
A nossa esperança era que ele conseguisse pôr o mundo em ordem de um dia para o outro. Esperávamos que acabasse com todos os conflitos, sem mais. Pois, aparentemente, estava nas suas mãos.
Só que nada que é humano é simples.
Ele disse e nós compreendemos. Ele disse que, por um lado, a violência faz parte da natureza humana e, por outro lado, a paz não é apenas ausência de conflitos.
Como nos desenvencilhamos disto?
A natureza humana não é perfeita, mas podemos aperfeiçoá-la. Os homens primitivos não se questionavam decerto sobre a moral do seu comportamento. Ao longo da História, com o progresso humano, começaram a surgir dúvidas sobre a legitimidade de comportamentos violentos no interior de grupos. Talvez fosse possível impor regras, visto o poder destrutivo das guerras. O filósofo português Álvaro Pais, no século XIV, reflectiu muito e escreveu sobre o que seria a guerra justa.
O que o presidente americano disse foi que podíamos agora reflectir de forma diferente sobre “as noções de guerra justa e os imperativos de uma paz justa”. Porque continuará a haver momentos em que a força surja não apenas como necessária mas como moralmente justificada.
Citou palavras de Luther King, de Gandhi , do papa João Paulo II, de Kennedy e de Reagan. Ele mesmo como chefe de estado enfrenta o mundo como ele é e “não posso ficar sem fazer nada diante de ameaças contra a população americana”. E disse acreditar que ao buscar “ um futuro melhor para os nossos filhos e netos” está a procurar o melhor para os filhos e netos de outros, para que todos (apenas todos) possam viver em liberdade e prosperidade.
Sabe que, por mais justificada que seja, a guerra é sempre tragédia humana – nunca é gloriosa. A guerra é expressão de sentimentos humanos e não é de esperar uma revolução súbita na nossa natureza. É importante porém trabalhar na evolução das instituições.
Falou do papel da América que é justo recordar. Disse que o seu país nunca fez guerra contra uma democracia, e que será sempre voz das aspirações que são universaís. Que a Otan continua a ser importante, que é preciso reforçar a ONU e que na América se honram os que regressam depois de missões de manutenção de paz precisamente como fazedores de paz e não como fazedores de guerra.
Disse ainda dos esforços para evitar a proliferação de armas nucleares que devem ser de todos os países unidos; disse que procura a paz justa baseada em direitos humanos e na respeitável dignidade de cada um; e que a paz justa abrange segurança e oportunidades económicas.
O que está em jogo são – acordos entre países, instituições fortes, apoio aos direitos humanos, investimentos em desenvolvimento. E nada disto será possível sem “a expansão contínua da nossa imaginação moral, a insistência em acreditar que existe algo irredutível que todos nós compartilhamos”.
Falou da lei do amor que é “não faças aos outros o que não queres que te façam”.
(Vamos continuar a conversar sobre este discurso notável de um homem notável e sei que cada um do nós tem uma palavra a dizer sobre o tema).