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(imagem da internet)
Lembras-te do mito de Pandora? – interroga Joana olhando cheia de curiosidade para André.
Tem várias interpretações, mas a de que me recordo reza mais ou menos assim: os deuses tinham dado a Pandora, que foi a primeira mulher sobre a Terra, uma caixa e recomendado que não a abrisse nunca. Mas ela abriu-a, e todos os males que ali estavam fechados saíram e espalharam-se no mundo. Apenas a esperança continuou agarrada à borda da caixa.
Por vezes, lembro-me desta cena quando se forma um novo governo que é como uma caixa fechada, e os políticos começam a sair dela e a aparecer e a fazer parte do nosso mundo. E verificamos que cada um é uma desgraça completa. Porém, nós estávamos cheios de curiosidade, tal como Pandora estava e queríamos ver o que continha a caixa, o que o novo governo tinha para nos dar, e abrimo-la sem respeitar o aviso.
Na verdade, cada vez que se nos apresenta um novo governo, surge a esperança. A esperança de algo melhor para todos. Mas é uma expectativa gorada. O que nos é oferecido é o que bem conhecemos: os males, as calamidades, as penas… que tudo é a mesma coisa.
Do meu livro Cerejas de Celulóide, capa de Manuela Bacelar, ed. Campo das Letras, 2007
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