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Que faço com os castanheiros?

por Zilda Cardoso, em 22.06.09

 

 

 

Os castanheiros estão a sufocar-me.

Olho em meu redor e só vislumbro essas árvores de verde-escuro, com flores excêntricas, algumas cheias de minúsculos ouriços, bem protegidos por armaduras picantes. É um exército bem ordenado e pronto para avançar.

Não penso muito nisto.

O que me perturba é que estão a impedir-me de ver para o longe onde presumo que ainda haja aldeias pequeninas subindo a montanha, e capelinhas no alto  (daqui a pouco, ainda este mês, terão as festas anuais), e bosques e clareiras - o que sempre vi da minha janela.

 

 

Das montanhas, que sei formadas por múltiplos pequenos montes e montinhos de curvas e bicos ou picos de muito diversas formas e materiais, recortadas segundo um desenho e um projecto que desconheço, apenas consigo ver o traço final riscado no céu.  

Se não fosse este pedaço de relvado na minha frente e à direita e à esquerda, e o terreiro por trás de mim, no rosto da casa, não veria mais nada senão a beleza inadmissível dos castanheiros próximos.

O que na verdade, limita muito os meus horizontes.

 

 

É certo que os melros surgem e saltitam todo o tempo por aí, procuram alimento e divertem-se, exemplificam... E as flores brancas, amarelas e as azuis dão um ar quase festivo a… Ontem também o pica-pau às riscas brancas e castanhas e quase pretas pulava rente ao chão.

 

 

 

 
 
Todos os dias, os pardais cruzam os ares desde manhã, não emudecem nunca... gostava de saber se a vida lhes corre bem e por que razão… ou se protestam contra tudo… ou se cantam estilo opereta as belezas locais para lá do que acontece.
 

 

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publicado às 19:28


9 comentários

De Marcolino Duarte Osorio a 23.06.2009 às 00:31

Olá, Zilda!

Boa e serena noite!

Quem plantou este belo Souto, sabia que ao fim de 60 anos, cada Castanheiro, renderia bom dinheiro pela venda do tronco. Anualmente, consoante as variações do mercado, as castanhas, sem grande trabalheira também dão algum pecúlio.

Há quase 30 anos, ajudei a plantar um vasto Souto. Árvores pequenas, fragilissimas, guiadas com pequenas estacas. Ano após ano foi vê-las crescer. Foi vêlas dar flôr e fruto. Foi aproveitar as castanhas. Come-las cozisas, assadas e piladas. Foi fazer dos ouriços secos ajudantes dos fogos das lareiras da Mansão nos dias gelas dos Invernos nortenhos.

Das janelas mais altas, da Mansão, avistava-se até ao limite terreno e ficava-me adivinhar o que existiria entre a terra e o Céu que dali me fazia sonhar.

Foram crescendo. Cresceram muito, cresceram livremente, em direcção ao Céu, durante uma ausencia minha de 10 anos.

Faz um ano, no próximo Agosto, que revisitei a ditosa propriedade. Quanta, mas quanta recordação, belissima, desfilou pela minha mente.

Subi aos quartos mais altos da Mansão, para de lá disfrutar o que me ficara na memória.

Corri as cortinas. Abri as grossas e pesadas portadas de madeira. Abri as janelas de vidro. e a realidade ali estava presente, mesmo à minha frente.

Dezenas de copas de velhos castanheiros, formamdo um gigantesco e verdejante souto, magnifico, barraram o caminho ao meu olhar, em busca das vistas de outrora.

Daquelas janelas viradas a nascente, banhadas de luz e calor, desde o nascer do sol, naquele dia estavam banhadas pelas sombras do souto que, só pela meia hora, permitia, ao Rei-Sol, que tocasse a ala nascente da velha Mansão.

Quase 30 anos passados, os Castanheiros ainda estão novos demais. Daqui a mais 30 anos, minha Alma, tranquilamente debruçada a uma das Janelas do Céu, verá, sorridente, qual o verdadeiro destino, que ao Souto foi dado, pelos homens da terra...!

Noite tranquilona, Zilda!

