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Viagem ao Alentejo

por Zilda Cardoso, em 17.11.08

 

Preparamo-nos durante horas, fazendo sacos e saquinhos para dois dias fora de casa com uma caçada pelo meio. Caçada a perdizes inocentes que se vêem envolvidas sem quererem num combate desigual. Escrevi imenso durante anos sobre o meu desgosto de caçadas. Não é esse o meu propósito hoje.

Na realidade, fui com gosto, como acompanhante, para rever amigos e para passear por terras, para mim, não muito conhecidas.

Voltando um pouco atrás… Enchemos o carro com bagagem sem fim. Começámos bem cedo, porque queríamos chegar com dia. Pusemos o cinto logo, ao contrário do costume, mas  tudo devia estar dentro das regras para que corresse pelo melhor no melhor dos mundos.

E quando ele rodou a chave da ignição, o carro fez um estranho ruído.

“Que esquisito”, diz, “já ontem à noite, depois que meti gasolina, fez um ruído semelhante.”

“GASOLINA! Será que meti gasolina em vez de gasóleo?! “

O motor continuou a fazer um barulho cada vez mais duro.

Tinha sido isso mesmo.

Foi um desmoronar… um desacreditar... Tinham sido 51 litros: gasolina de mais para um motor não preparado.

- Como vamos fazer? O que acontece...? O que pode acontecer? pergunto eu.

“Não anda!”, responde ele. “Não funciona enquanto lhe não tirar o combustível errado.”

- Que complicado e que demorado. Então vamos no meu, abandonamos este.

Tivemos que retirar do carro toda a tralha ali colocada criteriosamente na mala pequena e nos bancos de trás e por baixo dos bancos (não imaginam a quantidade de utensílios necessária para uma caçada). Estivemos uma hora naquela mudança, inquietando-se ele excessivamente em descobrir por que razão tinha feito aquilo. Nunca se perdoaria uma falha destas, nunca.

Começámos a viagem desmoralizados, mas decidimos, ainda antes de chegar à Ponte, contar-nos umas anedotas bem divertidas, e rir como bom remédio – o que funcionou.

Chegámos ao fim da tarde e fomos recebidos pelos amigos de lareira acesa e copo de vinho branco fresco ou tinto mais caloroso. Muito aconchegados naquele calor, quase esquecemos o incidente.

 

 

 

Para o jantar, estava preparada uma surpresa: as senhoras foram convidadas a ficar numa mesa redonda, um degrau acima do nível normal da maior parte do pavimento do chão. E os homens... a ficar numa grande mesa rectangular na mesma sala um degráu abaixo.

Eu apenas perguntei - por quê? A resposta não foi satisfatória e eu continuei a interrogar o anfitrião amavelmente responsável.

Na verdade, todos sabiam por quê. Eles queriam discutir política, situação financeira, corrupção em termos sérios e nada amáveis, de modo que entenderam muito bem que as mulheres, se bem que muito interessadas, não estavam dispostas a estragar o convívio e o jantar com temas e termos corrosivos.

Elas têm uma sabedoria que eles não atingem!

Talvez nunca venham a saber o que perderam. Divertimo-nos todo o tempo com histórias engraçadíssimas, rimo-nos em abertas gargalhadas enquanto eles sorumbáticos continuaram a discutir sem qualquer resultado os seus temas predilectos, aparentemente, muito masculinos.

 

 

 

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publicado às 11:17


4 comentários

De KI a 17.11.2008 às 14:27

Gostava de fazer um blog exclusivamente dedicado a este Natal, conto com a sua presença num post que poderá enviar para trapezista@sapo.pt. Poderá tb convidar alguem q deseje.
Serão publicados a partir de 1 de Dezembro até dia 25 do mesmo mês.
Obrigada e Boas Festas.

KI


[Um conto de Natal?]

De Zilda Cardoso a 17.11.2008 às 15:18

Agradeço lhe o convite, farei o possível. Mas não tenho a certeza de conseguir. Sim, sim, vou tentar.

De Augusto Küttner de Magalhães a 18.11.2008 às 16:29

Muito curiosa a forma como nos conta este dia! Isso da troca de combustiveis, é demasiao comum, mas é uma tremenda maçada, e um desperdicio de dinheiro...
Quanto ao resto, a separação por genero para eles falarem "mais a sério" e elas "mais a rir". Em todos os campos, por certo ficaram eles a perder!

De candida a 09.12.2008 às 23:52

que rica vida!

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