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O discurso de Obama em Oslo

por Zilda Cardoso, em 15.12.09

 
A nossa esperança era que ele conseguisse pôr o mundo em ordem de um dia para o outro. Esperávamos que acabasse com todos os conflitos, sem mais. Pois, aparentemente,   estava nas suas mãos.
Só que nada que é humano é simples.
Ele disse e nós compreendemos. Ele disse que, por um lado, a violência faz parte da natureza humana e, por outro lado, a paz não é apenas ausência de conflitos.
Como nos desenvencilhamos disto?
A natureza humana não é perfeita, mas podemos aperfeiçoá-la. Os homens primitivos não se questionavam decerto sobre a moral do seu comportamento. Ao longo da História, com o progresso humano, começaram a surgir dúvidas sobre a legitimidade de comportamentos violentos no interior de grupos. Talvez fosse possível impor regras, visto o poder destrutivo das guerras. O filósofo português Álvaro Pais, no século XIV, reflectiu muito e escreveu sobre o que seria a guerra justa.
O que o presidente americano disse foi que podíamos agora reflectir de forma diferente sobre “as noções de guerra justa e os imperativos de uma paz justa”. Porque continuará a haver momentos em que a força surja não apenas como necessária mas como moralmente justificada.
Citou palavras de Luther King, de Gandhi , do papa João Paulo II, de Kennedy e de Reagan. Ele mesmo como chefe de estado enfrenta o mundo como ele é e “não posso ficar sem fazer nada diante de ameaças contra a população americana”. E disse acreditar que ao buscar “ um futuro melhor para os nossos filhos e netos” está a procurar o melhor para os filhos e netos de outros, para que todos (apenas todos) possam viver em liberdade e prosperidade.
Sabe que, por mais justificada que seja, a guerra é sempre tragédia humana – nunca é gloriosa. A guerra é expressão de sentimentos humanos e não é de esperar uma revolução súbita na nossa natureza. É importante porém trabalhar na evolução das instituições.
Falou do papel da América que é justo recordar. Disse que o seu país nunca fez guerra contra uma democracia, e que será sempre voz das aspirações que são universaís. Que a Otan continua a ser importante, que é preciso reforçar a ONU e que na América se honram os que regressam depois de missões de manutenção de paz precisamente como fazedores de paz e não como fazedores de guerra.
Disse ainda dos esforços para evitar a proliferação de armas nucleares que devem ser de todos os países unidos; disse que procura a paz justa baseada em direitos humanos e na respeitável dignidade de cada um; e que a paz justa abrange segurança e oportunidades económicas.
O que está em jogo são – acordos entre países, instituições fortes, apoio aos direitos humanos, investimentos em desenvolvimento. E nada disto será possível sem “a expansão contínua da nossa imaginação moral, a insistência em acreditar que existe algo irredutível que todos nós compartilhamos”.
Falou da lei do amor que é “não faças aos outros o que não queres que te façam”.
(Vamos continuar a conversar sobre este discurso notável de um homem notável e sei que cada um do nós tem uma palavra a dizer sobre o tema).

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publicado às 11:35


13 comentários

De Marta M a 15.12.2009 às 17:44

Zilda:
Este homem tem um carisma e uma inteligência cognitiva emocional raras...Veremos até onde vai.
Como bem diz, cada um de nós tem algo a dizer sobre ele.
Falei dele ontem no meu blog também.
Marta M

De Zilda Cardoso a 16.12.2009 às 10:23

Marta
Fui ver o s/post sobre o discurso de Obama. Tal como digo no m/comentário, não posso estar mais de acordo consigo. Gostaria que quem discorda da atribuição e considere a inoportunidade do Prémio, repensasse e sobretudo procurasse ler o discurso que está publicado na Internet.
É um discurso político como não podia deixar de ser, mas é tb moral. Dá-nos a esperança de um mundo em que a política seja, como sempre quis ser ou devia ter sido, a defesa do bem comum.

De Marcolino - Passatempo a 16.12.2009 às 17:49

Olá a ambas!
O meu parecer, para não me tornar repetitivo, dei-o já no Blogue da Marta!
Abraço às duas!
Marcolino

De Augusto Küttner de Magalhães a 15.12.2009 às 22:02

Continuo a achar que o Nobel da Paz foi não-merecidamente atribuído a Obama.

Cedo demais!

Sendo que não tendo dúvidas de que é o “único” político de qualidade destes ultimos anos, e ainda não teve tempo de fazer obra, e muitos têm pretendido que o não faça.

Sendo que o seu discurso foi muito bom, e muito real, dado que só disse verdades, inquetionáveis.

Estamos a viver num mundo global muito “sem-tino e sem destino”, com todas as implicações que daí podem – estão – a advir. Sendo que estamos a querer ultrapassar a Crise exactamente da forma como à mesma chegámos, e a culpa não é de Obama, é de não se querer enveredarGLOBALMENTE por outro “melhor” caminho.....

