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É preciso que nos entendamos...

por Zilda Cardoso, em 19.01.09

Procuro estar atenta ao que se passa à minha volta e no mundo. Desde há muito tempo analiso e faço longas reflexões...

Em dado momento, senti que podia ir mais além e partilhar conhecimentos obtidos deste modo. Tento ainda descobrir a forma mais apropriada de o fazer.

 

 

Escrevo fundamentalmente dois géneros de textos: de ficção e de opinião.

Nos primeiros, conto histórias mais ou menos afastadas da realidade, em que, digamos, a verdadeira realidade aparece apenas como evocação. As minhas preocupações são de ordem estética.

Como em qualquer obra de arte, é necessário atrair o leitor ou espectador, sensibilizá-lo, rodeando o tema de flores e de perfumes e de originalidade ou de extravagância. Não devo explicar nada, posso colocar questões mas não tenho respostas, não dou soluções.

Nos segundos, digo o que penso - o que implica analisar, criticar e sugerir.

 

Num caso como noutro, há uma mesma intenção ou, se quiserem, uma quase ambição: deixar os leitores a pensar no que pode ser, ou não, uma visão complexa do mundo.

 

 

Nos textos de ficção, o sentido não é claramente posto, será um sentido "suspenso", como alguém disse, será uma "presunção de sentido". O leitor dar-lhe-á o sentido ou os sentidos que achar adequados.

Nos de opinião, os acontecimentos quotidianos passam a ser "terreno de colheita e de gozo". Tomo partido sobre tudo e comunico-o afectivamente, porque há da minha parte uma "felicidade de escrita" que é também gosto de viver e de partilhar. Manifesto um desejo de alcançar a verdade e, em geral, não crio nem aprecio um clima emocional muito forte: opto pela contenção que levará mais facilmente a um raciocínio lógico.

 

 

Ao pretender analisar o que se passa no mundo, dou comigo a pensar que posso estar a decifrar mal. Pois acontece-me ver com toda a clareza a razão de um qualquer acontecimento e outra pessoa ver com a mesma claríssima nitidez o mesmo acontecimento de maneira diversa a até oposta. E então pergunto-me qual de nós terá a visão mais nítida? Qual percebeu melhor? E... como é que isto funciona?

 

 (Todas estas imagens pertencem ao mesmo mundo)

 

Apesar de tudo, parece-me que, no presente, há uma consciência generalizada de que são necessárias mudanças importantes na nossa maneira de ser e de agir. Temos então que decidir que coisas queremos mudar. Será útil a acção dos bloguistas e de todos os que publicam as suas opiniões (incluindo jornalistas) sobre o que nos e os perturba.

 

Que plano e que futuro poderemos traçar... que seja o nosso futuro e o da humanidade?

 

Se queremos todos, como espero, um mundo livre de ódios e de obsessões, vamos trabalhar para isso, todos e cada um à sua maneira.

 

 

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publicado às 20:21


6 comentários

De pmc a 20.01.2009 às 09:46

que sitio tão bonito .. é uma casa na tailândia ? mas porquê as fotos do terreno árido ao lado das da casa cheia de vegetação florida ?

De Zilda Cardoso a 20.01.2009 às 10:59


Há no post uma frase entre parêntesis que diz:
(todas estas imagens pertencem ao mesmo mundo).
É porque o mundo é assim contrastante, diferente em cada momento e em cada lugar e para cada pessoa, que temos que nos concentrar no seu entendimento. Tentar entendê-lo tal como é.
Se todos os lugares do planeta em que vivemos fossem iguais e uniformes, não precisávamos de nos esforçar muito.
E como queremos que ele seja? Igual ou parecido com o do jardim da Tailândia? Ou como o deserto africano?
Também há as imagens intermédias: numa delas há uns ramos de oliveira, de rasto no chão mas cheios de azeitonas que hão-de ser apetitosas; na outra há restolho que ficou agarrado á terra depois da colheita.

De Laurinda Alves a 20.01.2009 às 11:09

Gostei particularmente desta reflexão, Zilda. Há frases e parágrafos que subscrevo inteiramente e acho sempre muito interessante e desafiadora a maneira como põe as coisas em perspectiva. Até as 'imagens do mesmo mundo', sabendo nós que são dos variados mundos do mundo...
A casa da Tailândia, como o pmc sugere, é muito bonita e conheço o lugar há anos sem fim quando moravam por ali outras pessoas, com outras vidas. Gira, esta sintonia cósmica dos que se conhecem e dos que se reconhecem nos lugares e nas palavras. Muito bom. Adoro vir ao seu blog e ler estes posts , fazem o meu dia! E vivo secretamente a pedir que tenha sempre tempo para escrever! Mas isso já sabe e não preciso de estar sempre a repetir, pois não? Risos e abraços

De Zilda Cardoso a 21.01.2009 às 14:00

Muito obrigada, Laurinda. Sei como tem o seu tempo ocupado em coisas importantes para todos nós. Porém, como sempre ouvi, as pessoas mais ocupadas são as que têm tempo... para os amigos, pelo menos.
Obrigada pelas suas palavras sempre animadoras. Sei que é obamista mesmo antes do Obama e, por isso, o seu lugar no Parlamento Europeu vai ser importante porque as suas palavras animadoras vão ter uma repercussão enorme num grupo gigantesco de pessoas a que até agora não chegavam.

De Augusto Küttner de Magalhães a 20.01.2009 às 14:57

Excelente a focagem que faz neste post, à sua forma de estar sempre tão atenta ao que nos rodeia! E a diferença entre a ficção e a opinião. São ambas importantes, sendo que a primeira descentra-nos de alguns problemas e a segunda concentra-nos nos mesmos, são as duas tão necessárias! Claro que opiniões, apesar de serem mais faceis de dar e até muito mais fáceis de serem escritas, também levam um pouco da nossa forma de estar neste mundo. Por certo a ficção levará outros ingredinetes! Mas a opinião de todos, e não só de uns quantos é cada vez mais necessária! Como é evidente deve ser uma opinião consistente, o que não quer dizer que não possa variar, com os factos, com o tão rápido desenrolar dos acontecimentos. Mas "estas opiniões" são por vezes muito mais necessárias do que aquelas que tantos nos querem impingir, sem termos direito a retorquir!

De VIGUILHERME a 21.01.2009 às 13:57

Apreciei o seu texto ,que me fez lembrar que cada um vê no mundo aquilo que quer ver e aprendeu .... a ver e o que nele projecta de si , todos nós temos um pedaço deste mundo que trazemos com o nosso codigo genetico e que vamos lapidando ,reconstruindo .....com o tempo ,cultura ,educação ,afectos, consigo e com outros com quem vamos partilhando esta descoberta de viver......seja dentro de contextos e cenários simbólicos e ficcionistas , ou seja mais próximos e inter-activos na realidade que envolve nós e outros......estes dois mundos vivem e coabitam dentro de nós e em momentos são explorados e descobertos ,cada um à sua maneira .....na imagem apreciei a parte assotatada da casa de pedra e tijolo bem ladrilhado como a vigia de um barco a descortinar o horizonte,em permanente busca .......o outro lado da imagem é a terra onde tudo tem as raízes ,os alicerces ....e fomenta ,alimenta e potencia os seres na visão e na criação para novos mundos de dentro e fora ......obrigado Zilda por este texto e momento seu de reflexão que potencia outros .......

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