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Reflexões Luminosas

por Zilda Cardoso, em 30.09.15

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 Imagem da Internet

 

Quero compreender o que se passa comigo. Disponho-me a reflectir com tranquilidade e bom senso sobre recentes acontecimentos da minha vida e não cheguei a muito claras conclusões. Não esperava chegar, não me perturbei. O que queria compreender era se podia, movimentando-me tanto quanto possível, o mais possível, física e intelectualmente, se podia evitar ou, pelo menos, adiar ao infinito o desgaste total das minhas capacidades, seja, a capacidade ou a possibilidade de ter uma vida simples e normal por um tempo, como vi acontecer com os meus pais e avós.

Tenho tentado essa movimentação com veemência e também a tão cómoda indolência contra a qual facilmente reajo. Acontece resistir com tanta força à inercia que fico aturdida, a desejar não pensar tanto, não decidir de mais, não planear, não desenvolver, não correr nem saltar nem fazer ginástica a despropósito…

Porém, o movimento mesmo aparentemente insólito põe-me bem-disposta, melhora os meus desempenhos, por isso, deve ser bom para mim. E para o universo. No entanto, receio descompor e queimar alguns dos meus preciosos fusíveis (da cabeça, naturalmente). Receio que o meu sistema de computorização, pessoalíssimo e intransmissível, tão complexo já, avarie para sempre. Não suporte tanta carga.

Aí, resolvo ficar quieta e silenciosa, não me importar com o que se passa à minha volta, comigo e no mundo. Penso que já fiz tudo o que devia fazer, o que se esperava que eu fizesse. E se, por momentos, me parece ter algo para acabar, aconselho-me a considerar isso terminado. Ter que concluir alguma coisa é um total absurdo. O comum é deixar as nossas empresas inacabadas. E estou a elogiar o inacabado.

O principal seria encontrar o ponto exacto, o momento em que devo parar de me mover ou de estar quieta, porque atingi o limite, a fronteira, o arame farpado, o fosso… sob graves consequências se o não fizer. Aquele momento em que tivesse atingido o ponto certo… (que ponto certo? Certo em relação a quê?)

Quando trabalho comigo, quer a movimentar-me quer a estar quieta, sinto que cresço. (Posso estar quieta e a pensar e então cresço de um modo mais ou menos conhecido). Acho que depois de uma boa reflexão sobre determinado assunto, passo para o nível seguinte de inteligência e de compreensão do mesmo. E meto-me a raciocinar doutra maneira. O entendimento do que se passa à minha volta será mais perfeito. E se continuar neste caminho, daqui a pouco, estarei um génio e o sentido do mundo… será claríssimo para mim. Apenas gostaria de o explicar depois, desconheço os termos.

Por isso e, no entendimento de que não volto a ser o que era depois de certas agitações e estímulos, mas que de certeza melhorei em relação ao que podia ser se não continuasse a esforçar-me, tenho continuado... Os meus esforços seguintes partem de altos patamares e vão-me levar longe. Deixarei considerável obra feita!

Os meus raciocínios mais recentes terão assimilado os novos comportamentos. A capacidade de entendimento ou habilidade para entender aumenta em simultaneidade com a qualidade da inteligência? São interdependentes? São a mesma coisa?

Na minha natureza terá havido uma evolução que a capacidade de entendimento compreenderá se correr um bocadinho à frente?

A evolução, a transformação que ocorre continua a melhorar a natureza, compreendo. É aperfeiçoamento.

Tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos.

(Não posso deixar de pensar nas definições possíveis e diferentes das palavras que uso, como inteligência, por exemplo).

 

 

 

 

 

 

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publicado às 13:17

Feira do Livro do Porto - Palácio de Cristal 2015

por Zilda Cardoso, em 15.09.15

A Feira do Livro do Porto tem este ano um interessante programa de actividades: concertos, cinema, debates, exposições, leituras, oficinas… Homenageia-se Agustina Bessa-Luís como escritora de génio entre 4 a 20 de Setembro.

