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blogs.Saramago

por Zilda Cardoso, em 17.09.08

 

Apreciei saber que o grande escritor tinha aderido ao bloguismo. Vai ser agradável lê-lo, todas as manhãs, especialmente se publicar cartas tão amorosas como aquela com que iniciou o seu blog.

Lisboa terá ficado desvanecida.

Se enveredar pela política, não é tão agradável,  mas serão sempre textos literários escritos por quem sabe escrevê-los.

Parece que não gosto de política, o que é absurdo.

Política, segundo o dicionário comum, é a ciência ou a arte de governar uma nação,  diz respeito a todos os que a constituem.

Não quero excluir-me da nação, desta. A política interessa-me, interessa-nos a todos, já que respeita a organização da sociedade a que pertencemos.

É uma coisa muito complexa.

"Os homens, a partir de um caos absoluto de diferenças, organizam-se segundo comunidades essenciais e determinadas", diz Arendte.

Pois, se temos que viver em comunidade e em reciprocidade, organizamo-nos. A política pode ser a orientação de quem nos orienta, de quem governa, a orientação do governo da nação. Não pode interessar apenas os governantes, não deixamos que isso aconteça ou volte a acontecer.

O que não é agradável é a politiquice, o pouco escrupuloso, o politiqueiro reles - o que abunda.

Prefiro manter-me afastada disso, por mim não falarei de política senão para tentar compreender qual a orientação que melhor cumpre o interesse de todos.

Tenho a certeza que José Saramago nos vai deliciar com belos textos originais e poéticos, afáveis, indulgentes e bem-humorados.

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publicado às 21:55

Onde está a felicidade?

por Zilda Cardoso, em 16.09.08

 

É um título de Camilo Castelo Branco.
Recordo-o sempre que a pergunta me surge e me perco na procura do conceito de felicidade... que foi o que aconteceu ontem nesta beira-mar-e-rio. E pensei como nos podemos sentir bem com a beleza deste pôr de sol e a amenidade do clima. Temos mesmo a possibilidade de deixar de ouvir o ruído intenso dos inúmeros carros que circulam em permanência (não será possível fazê-los passar por outra via?)
Mal cheguei de três dias de intenso trabalho algures, saí para comprar a revista LER que só encontrei a alguns quilómetros de distância. Se fosse noutro sítio, este caminhar ter-me-ia cansado muito.
Encontrei a revista e voltei pelo lado oposto às esplanadas e… sentia-me feliz. Observava e via diferenças entre as cores que tinha presenciado num dia da semana anterior, à mesma hora, o sol prestes a mergulhar no mar, cor indefinida próxima do fogo, da laranja, da cenoura, de nada disto, que disparate, era única a cor e aparecia por entre rasgões de nuvens brancas logo acima da linha do horizonte. E o mar reflectia esses tons nos seus brilhos em movimento constante e tranquilo.
Ontem era de um dourado mais pálido, reparo que nenhuma destas palavras dá ideia daquela beleza, e que nem sequer me entristeço por não encontrar a palavra certa. O que quero dizer é que estava feliz.
Então ouvi chamar por mim, alguém que corria em sentido contrário, do outro lado da rua. Eu não percebia quem era porque a figura estava em contra luz, mas descobri que só podia ser a minha amiga Daniela, acenando vivamente e clamando o meu nome. E continuou a acenar, a acenar depois de passar perto de mim, voltada para trás e sem parar de correr com o seu grupo.
Tinha conversado com ela alguns dias antes e preocupara-me a sua desilusão, a sua solidão, a sua tristeza. Desejei ter meios de a ajudar.
E voltei a pensar na felicidade que é desfrutar deste ambiente, desta serenidade. E amanhã? Se chover amanhã ou fizer um vento desesperado, ou um nevoeiro que me impeça de ver para lá de um palmo… estarei infeliz? Serei infeliz? (Há em Português esta nuance entre ser e estar que facilita muitas reflexões).
Não pode ser só isto a felicidade, não acredito que seja tão dependente das circunstâncias, há-de ser uma coisa mais profunda. E fui procurar ajuda no livro Le moine et le philosophe.
Ricard diz que a felicidade não é uma sensação, é uma plenitude que se atinge quando se dá um sentido à existência e quando se “está em conformidade, em adequação perfeita com a natureza profunda do seu ser”. Ricard continua por mais de uma página a tentar explicar...  Mas retenho aqui por agora apenas a ideia de que a felicidade implica conhecimento (que eliminará a insatisfação que nos domina) e altruísmo, amor e compaixão (já que há aqueles que nos rodeiam e sofrem).  

