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O Poder das Palavras

por Zilda Cardoso, em 09.11.09

 Quando um regime político passa a democrático, o poder das palavras torna-se por de mais evidente. No Parlamento e em qualquer lugar público, é necessário não apenas ter ideias mas saber defendê-las. Por isso, mudança total na educação.

 

 

Com a democracia, na Grécia antiga, surgiram os sofistas, profissionais do ensino de como usar a palavra para convencer, contestar, argumentar, fazer valer a sua opinião. Todavia, a opinião, para Sócrates que viveu na mesma época, é vazia, expressão de conveniência e de paixão.
As opiniões exprimem interesses individuais e de grupos, não constituem sabedoria; cabe aos sábios, denunciar essa falsa sabedoria. Será ele, Sócrates, o homem sábio (ou o seu modelo) – o que sabe que nada sabe para além deste saber. Há uma ironia nesta constatação de ignorância, mas há também a certeza de que é a partir da consciência da própria ignorância que se pode chegar a conhecer. Tudo isto, cada um de nós aprendeu na escola; é conhecimento básico, princípio da filosofia.
Acontece ainda no nosso tempo que os sábios, ou seja os que procuram justificar inteiramente as suas opiniões, acabam derrotados pelos que conhecem a “técnica das técnicas”, a fascinante arte do discurso; e são capazes de persuadir mesmo numa causa injusta.
Interrogámo-nos: como vamos aprender a distinguir…?
As palavras podem enfeitiçar e arrebatar ou envenenar e corromper, têm um poder imenso.
Mas podemos fazer a escolha entre opinião e saber, dizia Sócrates; entre a opinião oca e a filosofia que é conhecimento e pode dar conteúdo e ser juiz de todas as opiniões.
Sabendo que o discurso não informado e retórico pode levar à injustiça e à violência, parece urgente estudar os problemas e, pelo uso da razão que é logos, penetrar na realidade e talvez encontrar a verdade.
E não me digam que já ninguém procura a verdade e a justiça. Não será necessário ir até à logocracia, mas “a ordem, a eficácia e a racionalidade” trarão certamente o que mais se aproxima da justiça que pedimos e a que temos direito. Haverá ainda considerações de outra ordem, já que não somos apenas cabeça e razão mas também coração e emoção e por isso alguma paixão entrará nas nossas resoluções.
(Falarei um pouco de política como dizendo respeito à comunidade dos homens e às relações entre eles).

 

 

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publicado às 09:43


2 comentários

De Vitor Martins a 09.11.2009 às 20:42

Cara Zilda,

Sabe, também a sabedoria pode ser inibidora! Alguns dos meus professores marcaram-me profundamente e houve um que sinceramente.... era quase constrangedor entrar em diálogo com ele, pois o homem era (e é!) um verdadeiro poço 'de sabedoria', sem fundo, note-se! Trata-se do meu antigo Prof. de Filosofia do 5º ano de Direito, Paulo Ferreira da Cunha. Quando o ouvia lembrava-me de Sócrates, pois Sócrates era um velho, frágil, de fisionomia pouco agradável, mas com uma deslumbrante sabedoria. O Paulo F. Cunha, tinha uma barba horrível, era enoooooooorme e movimentava-se pachorrentamente a cilindrar-nos com dissertações, mostrando-nos o quanto ignorantes éramos na N/ humilde existência.
Com ele, só mesmo falar de futebol e coisas assim, em que a ignorância prolifera e aí sim, posso dar-lhe a volta com um drible qualquer!
Como é que se dialoga com um especialista em Camus, em Sartre, enfim, em tudo?!
Por isso… limitava-me a ouvir e a adoptar uma postura angelicamente ignorante como a do carteiro mais conhecido do mundo!
Abraços

De Maria José a 12.11.2009 às 19:30

Querida Zilda,

Gostei muito deste Post , escrito de forma cuidada e esclarecedora, mostra o lado de Alguém que percebe muito do tema! Parabéns!

Maria José

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