Ontem fui assistir à apresentação de um livro pouco conhecido de Agustina de que foi feita uma nova edição - Crónica do Cruzado Osb. Vou gostar de o reler tantos anos depois da sua primeira publicação e minha leitura em 1976, apenas alguns meses após a Revolução de Abril.

Pedro Mexia apresentou o texto como uma reflexão sobre a revolução portuguesa que Agustina tenta perceber. Não é uma revolução abstracta mas uma que está a acontecer, é seu e nosso privilégio poder reflectir sobre ela como um acontecimento. É vista como uma libertação, mas a liberdade é uma qualidade do espírito, não resulta só da luta de classes. Talvez tivesse havido uma revolução pessoal para alguns de nós, para muitos de nós; a reflexão sobre a revolução real pode ter-nos dado uma visão antropológica do acontecimento que foi nitidamente ostentatório.

Vou ler o livro.

Saí do Palácio e desci à marginal do rio para regressar a casa. Passavam por mim os carros a toda a velocidade, buzinando com quase fúria sem pensarem por que razão aquela estrada da beira-rio era tão estreita, deixava tão pouco lugar para a circulação automóvel. Era assim para que pudéssemos gozar a beleza do sítio, agora, enquanto somos vivos e sabemos fruí-la.

“Se têm pressa, vão pelo centro da cidade! E deixem a beira-rio para os apreciadores! Depois de mortos não venham ensombrá-la!” - gritava eu sem que alguém me ouvisse.

Não venham como fantasmas, não os queremos. Este é um lugar de sol e de reflexos brilhantes, de cores vivas e de suavidades, de verdes apetitosos e de dourados, de azuis, de prateados…

Não venham como sombras!

Tenho de fixar este cartaz em todas as entradas deste caminho marginal.

 

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publicado às 17:54

Hungria exemplar: agora somos todos europeus

por Zilda Cardoso, em 12.09.15

(Uma memória)

Há dias, estávamos na Hungria com o exército totalmente destroçado.

A Casa de Habsburgo, por virtude de acordos e casamentos, recebeu a coroa da Hungria em 1526 e manteve-a até ao final da 2ª Grande Guerra. Mas o sul do país tinha sido conquistado pelos turcos que continuaram até 1556 a sua expansão para norte.  

Quando tomaram a capital, a Hungria ficou dividido em três:

1º- a Hungria Real constituída pelas actuais Eslováquia, Transdanúbia Ocidental, Burgenland, Croácia Ocidental e parte do Nordeste Húngaro que passou a ser uma fracção do Império de Habsburgo;

2º - a Transilvânia que ficou independente, um principado, mas vassala dos turcos;

3º - o Centro da Hungria, o que é hoje a República da Hungria, com a capital Buda, que permaneceu província do Império Otomano.

Surgiu uma questão muito importante: o território húngaro tornou-se lugar de múltiplas religiões. De resto, nunca houve apenas um culto religioso. A Transilvânia tornou-se calvinista, o fragmento pertencente aos Habsburgos era cristão e contra-reformista, havia muitos judeus nas cidades e no território ocupado pelos otomanos instalaram-se numerosos muçulmanos.

Porém, entre 1686 e 1699, forças cristãs chefiadas pela Áustria reconquistaram a Hungria para os cristãos, de modo que em 1716 não havia turcos no reino da Hungria.

Bratislava, presentemente na Eslováquia, tinha-se tornado a capital do que restou do reino durante a ocupação turca e depois até 1784 foi o lugar da coroação dos reis húngaros e sede da Dieta Húngara. Entretanto houve rebeliões contra os Habsburgos e contra os católicos, a última organizada por Francisco II, escolhido pelo povo como futuro rei da Hungria independente. A revolta foi esmagada e muitos castelos demolidos pelos austríacos.

O século XVIII foi de reconstrução e as áreas devastadas foram repovoadas com imigrantes da Áustria e da Alemanha, das actuais Eslováquia e Roménia e da Sérvia.

