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enquanto o sol não brilhar

por Zilda Cardoso, em 13.02.13

 

Não estou cansada de estar triste

porque o sol tarda e eu gosto

da minha zona iluminada.

Não me importo que caia chuva pesada

que sopre um vento desalmado

no centro e no norte, moro a sul na cidade.

Não me culpo, quero aqui dias claros

mar azul e luzidio, ondas de espuma branca

contra as velhas rochas douradas.

E, mais perto de mim, as grandes árvores

de estranhos troncos enleados

folhagem verde e brilhante e firme

onde a briza não murmura nunca,

sob que podia passar, quase pisando as flores

miúdas amarelas como girassóis

por entre a quietude das ervas.

É isto que eu quero e não tenho hoje

nem tive todos estes dias baços.

Eis por que não estou cansada de estar triste,

vou continuar…

 

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publicado às 19:59


11 comentários

De CC a 13.02.2013 às 21:58

Zilda,
Aprendo sempre no seu blog.
Hoje aprendi mais uma palavra: briza.
Quando vi "briza" com "z" no primeiro instante pensei tratar-se de uma distracção mas logo de seguida tive a certeza que a Zilda não teria essa distracção e fui procurar o significado. Afinal eu até conheço o arbusto briza só não sabia que esse era o seu nome.
Um abraço e fique bem!
CC

De Zilda Cardoso a 14.02.2013 às 07:37

Achei imensa graça ao seu comentário. Será que tem alguma importância a intenção do autor?
Gosto sempre de a ler, de saber de si.
Muito obrigada.

De Marcolino a 14.02.2013 às 04:23

Olá Zilda,

Estar triste
É condição humana
Mas triste porque não há sol
Então sim
Junto-me a si minha Amiga

Marcolino

De Zilda Cardoso a 14.02.2013 às 07:34

Ainda bem que não estou só, mas em boa companhia.
Obrigada pela sua presença e pela sua solidariedade.
Até logo.

De CC a 14.02.2013 às 21:00

A intenção do autor tem importância? Não sei bem. Mas os sentimentos , esses sim, para mim têm importância. Espero que se tenha apressado a sair dessa tristeza porque um dia assim bonito, merece ser apreciado com alegria.

Abraço e fique bem!
CC

De Zilda Cardoso a 15.02.2013 às 08:35

Sou muito influenciada pela luz... a minha disposição, quero dizer. Mas não chega a ter muita importância, porque calculo que o Sol vai voltar a iluminar o nosso mundo, como sempre tem acontecido. E tudo voltará a ser como antes. E, claro, hoje, esta manhã já estou a ver os "meus" barcos no horizonte... tão prometedores, tão brancos e brilhantes; o céu quase azul e o mar um pouco mais azul que o céu. E as árvores feitas de bolas verdes e escuras, parece-me estarem à espera de qualquer acontecimento agradável que as faça mexer, dançar, talvez. Embora pense que estas árvores se manterão firmes em qualquer circunstância.

De Vicente a 15.02.2013 às 12:02

As palavras dançam nos olhos das pessoas conforme o palco dos olhos de cada um.

Almada Negreiros

De Zilda Cardoso a 15.02.2013 às 13:10

O meu palco é bom, ou o palco dos meus olhos, para as palavras dançarem. Gosto de as ver dançar e espero que os outros gostem, os que as vêem dançar.
O meu palco é bom, para as palavras dançarem todas as danças do mundo. Tenho de anunciar isso, anunciar e anunciar, para que as pessoas saibam e não esqueçam.

De Vicente a 15.02.2013 às 18:18

Quando nos põem numa vida não sabemos ter outra.

Dulce Maria Cardoso

De Zilda Cardoso a 15.02.2013 às 19:54

POIS!
Devemos tentar melhorá-la ou não vale a pena?
E quando não nos põem numa vida?

De Anónimo a 15.02.2013 às 20:41

Boa noite,

Pela leitura, julgo que os dias de céu encoberto já terão passado e a luz solar voltado ao Porto. Que bom!
Ora, eu aqui no sul, tenho vivido dias com muito sol, que já permitiram algumas caminhadas à beira-mar, de pés descalços, onde as ondas suaves, borbulhando, rebentam na areia fina e firme ... Muito bom! Há poucas pessoas na praia, e é assim que eu gosto. Eu fico mais perto do céu, e a minha alma rejubila de paz e liberdade.
Veramaria

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