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publicado às 08:05

Antes que seja Inverno

por Zilda Cardoso, em 14.09.08

Vamos deixar a discussão sobre a Europa para o próximo Inverno e, apliquemo-nos a gozar este fim de Verão como ele merece. Sem furacões, sem inundações, sem...  nenhuma dessas tragédias que acontecem em sítios certos no mundo em épocas determinadas.

Gostava de falar do sol que a esta hora inunda o campo em redor de mim, enquadrado pelas montanhas ao longe e a toda a volta, umas com a brilhante claridade pela frente outras que a terão  daqui por umas horas.

Calculo que posso escrever pouquíssimo, porque este computador tem estado muito mal disposto - o que é cada vez mais frequente. Devo aproveitar estes intervalos, que são uns sorrisos dele, e escrever rapidamente.

Reparo que o sol brinca com as folhas dos castanheiros, joga continuamente com elas, faz que reluzam de acordo com  a ligeira brisa e com a música que elas dançam e eu oiço. E escuto a outra da água sobre a água no tanque e a dos pássaros que cantam por aí, e aquela do longe que de vez em quando inclui um cantar de galo esganiçado...

Fico feliz por me ser dado partilhar e gozar isto a partir duma janela que se não abre para o vazio. Por dentro da janela, tenho a música americana brincada e tlintada pelas vozes das irmãs Andrews.

Hoje não me zangarei com nada, não tenho esse direito.

Subindo o olhar para o azul intenso que preenche o resto do espaço que vejo e o que vislumbro, e que me vêem vê-los, penso que é azul sobre outro azul e outro e outro, e que esta cor só pode ser a dos olhos da minha Mãe na sua profundidade. E não há mais nada senão a transparência azul que é deles e deste espaço.

Tudo isto que é barbaramente simples tem para mim um eloquente significado simbólico.

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publicado às 15:48

Para a Europa, com amor

por Zilda Cardoso, em 10.09.08

 

Vivo no Porto, interesso-me pelo que se passa nesta cidade. Mas esta cidade está situada em Portugal, na Europa, no hemisfério norte, na Terra, num sistema solar, algures no Universo.
Por isso, tudo o que ocorre naqueles lugares que, para mim, são apenas um, é importante. 
Muito especialmente me apaixona o tema Europa.
A Europa foi o lugar onde tudo aconteceu – os descobrimentos, as invenções, a ciência, as grandes obras de arte e de arquitectura, de literatura, de filosofia...
Foi esse lugar.
Sofreu nos últimos séculos grandes transformações, não apenas desde a revolução industrial mas já desde que os Gregos fizeram o seu milagre.
Continua a ser o centro das atenções. 
Sempre achei que Portugal pertencia à Europa, mesmo quando se dizia que estava de costas para ela. Recordo um grande mapa em casa de meu Pai, representando uma Europa de imagens simbólicas, quero dizer, sobre cada país havia o seu símbolo nacional, em geral uma figura de jovem soldado bem ou mal equipado conforme era ou não favorável à política alemã. A Rússia era uma aventesma, coisa masculina e feminina, completamente selvagem com um pau na mão, descalço, vestido largo, talvez vermelho, pêlos nas pernas. Em contrapartida, Portugal, voltado para o Atlântico, era um soldado muito aprumado e com uma bela arma ao seu lado direito.
Estava tudo errado naquele mapa ou exagerado como era natural num folheto de propaganda.
A Europa terá sido uma associação de povos com elementos comuns que são a base das diversas culturas nacionais. Havia a “religião cristã, a lei, a cultura humanista e diversas tradições nacionais”.
“Estás a dizer uma data de asneiras”!
Talvez, mas diz lá tu melhor. Conta a verdadeira história.
“Conto. Escuta…”
Pois, estava a falar comigo mesma. Não posso tratar ligeiramente um tema tão importante. Tenho que ler Eduardo Lourenço e alguns outros. E devo reflectir.  Devo pedir ajuda aos meus novos amigos bloguistas para que me digam se a Europa existe ou se é apenas mito.

«A princesa Europa nasceu no mediterrâneo e era filha de Agenor, o rei fenício de Sídon, segundo os mitos gerados nas cidades que se levantam de um lado e do outro do Mar Egeu. Zeus, o rei dos deuses, tinha-se apaixonado loucamente por ela.

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publicado às 15:53

O pássaro de peito cor de fogo

por Zilda Cardoso, em 08.09.08

 

Atirava-se repetidamente contra o vidro da porta da varanda e eu pensava que tinha tristes ideias sobre a vida que lhe era dado viver. E queria... não... bater com a porta, mas bater-se contra a porta, chamar a atenção. E despedir-se.

Estava farto. 

Vi várias vezes em verões passados, pássaros atirarem-se com violência contra os vidros e morrerem pouco depois, pescoço partido.   

