
Antes de falar da última etapa da nossa viagem a Itália, gostava de lhes contar quanta satisfação me deu hoje o pequeno passeio na beira-mar-e-rio que neste momento terminei.
O rio é o Douro, a foz é dele.
Contudo, há outra foz, a da Ribeira da Granja no estuário do Douro onde existe um observatório de aves selvagens. Foi aí que me detive.
Tinha querido ir a um sítio diferente do habitual e caminhei pela marginal reabilitada até ao jardim do Calem, junto da ponte de madeira, onde um painel identifica as espécies que se recolhem e se alimentam na Ribeira. A mim, pareceu-me uma água muito poluída.
Na placa de aço enferrujada “cortene”, recortam-se as silhuetas das espécies que ali é hábito serem vistas. Outros perfis de aves muito elegantes de aço inoxidável estão cravados na placa.
É o que dá certa privacidade ao lugar dos dois belíssimos bancos de mármore voltados aos brilhos do rio, em frente do outro painel informativo, identificativo. Soube por ele que a garça-real, a alvéola-cinzenta, a rola-do-mar, a gaivota-de-patas-amarelas, o pato-real, o maçarico-das-rochas, o borralho-de-coleira-interrompida, o guincho-comum e o corvo-marinho-de-faces-brancas se podem observar por ali.
Fiquei encantada com o local e a ideia e vou voltar porque não acredito na imperfeição do lugar, apesar de não haver telescópio para observação meditativa nem aves verdadeiras, o rio estar alto e não ser talvez a época apropriada. E porque um grupo barulhento interrompeu a quietude do sítio.
Porém, muitos e grandes peixes prateados passeavam mesmo na beira da água, de dois palmos de comprimento, que os pescadores não conseguiram enganar, que eu visse e para meu divertimento.
O que fortemente me encanta neste passeio é a frequência com que descubro pequenas novidades que todos os portuenses certamente conhecem; e coisas velhas que enxergo desde que me enxergo, como sejam, as rochas metamórficas, os metrosíderos gigantescos e os choupos negros, o Homem do Leme cada vez mais verde e mais bonito, o Salva-Vidas sempre pronto, Raul Brandão e os seus personagens, o Anjo Dourado na Cantareira, o grupo que lembra a expedição a Ceuta e a frota do Infante, a placa de homenagem “à Grei que lhe deu navios, provisões e nela embarcou”…
E agora o lugar que amavelmente me convida a observar as aves.
(fotos de Fev. passado gentilmente cedidas por A. De Lima, Vantag Foto)