não fantasiar à volta disso, como é meu hábito.
Um abraço.

De Ana Perez a 19.10.2010 às 17:29

Oh Zilda! Não sabia que tinha estado doente... Espero que já esteja em recuperação! Foi uma queda, segundo percebi... beijinho de melhoras!!!:)

De Zilda Cardoso a 19.10.2010 às 18:54

Um dia destes digo-lhe pormenores que como médica, apreciará saber. Mas o episódio original foi demasiado estúpido e só como anedota podia contar aqui. Aliás acho que foi tudo muito estúpido até que entrei na urgência da Carcereira de que resultou uns largos dias de imobilização. Eu não levei a recomendação com rigor absoluto como o médico queria mas foi o melhor possível. E sentia-me muito bem com toda a gente a fazer-me coisas, que é o que eu normalmente abomino. Continuo em recuparação em casa, mas no princípio de Nov. volto ao hospital para uma consulta. Obrigada pelo seu interesse, Ana.

De Ana Perez a 19.10.2010 às 17:35

Quanto ao seu texto sobre o frasquinho e em rigor sobre o mundo dos entidos e o que ele nos aporta às emoções, não sabe o quanto apreciei,pois muito sou dada aos sentidos em particular aos aromas. E também aos pormenores, rotinas e pequenos nadas que estruturam o quotidiano.
Mais uma vez desejo as melhoras e peço que me dê conta delas( e se entender dos pormenores médicos do infeliz episódio)
Bj
Ana Perez

De Marcolino a 20.10.2010 às 07:46

Bom dia Zilda!
Só agora me atrevo a descomplicar este seu post porque aquilo que é simples de entender jamais dá para fazer divagações...!
Abraço
Marcolino

De Zilda Cardoso a 21.10.2010 às 09:41

Como? Não dá para fazer divagações? Mas eu gostaria que divagasse um pouco e nos contasse...

De Marcolino a 22.10.2010 às 06:35

Bom dia Zilda!
Sim, a meu ver e sentir, as coisas simples nunca deran para divagações devido às suas evidencias.
Cito-lhe uma que poderá ver evoluir com o seu netinho.
Num frasco de vidro transparente coloque um pedaço de algodão encharcado em água. Depois introduza um grão de feijão. Deixe-o apanhar luz directa. Dia a dia a simplicidade do Germinar da Vida do Grão de Feijão mostra-vos-á a grande Milagre da Vida. Não se esqueça e ir refazendo os niveis de humidade, diariamente...
O seu netito ficar-lhe-á, eternamente agradecido, tal como fiquei ao meu Avô paterno, que me ensinou a «olhar» a Vida, na sua esência, bem mais simples. Passei esta mensagem aos meus filhotes...
Dia feliz!
Marcolino

De Zilda Cardoso a 22.10.2010 às 08:43

Vou experimentar, agradeço a ideia.
Mas não será que a observação do germinar, da vida na sua essência me não vai levar a divagações sobre esse mistério?
É simples ou é complexo?
Por que razão germina o grão em certas condições muito simples? Por que razão tudo germina? Podemos intervir para destruir, não para criar.
Vemos e não compreendemos, mas acontece da mesma maneira.
Como vou explicar ao meu neto - por quê?
Aceitará ele sem porquês? Se eu disser - é um milagre, vou ter que explicar o que é um milagre. E eu não sei explicar o que é.
Marcolino...

De Marcolino a 22.10.2010 às 13:48

Olá, minha querida Amiga!
Faça-o de forma simples, que estas perguntas todas existem apenas na sua mente. Seu netito ainda está na fase da observação. Está na altura de ambos, avó e neto, brincarem com um frasco transparente, algodão, água q.b. e um grão de feijão, ao vamos ver como nasce uma planta...
O grão de feijão começa por inchar. Depois começam a sair pequenos rebentos que são as raízes. Mais tarde formar-se-à o caule até às folhas...
Porque é assim? Continuação da espécie.
Minha filha mais nova, bem mais observadora, resolveu depois passar a planta assim gerada, para um vaso. Viu o feijoeiro crescer e o fruto também.
Ambas estavam mais para olhar a evolução e a cuidar que o algodão não perdesse água do que colocarem perguntas transcendentais.
Seu neto aprenderá a observar a mãe natureza. Para a minha querida Amiga, será uma experiência impar na sua vida que até irá transformar a sua forma de descrever as coisas que a rodeiam! São estas pequenas experiencias que nos fazem olhar o que nos rodeia de forma mais inteligivel.
Os meninos do campo têm a sua inteligencia mais para a Vida da Terra do que os meninos da cidade que têm a sua inteligencia mais virada para as consolas de jogos de Pc pensando ainda que tudo aquilo que comem nasce já enlatado nas prateleiras dos Hipermercados...
Faça esta experiencia. Vai levar semanas, mas vai-vos saber muito bem. Aproximar-vos-á ainda mais! O seu netito jamais se esquecerá daquilo que a avó lhe ensinou. É gratificante!
Minhas filhas não complicaram nada aquilo que estavam a ver. Com vasos chegamos fazer uma espécie de horta.
Pena é que nem todos os pais, nem todos os avós estejam abertos a estas coisas tão sinples.
Por exemplo, um barco à vela anda porquê? Não é só porque o vento bate nas velas, mas porque na parte de trás das velas se forma uma depressão, o «vácuo», que «suga» a vela para aquele espaço.
Os aviões funcionam da mesmissima forma, apenas têm um, ou vários motores, para os fazer avançar. É ao alcançar a velocidade ideal que a força do ar do aparelho em deslocação provoca a tal depressão na parte superior das asas que os faz levantar paulatinamente. Mas para que isso aconteça, as asas têm a forma de gota de água cortada a meio. Colocando a parte lisa para baixo, ficará a parde curva em cima. Na deslocação forma-se a tal depressão na parte superior que «empurra» o aparelho para cima. Tão simples como isso. Ninguém se pergunta porquê...
Vá lá, experimente e vai ver que verá certas coisas de forma bem diferente!
Abraço
Marcolino

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