Acho que a Hungria foi permanentemente retalhada e reconstruída, reconstruída e retalhada e os territórios jogados, sucessivamente ganhos por uns e por outros, perdidos por alguns e por todos, como se os territórios não fossem habitados por povos, por pessoas, mas por dados. Ou por pedaços de papel lustroso, como nos mapas, com formas estranhas e cores e recortes e relevos que os tornam atraentes e desejados. Ou como se uma pessoa que hoje é húngara e amanhã é alemã, e depois é checa ou romena, volta a ser húngara ou croata e depois turca… pudesse viver bem com isso, alegremente, como se nada se passasse e pudesse não sofrer as deploráveis consequências.

Estamos no presente no bom caminho - somos todos europeus e amigos, os europeus, povos sem fronteiras e com interesses comuns, mesmo que com culturas e línguas diferentes, e circunstâncias e histórias de vida e educação distintas. Não vamos nunca mais guerrear-nos.

Assim nós queiramos.

(Informações sobre a história da Hungria colhidas na Internet e na obra Mil Ans d’Histoire Hongroise, editada por István Tóth)

 

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publicado às 12:20

varanda de ver-o-mar

por Zilda Cardoso, em 12.09.15

Quase esqueci agradáveis sensações

vividas nesta varanda de ver-o-mar,

tantos dias a experimentar outras.

 

Regressei. Não sinto como antes

aquele gosto salgado/doce

a paz nem o silêncio do lugar

a música das estrelas que caíam                                                 

e dos movimentos de asas ao passar.

 

 Depois do que aconteceu comigo

ou em mim e no mundo

de tanta dor e de incompreensão

de  enormes queixas sem motivo 

e de injustificada infinita aprovação.

 

Mínimos feitos são alongados

e os grandes depreciados

porque o Homem continua a ser a estranha

medida  de tudo que acontece.

 

 

Nada voltará a ser como antes, penso com tristeza.

Envelheci nestes dias. Já não encontro beleza na cor do céu

no desenho das nuvens brancas nem na espuma

das ondas que quebram nas rochas

velhas muito muito pré-históricas,

ou se desdobram na areia castanha e gorda.

 

Havia uma ilha de luz aqui, um azul acolá,

um dourado mais além… e um barco

na manhã rosada… ou ao fim do dia

num silêncio deslumbrado…

 

Nada voltará como não volta.

Apenas desejo recordar o que era antes.

 

 

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publicado às 08:24

À noite e de manhã

por Zilda Cardoso, em 02.09.15

DSC01004.JPG

 

 

 

Ficarei ao sol até à noite  

na minha varanda em frente ao mar

olhando brilhos e os mil tons de azul

do infindo ondulado diagonal,

 

Sentindo o calor que é carinho deles.

O dia passa lento e preguiçoso no Verão

encosto-me às almofadas amarelas macias.

 

Ficarei aqui com as plantas perfumadas:

a cidreira, a erva-príncipe, a hortelã

para a infusão da manhã.

E a avenca que vejo afortunada

no lugar achado por mim na sombra

contente por ela estar viçosa e fresca                                            

felizes ela e eu assim ridentes.

 

Talvez fique ainda depois do sol se pôr

um sol enorme que ilumina o mundo em redor.

Mas quem me fará companhia?

 

É que a noite esconde tudo isto que amo

e me envolve, com que vivo e me jubila

leva-me o brilho da água azul, o calor,

o dourado do horizonte, a luz, as velas brancas…

 

Virá o vento? O nevoeiro? Ou as ESTRELAS?

As estrelas, decerto. Alguma cairá na varanda devagar…

 

Vou ficar. Amanhã estarei neste sítio

quando o sol passar e eu puder ver

desde o princípio os barcos brancos                                                                                                                    

e os coloridos do céu reflectidos no mar.

 

Voltarei a ver os pássaros em bando para nascente

mas não preciso conservar memória de hoje…

porque amanhã será um dia não diferente.

DSC01018.JPG

 

 

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publicado às 11:33




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