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Barcelona

por Zilda Cardoso, em 16.06.13

 

 

Esta seria a hora da completa conciliação se não fosse aquela voz a saturar o ar de palavras aliás inaudíveis, obscuras.

Soube que eram três quartos de uma hora qualquer da tarde de Junho, quando uns badalos deram três pancadas seguidas nos sinos próximos e depois…emudeceram.

A voz continuou semeando sombras para meu desespero como se estivesse a prometer renunciar não a renúncias mas a coisas brilhantes e desejadas. A voz tornou-se a demorada realidade do momento, enquanto os seus sentidos se perderam completamente para mim: o sentido da voz e o das palavras que ela pretendia veicular.

Em dia de sol muito quente, os montes escuros ao longe, as traseiras dos prédios castanho-avermelhados, os terraços e as árvores sem cor definida, eram silhuetas veladas a potenciar o sentido possível do som, do clamor…

 

 

 

Então passou uma gaivota no alto em voo elegante e ágil sobre o azul e, por momentos, houve um pouco de claridade ali. Mas continuou, talvez porque a voz das sombras que se tinha calado voltou no mesmo tom velho e poeirento.

Estou em Barcelona, gostei de rever a cidade monumental quase tão gótica e bárbara como gaudiana e amaneirada.

Onde estou é justamente o bairro gótico, visto de trás e de cima; procuro reconhecer aquilo de que se fala. E que é atraente, bem vejo.

Prefiro estar na minha varanda de-ver-o-mar a ver o mar, os barcos e a passarada. Que aqui também observei, a outra hora, na praia, perto.

Neste momento, há o silêncio apetecido que nega as minhas recentes palavras. As outras, as inaudíveis e obscuras, não deixaram nenhum eco; verdadeiramente, estou bem assim a tentar reconstruir o sentido que não cheguei a vislumbrar, o da voz. Que posso imaginar, mas não quero. E não sei.

O das palavras…

A esta hora, não é crível que o sol se abra e ilumine ideias, as torne radiosas e significantes. E transparentes.

Não é provável.

   

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publicado às 09:24


2 comentários

De Vicente a 17.06.2013 às 11:42

Zilda, buenos días:-)

Mas que fotografias são estas? Tiradas de um presídio em Trípoli?

Nem parece seu que tira óptimas pelingrafias..

Borra, en definitivo el texto, y se queda una mala impresión de Barcelona.

Bueno, con la crisis, hasta la milionária Zilda Gabor, se tiene que quedar en una pensión con una terraza de verguenza...

Por Dios, es que no coges el dinero a la tumba, hay que desfrutar, caramba!

Peronpompero! ahahaahah

De Zilda Cardoso a 21.06.2013 às 18:06

Essa foi a minha vingança! Detestei estar nesse hotel, num quarto sem janelas para a rua. Mas era o famoso bairro gótico e eu queria poder ir a pé ou quase para todo o lado. Mas preciso de ar! De manhã cedo, ia para o telhado ou para o terraço e era isso que via!... E resolvi dar a conhecer as minhas vistas da Barcelona gótica e selvagem.
Não voltam a apanhar-me num sítio como esse. Mas gostei de muitas coisas e decidi tirar proveito de estar com o neto, o que foi um privilégio!
Fui retemperar-me para MOledo e um dia destes volto a sair.

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