De Romina Barreto a 17.12.2009 às 19:30

Eu vi e ouvi o discurso na televisão e gostei da maneira como falou e sobretudo daquilo que disse. Tenho lido com entusiasmo alguns artigos sobre a atribuição do Nobel a Obama e com tanta opinião nunca sei o que dizer e o que pensar. Às vezes os críticos falam demais, atropelam-se uns aos outros para serem mais válidos, ou melhor, para serem reconhecidos como credíveis a nível intelectual. Alguns a favor e muitos contra. As eternas discrepâncias. Não sei se merecia ou não e de resto não quero saber. Agora, ao escrever isto estou a recordar-me quando vi na televisão que o presidente dos EUA tinha sido o Nobel da Paz deste ano. Eu estava com a minha mãe e a primeira coisa que ela disse foi “Que parvoíce!”, depois ouvi as razões das quais destaco a seguinte citação: “pelos seus extraordinários esforços para reforçar a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos". Eu penso que Barack Obama representa um ponto de viragem. Deu um grande passo para a Humanidade, fez grandes esforços em relação ao desarmamento das armas nucleares. O ponto de viragem é justamente ele ter conseguido criar um novo ambiente na política e conseguiu muito mais do que isso. Gostei particularmente desta citação, "Só muito raramente uma pessoa captou como Obama a atenção do mundo e deu ao seu povo a esperança de um futuro melhor." De facto, ninguém é indiferente à figura de Barack Obama. Muitos acham que foi demasiado cedo. Mas o Nobel da Paz de 2009 é dele. Ponto.

Abraço querida Zilda :’)

Romina

De Zilda Cardoso a 17.12.2009 às 20:01

Querida Romina
Acho que está a ver o caso muito bem, com muita inteligência e entendimento. Para se ter direito a um prémio pela paz não é necessário ou imprescindível ser pacifista, como muitas pessoas sabem e outras não. B.O. vive neste mundo tal como é. As justificações dadas pelo comité DE ATRIBUIÇÃO SÃO PERFEITAMENTE VÁLIDAS. Os esforços que ele tem feito no campo da diplomacia e da cooperação, o que deu ao mundo de esperança, a humanização e a moralização da política que está a introduzir no seu país e a exemplificar para os que o queiram seguir... é o bastante para merecer muitos prémios. O que ele não pode é mudar a natureza humana. Talvez um dia a biologia avance tanto que certas características da nossa natureza como a violência possam ser mudadas. Para o bem.
Obrigada, Romina, por nos ter dado a sua opinião.

De Romina Barreto a 17.12.2009 às 21:14

Pois é justamente isso. Não podia estar mais de acordo consigo. Obrigada eu. :D

De Augusto Küttner de Magalhães a 18.12.2009 às 20:31

Romina

Continuo a achar que é uma jovem com talentos e atenções que passam ao lado de tantos, já não jovens.
Como é evidente Obama, faz em tudo a diferença pela positiva, basta que neste momento é o UNICO LEADER MUNDIAL que tem capacidade, lucidez, competência para o ser, quanto a isso nem podemos duvidar.

O resto são pequenos chefes, que hoje, não sei porquê, são lideres!!!!!!!!!!!

Mas está muito “sózinho- Obama - até no seu próprio país, onde muitos querem boicotar o seu excelente trabalho, veja-se os travões que lhe estão a fazer à tão necessária abrangência do seguro se saúde. Morre gente nos EUA dado não haver um SNS como cá temos......morre gente nos EUA dado não ter dinheiro e ficar à porta de um qualquer hospital. Obama quer e vai conseguir mudar este paradigma!


Quanto a alguns aspectos tem conseguido, quanto a outros não, claro que nunca por culpa sua , mas entraves do outros.
Guantanamo não vai fechar como prometido a 31 de dezembro, dado que não há para onde enviar os presos que lá estão....o Irão não vai a caminho da pacificação, bem pelo contrário. O Médio Oriente continua mal.....claro que como sabemos, dado as influências do Irão quer na Paletina via Hamas, quer no Libano via Hezbolah.
Ou seja Obama é muito bom, é o que se espera dele, mas está sózinho.

Mas sobressai pela vontade pelo empenho pelo esforço, e com tantos incompetentes por esse mundo fora.....vai ser dificil. Mas é um exemplo positivo para todos, evidentemente.

Mais uma vez Romina, parabéns, pelo que sabe fazer, comentar, apreciar, com a sua juventude. Nunca pare.

Um beijo do

Augusto

De cabecilha flipado e companhia a 18.12.2009 às 19:45

o quê? ainda não há comentários? mas anda tudo nas prendas de Natal, ou què? o tema é difícil... e então - vamos lá puxar pela cabeça!!! :)

De Joana Freudenthal a 20.12.2009 às 13:09

Querida Zilda,
A si, A, M, J, P e todos os que lhe são queridos,
desejo um Santo e feliz Natal
e que
2010 vos sorria muito!

Igualmente a todos os que aqui passam.

Abraços.
Joana

De Zilda Cardoso a 20.12.2009 às 18:09


Querida Joana e simpática comentadora: agradeço os seus amáveis desejos e espero para si o que mais desejar no próximo ano.

De Augusto Küttner de Magalhães a 21.12.2009 às 12:12

Joana
Muito obrigado!
Muito muito BOAS FESTAS E UM MELHOR MAIS SEGURO, MAIS PROMISSOR 2010.

um beijo

Augusto

De Augusto Küttner de Magalhães a 21.12.2009 às 12:13

Cara Zilda

Muitos BOAS FESTAS e um Bom 2010, e mantenha sempre este bom blog a bem funcionar. Como sempre vem a conseguir.

um abraço do

Augusto

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