Colámos pássaros negros de papel nesses vidros, medonhos, e os verdadeiros receavam-nos tanto que se não aproximavam. E deixaram de morrer por ali.

Este peito cor de fogo era meigo e raspava-se docemente contra o vidro, sem violência, bicava-o com ligeireza, insistia durante horas. Desaparecia e voltava daí a um pouco com as mesmas manobras.

Na verdade, fazia um longo intervalo entre duas dessas prolongadas sessões. A segunda era ao fim da tarde, à hora de jantar.

No dia seguinte, voltava,  repetia tudo. E no outro dia e no outro.

Depois desapareceu de vez.  

Hoje, porque se foi, espreitei o vidro da sua preferência, todo manchado, embaciado com longas estradas a todo o comprimento e mínimos restos não sei de quê. 

Pensando melhor, ele devia vir almoçar e jantar minúsculos insectos, as moscas pousados no vidro. Até que se aborreceu de moscas.

Ou então o belo pássaro cor de fogo queria simplesmente visitar-me, entrar pela casa dentro e cantar para mim trinados tão ardentes como a cor do seu peito.

Queria falar-me de amor e...

Eu não percebi.

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publicado às 08:15

POR... QUÊ?

por Zilda Cardoso, em 07.09.08

 

Pouco a pouco, estou a transferir a minha vida para os escritos - passarão a ser a minha vida.

Por isso, eles são importantes; por isso, devo ter cuidado com o que escrevo.

Às vezes, deslizo, e a coisa não sai muito bem. Mas a vida é assim mesmo, está aí e eu não posso "fingir que não existe" (ouvi isto nalgum sítio ou fui eu que inventei?).

Sinto-me bem no labirinto, procurando soluções para mil problemas, procurando a verdade que não encontrarei.

Porém, não desisto.

Se algum dia a encontrar, digo logo, nestes meus escritos on line. Porque tenho a tentação de ser útil. E calculo saber que a sabedoria, não vem tanto com a inteligência como com a experiência de vida, e, nessa ocasião, terei muita.

Também acho que continua a haver lugar para a filosofia como reflexão e para o espírito inventivo. Para o que chamam a arte da inteligência.

Sabemos que o que interessa é perguntar, não é verdade? A sabedoria estará aí -  na procura da verdade e na procura do amor que serão constantes da nossa vida. A inteligência está na pergunta, a resposta é sempre uma tentativa de resposta, uma procura.

Tenho um sonho, poderei dizer. 

Neste momento em que estou a iniciar uma nova forma de comunicar, o meu sonho é que estes meus escritos sejam estimuladores de opiniões várias e bem fundamentadas e de amizade entre todos nós.

Tenho esperança de que, neste momento, este seja o meio mais adequado.

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publicado às 08:50

As luzes da bruma da manhã

por Zilda Cardoso, em 06.09.08

 

imagem de JN

 

 

Há os que não sentem

o apelo do transcendente

que "vivem" num lugar determinado

que não estendem o olhar para o longe

que não procuram "um país inocente".

 

Trabalham de olhos na terra

e não têm tempo

não sabem o sabor do sol

não conhecem os nomes

que falam de amar

não gritam, não cantam

não se despem nunca.

 

Não vêem as uvas em cachos verdes

na ramada, a frescura do vento

 o espaço dançando aberto e cheio

de perfume de algas e de mel do favo

não vêem as luzes da bruma da manhã

pousadas nas árvores ou a boiar  na água

não ouvem a vibração do mar distante

não procuram captar o nada

o centro imóvel do mundo

o secreto absoluto.

 

Nada sabem de eterno retorno

de formas, de palavras tão leves

que não magoam o silêncio

não se sentem nunca respirar

em uníssono com o Universo.

 

 

Insensíveis às presenças intocáveis

trabalham de olhos na terra

vêem apenas os vermes, os buracos

as pedras escuras, as ervas secas

e o que está por fazer.

 

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publicado às 07:54

Sabedoria antiga e moderna

por Zilda Cardoso, em 05.09.08

Há dois conceitos na filosofia budista que aparecem frequentemente na fala e na escrita dos seus pensadores: humildade e compaixão.  

Pensei que era irrealista estar a recomendar, entre nós, estes estados de espírito. A cultura ocidental impõe a procura do sucesso, do pódio, das medalhas e para isso é necessário não ser humilde, não ter compaixão.

Não via conciliação possível, se bem que essa forma de sabedoria tão antiga seja cada vez mais bem sucedida no Ocidente.

Quis aprofundar o assunto, li alguns livros.

Le moine et le philosophe, resultou de conversas entre o filósofo francês Jean-François Revel e o seu filho, doutor em biologia, monge tibetano, Matthieu Ricard. O objectivo é esclarecerem o que é o budismo exactamente, e como é possível que desperte tanto interesse num contexto, no seu todo, desfavorável.

