
“Se eu tivesse uma ilha,” dizia E. Prado Coelho no seu diário, “os meus amigos chegavam em barcaças, cantavam baladas de marinheiros, bebiam cidra…” E ele decerto veria essa chegada da janela ou da varanda da sua ilha, os amigos fariam tudo o que diz que faziam e adormeceriam tranquila e amorosamente…
Os meus amigos Fernanda e António possuem uma ilha, independentemente de ser um sonho, com nuvens brancas a ampará-la no céu azul. É um cabeço no alto de um monte, uma bela propriedade no Alto Minho onde foram reconstruídas uma casa antiga e a tulha que rodearam de jardins e relvados, de castanheiros e de vinha.
Das janelas e das varandas, vêem chegar os amigos em carros que percorreram estradas sinuosas e estreitas, fáceis de confundir com outras, mas que todas chegam ao mesmo lugar. Então recebem-nos com abraços e sorrisos, com as mais refrescantes bebidas e acepipes, com carinho e boas palavras, com muito sol e muita elegância, e com toda a benevolência deste mundo. Há uma luminosidade que os acompanha para onde quer que vão e os amigos sentem-se bem com eles e desejam viver para sempre dentro da sua auréola, adormecer na varanda a escutar os ruídos e os silêncios do lugar.
Em redor do cabeço, ou da ilha, umas por trás das outras, há sucessivas montanhas com diversas cores e dimensões, umas mais perto do céu do que outras, povoadas de árvores e de igrejas com torres altas e brancas e sinos que tocam a toda a hora, no centro das aldeias formadas por casas/brinquedos ajoelhadas em redor delas.
Os jardins são especialmente bem delineados, os canteiros foram imaginados pela Fernanda, um no penedo rústico e côncavo onde há flores de intensos e de suaves coloridos, simples, quase silvestres e tudo se reflecte na água da piscina, combinado com azul, com cântaros de barro, com nuvens brancas e aves em voo.
A tulha é um encanto, falarei dela num outro dia, e de muitas outras coisas boas, se os meus amigos, entretanto, se não zangarem comigo.