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A GALERIA VANTAG

por Zilda Cardoso, em 26.11.08

 

 

 

 

Jotacê pediu-me para contar a história da Galeria Vantag numa dúzia de linhas.

Poderão ser duas dúzias de linhas, vamos ver.

No fim da década de 80 do século passado (naturalmente), a Pintora Elvira Leite e eu tivemos a colaboração importante do meu filho Jorge Nuno e da sua empresa de intermediação de seguros para a criação de uma galeria de arte naif. 

A Galeria ficou instalada numa sala, eventualmente em duas, do seu escritório da rua Júlio Dinis, no Porto. Durante pelo menos dois anos expusemos loucamente: de 15 em 15 dias, inaugurávamos uma exposição nova. E elas foram-se sucedendo, já que esses artistas ansiavam expor e nunca tinham encontrado um local acolhedor e apropriado para os seus trabalhos.

Mostrámos pintura, escultura cerâmica, barcos de madeira, jóias, tecelagem e confecções artesanais, bordados, objectos resultantes de aproveitamento de peças de ferro de sucata, e tantas, tantas outras obras. Eram exposições muito bem sucedidas e aos jornais também interessava dar notícia delas. Saliento o êxito popular da primeira de jóias de Ana Fernandes, encantadoras e muito novas, executadas com materiais invulgares - galões antigos, botões, fivelas.

 

 

 

Quando a Vantag Seguros mudou de instalações, fomos com ela para o Edifício Aviz, mas decidimos mudar de rumo. Começámos a expor design contemporâneo para decoração de interiores e pintura de recém-formados pela Escola de Belas Artes.

O nosso objectivo principal foi a divulgação do design português.

Pedimos projectos a arquitectos e a designers (Álvaro Siza, Alcino Soutinho, Souto Moura, Pedro Silva Dias, Ana Campos e muitos outros) para peças de mobiliário, para tapetes e candeeiros, para objectos úteis e de decoração que foram realizadas com materiais do país (madeira, ardósia, mármore, granito, verga e vime, vidro, prata, lã) por processos artesanais ou semi-artesanais. Foram as chamadas peças de autor em que pretendemos ver qualidades poéticas.

 

 

 

Expusemos e fizemos montras durante dez anos das obras que editámos, não apenas no nosso espaço mas também em Lisboa na Sala do Risco, colaboração da C.M.L., no Mercado Ferreira Borges, apoio da C.M.P., em Vigo na Casa da Cultura, em diversas feiras internacionais e em Bruxelas com o apoio do I.C.E.P.

Do mesmo modo, importámos de Itália, da Finlândia e de outros países, e vendemos no nosso espaço - agora uma grande loja no Edifício Aviz - objectos dos melhores designers internacionais em simultâneo com aqueles editados por nós.

 

 

 

 

Fizemos uma divulgação sistemática do melhor design. E se bem que a Vantag possa agora estar um pouco esquecida, considero que cumpriu muito bem o seu papel de pioneira na divulgação do design português, o que era o seu principal objectivo.

Constatamos que houve uma mudança de gosto na escolha de peças de utilidade e de decoração  e, duma maneira geral, nos objectos que nos rodeiam. O que me leva a pensar que conseguimos recrear a antiga relação simbólica entre o objecto e o seu utilizador.

 

 

 

 

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publicado às 14:08


3 comentários

De Jotacê a 26.11.2008 às 18:21

Boa! Vai servir para a nova página www.vantag.com que embora esteja agora centrada na fotografia terá sempre uma secção dedicada aos capítulos anteriores da vida da Vantag.
E um que gostava de realçar (na fase design) foi a colaboração na Europália em Bruxelas!
Na primeira fase (arte naif) destaca-se claramente o fantástico Isabelino.
Na fase dedicada à arte recordo a exposição de esculturas de Marga Crespo, dando assim um carácter internacional ao lote de artistas escolhidos.

De Augusto Küttner de Magalhães a 27.11.2008 às 16:00

Muito interessante a ideia primeira e a parte subsequente! Por certo terá sido um projecto aliciante, e que mesmo já não sendo o que foi, terá cumprido os seus designios!

De Primavera a 27.11.2008 às 18:35

Mto me orgulho de ter acompanhado e vivido a história da Galeria Vantag .
E é para mim uma honra fazer agora parte do novo projecto :))

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