E lá encontrei resposta para as duas velhas questões que me preocupavam.

Ser humilde não é sentir-me inferior, mas libertar-me da importância de mim (talvez para regressar a um estado de simplicidade natural).

E compaixão é um estado de espírito não violento, não ofensivo, não agressivo em que há respeito pelo outro, sentido de responsabilidade e de compromisso.

Tenho capacidade de confrontação e mesmo de represália, mas decido não agir dessa forma: isto é ser humilde e usar de compaixão.

Talvez afinal seja o momento bom para mudarmos os nossos hábitos mentais.

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publicado às 07:54

Ariadne e Carolina

por Zilda Cardoso, em 04.09.08

 

 

 

 

 Foto de JN

 

Convivi com o Salvador, há algumas semanas, durante aqueles dois famosos dias de que tenho falado. Já o conhecia através do Pedro que  me falara dele na ocasião em que o seu livro biográfico foi publicado, e mais tarde, pela entrevista para a RTP.

Ele é exactamente o que lá transparece de melhor.

Mas sabemos agora que há mais jovens que sofreram acidentes que lhes deixaram mazelas físicas muito graves, e que prosseguiram a sua vida com novos objectivos. Procuram realizar o seu sonho que pode ser o de ajudar outros a realizá-lo, criando instituições de solidariedade e sendo exemplo de energia, de persistência, de amor pela vida em todos os momentos.

Vimos que são pessoas afáveis, que foram levados a compreender de forma excessivamente dura que havia que ver o mundo "com bons olhos", porque esse era o seu mundo e não podiam e não queriam estar zangados com ele para sempre. Não culpam ninguém dos seus problemas e isso deixa-lhes a cabeça livre para reflectir sobre os verdadeiros problemas.

E surge a Carolina de quem eu queria falar, namorada e enamorada do Salvador, que para mim é uma Ariadne, sorridente e carinhosa, doce e bondosa. É ela que segura o fio que lhe permitirá, a ele, vencido o monstro, encontrar a saída do labirinto. Discreta e ligeira, não impõe a sua presença como essencial - não está colada a ele, mas há um laço importante e visível que os liga por amor.

 

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publicado às 12:41

O lago sem patos

por Zilda Cardoso, em 03.09.08

 

 

Esta minha paixão por patos deve vir do tempo em que ia com o avô levar-lhes pão e passar uma tarde tranquila no jardim romântico da Cordoaria.

Gosto ainda de ver como se divertem, como mergulham fundo, como brincam uns com os outros e brigam e berram... Admiro o brilho da plumagem, a elegância do pescoço esticado em pleno voo ou pousado no chão, o ar satisfeito de família numerosa quando se passeiam ao fim da tarde - o pai, a mãe e a prole em fila...

Vejo-me a sorrir sempre que olho para eles, mesmo para os que não são de carne e osso.

Há anos, quis fazer uma colecção de parrecos de  barro e doutros materiais. Porém, ao fim de pouco tempo, a prateleira da estante estava cheia e eu não pude imaginar o armário repleto de patos, e esta divisão da casa, e a casa toda cheia deles. Não pude imaginar, de modo que ficou assim, os patos estão lá de asas abertas ou fechadas, com ar de quem vai voar ou navegando tranquilamente, sempre olhando para mim, de qualquer ângulo, esteja onde estiver. Não fugiram, não foram devorados, mas também não cresceram.

 

 

Agora, um grande lago na Quinta do Casal permite-me ter patos bravos sem limite. Contudo, percebi que uma coisa é o meu desejo, outra é o desejo deles.

Apareceu uma pata, o ano passado e eu fiquei à espera do masculino que havia de fertilizá-la. E ele veio, será ali rota de migrações, vieram dois com ar de realeza. Ficaram por algum tempo, depois um foi embora educadamente. Algumas semanas depois, desapareceu o casal, quer dizer, em vez de ela levar o pato a fixar-se, levou-a ele a ausentar-se.

No entanto, de vez em quando ela aparecia. Soube-se então que fizera o ninho por ali, no riacho, chocara os ovos, nasceram os filhotes que chegaram a aparecer no lago, mas ela retirou-os, sentindo-os em perigo, e levou-os para o rio onde tinham nascido.

Depois disto, muitas tentativas foram feitas com boa vontade - com patos bebés, com patos mansos, coelheiros e trompeteiros...

A verdade é que o lago não está sempre tranquilo, se bem que rodeado de planície e montanha, e por isso não pode ser assegurada a serenidade dos seus habitantes. A cada passo, há grupos de miúdos que fazem canoagem e muito movimento e confusão. 

 Não há coexistência possível, pacífica.

 

 fotos de Jorge Cardoso

 

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publicado às 15:07





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