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O MEU TEMPO

por Zilda Cardoso, em 04.12.09

 

É que, desde há um certo tempo, a minha vida é assim: passo a 6ªfeira (com aparentemente 24 horas) bem vivida e, depois, logo a seguir, há outra 6ªf. e depois dessa outra… outra e assim por diante.
É uma vida de 6.as feiras muito movimentadas. E quando me dou vagamente conta, passou mais uma Primavera, um Verão, outro Outono e um Inverno.
Não sei de todo se este último foi mais chuvoso que o anterior ou menos frio. Se houve no resto do mundo ciclones, ondas gigantes e inundações piores. Se a Primavera à minha volta foi mais florida do que todas as que já vi. Se noutro tempo as folhas das árvores caíram com o vento antes ou depois do Natal. Se o Verão passado foi suficientemente quente e luminoso para me iluminar.
Apenas reconheço com verdade as 6.as feiras. São elas os meus absolutos ou meus dogmas. São a minha ideologia e a minha utopia. São tudo e coisa nenhuma.
 
Dizem-me que vivo um tempo de incertezas e de crise. Porém, da minha experiência, uma coisa é certa: as 6.as feiras existem com toda a evidência.
 
Esta é a minha ciência sem fundamento, sem razão, sem valor. Mas está aqui. A minha esperança é que continue por algum tempo mais. Aqui. Interessada em comunicar as descobertas que for fazendo na complexidade do real.

 

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publicado às 07:58


11 comentários

De Augusto Küttner de Magalhães a 04.12.2009 às 09:43

Zilda

Senti um grande desalento, uma grande tristeza ao ler este seu texto.
Está efectivamente "ainda " triste? ou foi uma forma de se expessar, que transborda desconforto?

um abraço

Augusto

De Zilda Cardoso a 04.12.2009 às 13:45

Peço desculpa, não tinha qualquer intenção de que o texto fosse triste, pelo contrário. Gostaria que o vissem como um divertimento. E tb como a constatação de que talvez não seja necessário ter verdades absolutas. As relativas servem-nos. Não deviam servir-nos, mas vamos vivendo cada um à sua maneira, não necessariamente tristes. Vivemos o dia a dia interessados no que se passa, ajudando a resolver ou resolvendo, descobrindo coisas numa realidade que sabemos complexa para o n/entendimento. E se possível aprendendo uma arte de viver feliz e com alegria.
Muito obrigada pelo seu interesse.

De Augusto Küttner de Magalhães a 04.12.2009 às 15:15

Ainda bem, dado que sendo um seu excelente texto, como de resto são todos, transportou-me e ainda bem que erradamente, para uma certa tristeza.
Hoje no meu tratamento matinal – ainda – na Prelada, apertei a mão a um jovem, 18 anos, teve um acidente grave de mota, e está a recuperar e ao que dizem vai recuperar muito bem – não vou dizer o nome – e como ainda não fala e ainda não entende tudo, ficou agarrado à minha mão com um sorriso nos lábios e nos olhos, e não largava a mão. Até que lhe disse - nome – agora larga que tenho que continuar o meu tratamento, e o miúdo esboçou mais um sorriso, fiquei tão satisfeito. Acho que ganhei o dia!!!!!!!!!!!!!!…ontem, um outro mais velho, que não tem recuperação…e que normalmente não tem lucidez, está assim há anos, anos …como cumprimento todos – bem ou mal que estejamos – esticou-me a mão. Cumprimentei-o e senti que ficou bem….são momentos excelentes……

Não sei por que me lembrei disto, aqui e agora!!!!!!!!!!

De Zilda Cardoso a 04.12.2009 às 15:40

Uma vez mais, muito obrigada pelas s/palavras. São excelentes exemplos de solidariedade, de amizade, de aproximação. Às vezes, não é fácil dar o primeiro passo, mas é tão compensador!
Ainda bem que quis partilhar.

De Augusto Küttner de Magalhães a 04.12.2009 às 16:37

Obrigado.
Tenho lá vivido mais destas situações, e marcam-nos, quando com um abraço, um beijo, um aceno, podemos dizer FORÇA!

De Reflexos a 04.12.2009 às 15:36

Pois é Zilda,
Como o tempo o tempo passa a ser diferente ao longo das nossas vidas.
Quando somos crianças os dias são semanas, quando somos jovens as semanas são dias e depois o tempo foge por entre os dedos...

Mas não faz mal... a vida é bela e o presente é que conta.

Bjinhos


De Zilda Cardoso a 04.12.2009 às 16:45

De acordo, é assim mesmo. há muito que não tinha o s/comentário.
Obrigada.

De Augusto Küttner de Magalhães a 04.12.2009 às 17:33

Sabe que quando se é mais novo o tempo anda mais devagar, por que tudo é novidade, e demora mais tempo a ser gravado na nossa memória. Já aqui se falou nisso. Com o andar dos anos, tudo já está gravado. logo rapidamete passa, dai a tal sugestão de se ter "situações" novas.
Que não necessitam de ser uma ida à Lua, mas coisas pequenas feitas de forma diferente....para ser diferente e em permanente aprendizagem dos 0 aos 110 anos.....

De Joana Freudenthal a 04.12.2009 às 20:19

Pois a mim não me pareceu triste. Até porque escreve, lá mais para o fim: «A minha esperança é que continue por algum tempo mais».

Bom fim-de-semana.
Joana

De Marta M a 05.12.2009 às 12:07

A complexidade do real é aprendizagem de uma vida, quanto mais vivo mais me apercebo que a voragem dos dias me impede de o apreender na totalidade e, às vezes, parece-meque ando literalmente "aos papéis" na minha vida....E ela a passar.
Como a entendo.
Bom fim de semana
Marta M

De Marcolino - Passatempo a 05.12.2009 às 17:58

OLá, Zilda!
Gostei...!
Bom fim-de-semana!
Marcolino

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