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A DOR QUE ME FICOU

por Zilda Cardoso, em 30.11.09

 

 

O costume e o bom senso levam-nos a enfatizar as qualidades más das pessoas pelas quais nos interessamos, sem dúvida na esperança de que algum bem daí venha. Acreditamos que da correcção dos defeitos, efeitos positivos se verão em toda a humanidade.
Depois de as pessoas saírem para sempre da nossa vida e da vida, apenas queremos recordar as qualidades boas, que são exemplo e demonstração do que vale a pena.
E é assim que deve ser.
Sigo a tradição, falando das boas qualidades de um amigo e familiar que acaba de desistir. Era bondoso, respeitador, crente no bom carácter dos outros, preocupando-se com eles, sacrificando-se pelos filhos muito para além do que seria razoável esperar; vivendo sem grandes ambições e sem atropelos, com um sorriso.
Gostando da terra, voltou a ela e aos prazeres simples. Depois de muitos anos longe das aldeias… muito longe…, das árvores, das leiras, das plantações, das sementeiras e das colheitas, foi ao seu território que voltou para trabalhar e sofrer por tudo isso.
Porém, nestes últimos tempos, sofria por muito mais, sofria de mais.
Neste instante, vejo ao longe uma linha finíssima de luz muito brilhante entre o céu cinzento e o mar cinzento e triste e ouço alto uma música solta, a mesma de que me não liberto há dois dias, desde que começaram estas cerimónias.
Tenho agora esperança de que, se há uma forma de existência para além desta e em que “memória desta vida se consente”, ele a ouvirá enquanto eu a ouvir. E compreenderá.
Espero então que seja por muito tempo.
 

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publicado às 16:16


11 comentários

De Joana Freudenthal a 01.12.2009 às 12:50

Um abraço quentinho...

Joana

De Zilda Cardoso a 01.12.2009 às 17:35

Sinto-me bem no calor do seu abraço, Joana.

De Zilda Cardoso a 01.12.2009 às 17:37

Embora eu não saiba o que quer dizer...

De Joana Freudenthal a 02.12.2009 às 09:35

É bom, concerteza, Zilda, ;) por quem já me pareceu que fosse este «personagem»...

De Augusto Küttner de Magalhães a 01.12.2009 às 19:17

Zilda Cardoso

Pelo que nos conta, alguém que morreu depois de forte sofrimento, foi o que podemos dizer: um bom homem, uma boa pessoa. Se houver algo mais do que “isto por aqui” parece que lá será premiado pelo que fez.
Mas se só houver isto aqui – não sei??!!! Por certo que esse Homem ficou de bem consigo pelo que fez, e o que fez e a quem fez. E aquelas pessoas que com ele conviveram, estão felizes por terem podido contar com Alguém assim, moremente os filhos.
Sendo que, se fosse o inverso, se fosse alguém que não tivesse sido boa pessoa, devia ser recordado por não ter sido boa pessoa, por ter sido má pessoa e não passar a bom por ter morrido.
Ainda bem que este Homem seu conhecido deixou uma Boa imagem de uma Boa Pessoa, pena ter sofrido. Os bons não deviam ter que sofrer....e os bons, ainda bem que existem...caso contrário e sendo muito menos que os Maus....isto já tinha tudo acabado!!!!!

Um abraço

Augusto

De CC a 01.12.2009 às 20:49

Lamento a perda e o sofrimento que isso lhe provoca.
Um abraço solidário na dor.

De Zilda Cardoso a 02.12.2009 às 16:51

Agradeço a todos os m/amigos comentadores deste post... a compreensão e a solidariedade.

De Marcolino - Passatempo a 02.12.2009 às 10:49

Deixe-me segurar
Suas mãos entre as minhas
Segredar-lhe palavras de conforto
Dizer-lhe
Que também acredito na Vida
Naquela Vida existente além de nós
Onde muitas vezes dialogamos
Com quem assim
Das nossas Vidas se apartou
Mas cá na Terra
Nossas Vidas continuarão
Não pelo tempo que desejarmos
Mas sim pelo Tempo
Daquele Tempo do Tempo
Do Tempo do nosso Tempo

Marcolino

De Zilda Cardoso a 02.12.2009 às 16:49

Que bonito, Marcolino, muito obrigada.

De Augusto Küttner de Magalhães a 03.12.2009 às 09:43

Zilda

Pelo seu silêncio dá a impressão que estará a fazer o seu "luto" o que evidentemente é sempre muito , msmo muito , necessário nestas ocasiões, nestes momentos mais dificeis.

Espero lê-la "bem" assim que se achar melhor para aqui escrever.

um abraço até lá

Augusto

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