De Joana Freudenthal a 23.06.2009 às 00:54

A minha Mãe falou-me hoje dos castanheiros. Embora não me dissesse o nome, reconheço-os nas fotografias. Descreveu-mos, encantada.
O que faz com os castanheiros, Zilda? Continue a encantar pessoas.
Eu nunca terei palavras para lhe agradecer.
Junto o seu nome ao da Carla, ao da Sofia, ao da Laurinda.
Um abraço muito apertado.
Joana

De Augusto Küttner de Magalhães a 23.06.2009 às 08:36

Mais um excelente post, em que parece termos feito uma visita guiada por todo esse lindo espaço. Vai para um ano, suponho, que a Zilda aqui explicou - o que eu não sabia - de onde vinha a castanha, como era retirada da sua "capa" protectora! Talvez tentar em alguma parte aliviar um pouco a densidde de tanto crescimento das arvores? Mas ficando sempre uma parte para daqui a um ano, nos querer desta excelente form "falar" deste lindo espaço!

De maria a 23.06.2009 às 21:22

Zilda ! Esses "picapaus" tal como os descreve não são picapaus mas sim " P O U P A S " . è uma delicia vê-los nos relvados !!

De Zilda Cardoso a 23.06.2009 às 22:17

Poupa? Com aquelas cores? Muito provavelmente tem razão, eu não devia ter acreditado na neta de 9 anos que me garantiu que era um pica-pau (eu já tinha falado nele neste blogue). Peço imensa desculpa: errei, mas... ninguém acreditou, pois não? Ainda bem que a Maria me chamou a atenção para o caso:fui investigar à Internet e é pelas imagens um "upupa epops", "mencionado na história da antiga mitologia grega, gravado nos túmulos dos faraós e usado como hieroglifo". Tenho muito que aprender.
E também queria ver ao vivo um pica-pau. Uma das imagens que vi na Net mostra um pássaro muito semelhante ao que eu chamei pica-pau a dar de comer ao filhote, instalado no ninho no tronco de uma árvore, tal como julgo que faz o pica-pau.
Muito agradeço à Maria e vou explicar à m/neta, a Mini
que é espertalhona e não costuma enganar-se

De maria a 24.06.2009 às 08:38

Pois é Zilda ! Gostei muito que me tivesse respondido tão rápidamente !! Então diga lá : é ou ão uma poupa - UPUPUA EPOPS - que se passeia pelos seus relvados, normalmente até aos pares, e que têm tanta gracinha ??? É que eu sou de Ponte de Lima e por aqui vejo-as bastante - nos relvados, claro - sempre a picar no chão com o seu longo bico !!
Quanto ao picapau !! Também eu gostava muito de ver um ou vivo . Ouço-os a "picar" nos pinheiros mas ver VER acho que nunca vi . Ou então vi mas não os identifiquei .
Continue a contar-nos coisas do seu dia a dia, da maneira tão interessanta como o faz !! Aprecio a sua filosofia, o seu modo de estar na vida e a forma como a vê. Deixe-nos na blogosfera participar da sua vivencia !! Obrigada .

De Zilda Cardoso a 24.06.2009 às 14:21

Agora gostava de saber que pássaro vi toda a vida em vários lugares, é vulgar, cinzento e branco, muito delicado, com uma cabeça pequena em movimento permanente! Sempre chamei a esses poupas. A cabeça destes tem tb uma poupa e caminham muito pelos relvados, pisando-os muito delicadamente. Têm uma cauda comprida, creio que preta. São muito bonitos. Sabe sobre eles?

De CC a 24.06.2009 às 16:06

Zilda,
Posso meter uma "cunha" pelos castanheiros?
Que fazer com eles? Não faça nada.
O titulo quase remete para uma resposta: o abate.
Mas fiquei cheia de pena e lembrei-me e fui procurar aquele post em que nos diliciou com os castanheiros e a forma como se apanham as castanhas (26 de Setembro). E, mais uma vez, me diliciei com tanta simplicidade e beleza.
Perde a beleza das aldeia que existem, porém, longiquas mas ganha uma beleza natural e próxima.

De Zilda Cardoso a 24.06.2009 às 16:54

Não, nunca, nunca tive essa intenção. Mas pode chegar o momento em que diga: eles ou eu. E evidentemente, eu. Sou eu que vou sair e deixá-los crescer.
Mas tb pode acontecer que seja necessário abater alguns para seu bem, deles. Quando a população é excessiva... Eu julgaria que uma boa poda, podia resultar, aliviando a espessura, deixando entrar o sol que lhes é necessário para uma bos saude... Contudo, dizem os que julgam saber, que os castanheiros não se podam. De modo que... não sei.
Penso que foi cometido um erro: não deviam ter sido plantados com aquela frequência, sim, com mais espaço entre eles. Se a solução for corrigir este erro, está a ver...

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