Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Calcanhar de Aquiles

por Zilda Cardoso, em 26.09.08

 

Vou mostrar como se colhem as castanhas, mesmo em soutos de bom tamanho como este da Quinta do Casal, no Alto Minho.

 

011 galeria de fotos do windows

 

Os trabalhadores abrem os ouriços do chão recentemente caidos dos castanheiros e esmagam-nos com o calcanhar bem calçado e depois com as mãos enluvadas apanham os frutos para um balde de plástico. Os frutos do balde são despejados no pequeno carro parado no sítio da apanha e levados para serem pesados e vendidos logo a seguir, à porta.

É um processo demorado, mas parece que não há outro.

E seria penoso se as mulheres que fazem a colheita se não divertissem todo o tempo na tagarelice mais desenfreada.

 

 

 

 

Não se dão bem com o silêncio e, por isso, transformam qualquer pequeno acontecimento numa festa.

Convidaram-me a participar nela, na sua festa de palavras e de dizeres, não na apanha. Que essa é para elas e, quanto mais tempo durar, melhor.

Tudo isto se liga com a sabedoria feminina. Ou com a vulnerabilidade do calcanhar?

 

jpeg012

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:58


10 comentários

De Augusto Küttner de Magalhães a 26.09.2008 às 15:59

Interessante este trabalho da apanha da castanha, por certo um dia virão máquinas que farão esse serviço!!!
Mas até lá, esta forma é a mais interessante, e valham-nos “aqui” os calcanhares, porque os homens também podia fazer o mesmo, tal qual neste momento estará a acontecer nas vindimas – no Douro….mulheres e homens a vindimar! As mulheres têm outras sabedorias!

De Augusto Küttner de Magalhães a 26.09.2008 às 17:17

Fiquei repentinamente com uma dúvida:os trabalhadores abrem os ouriços como? e depois é que usam os calcanhares?

De zilda cardoso a 26.09.2008 às 18:15

Os ouriços abrem naturalmente, abrem por si. Depois de abertos e caídos no chão é que se força a abertura com o calcanhar, para ser possível retirar a ou as castanhas. No caso destes castanheiros, o ouriço quase sempre tem 3 frutos, grandes.

De Augusto Küttner de Magalhães a 27.09.2008 às 08:35

Obrigado Zilda, isto de andarmos mais pela cidade...sei bem como se faz a vindima! ao ler melhor o seu intressantissimo post, fiquei cm dúvidas.
Quanto à sabedoria feminina deixo-a novamente para muito mais situações onde é brilhante....bom fim de semana.

De José Manuel Correia Alves a 27.09.2008 às 13:34

Já que se fala de temas campestres, lembrei-me de uma foto que tirei, há pouco tempo, em Moimenta da Beira.
Lá, bem no meio de uma nova avenida, perto do "arrabalde", forma plantadas macieiras nos passeios públicos.
Todas têm fruta e de boa qualidade e é um regalo vê-las crescer e frutificar no meio do asfalto, fazendo-nos lembrar a essência do lugar, o cheiro da terra e das maçãs maduras...

Com cumprimentos,

José Manuel Correia Alves

De zilda cardoso a 27.09.2008 às 14:32

Pelo que algumas pessoas da m/família me foram contando, do que tinham saudades era do cheiro das maçãs dessa região, fértil em maçãs e em castanhas. Como já uma vez lhe contei, só queria saber que maçãs eram essas tão cheirosas e que parece terem desaparecido do mercado. Ainda bem que falou nisso e talvez algum dos n/ amigos bloguistas saiba destas coisas campestres, como lhe chama, e queira partilhar.

De José Manuel Correia Alves a 27.09.2008 às 13:40

Dª Zilda

Sobre a apanha das castanhas, que por aqui ainda abundam nos soutos novos e alguns centenários (Soutos da Lapa - denominação de origem controlada), lembro-me, em pequeno, de ver na casa dos meus avós e tios avós, uns pequenos martelos, de cabo comprido, todos em madeira, com que percutiam os ouriços; na altura em que se aproximava o São Martinho, data a partir da qual já não apareciam compradores para as castanhas e ficavam com muito menos valor na produção, as pessoas optavam por "varejar" os castanheiros e os ouriços, ainda meio verdes, que eram depois abertos com a ajudas destes pequenos martelos.
Logo que possa vou ver se ainda consigo encontrar algum deste artefactos.

José Manuel Correia Alves

De zilda cardoso a 27.09.2008 às 14:26

Nunca vivi em Moimenta da Beira, mas comovo-me sempre com notícias carinhosas sobre essa terra de alguns dos m/ antepassados. E se estou mais sensível como neste momento, fico em lágrimas. Não faz mal, são lágrimas felizes. Agradeço muito a s/ informação e vou passá-la por aqui, onde vejo a colheita das castanhas tal qual como expliquei. É uma forma muito primitiva, com martelo é com certeza melhor. Sei que noutros países apanham as castanhas com máquinas que não conheço de todo como funcionam.
Creio que em França, em certas regiões, e no Japão...

Gosto muito que me fale de Moimenta e do que for descobrindo.
Um abraço.

De José Manuel Correia Alves a 28.09.2008 às 08:52

Dª Zilda



Não há nenhuma variedade especial para o cheiro, o que conta mesmo é o local onde estão plantadas e o crescimento e maturação natural da fruta sem recurso a muitos fertilizantes e água (mais lenta).

Como dizia Aquilino, os produtos da nossa terras são "arrancados" de "terra granita, água granita e caganita"; As velhas árvores, já raras entre nós, com grandes troncos e copas, que produziam frutos a uma altura que obrigava ao uso da "roca", também contribuiriam para a genuína qualidade, pois o seu lento crescimento ao longo de décadas, dava origem a fruta muito "bem criada" que, apanhada na altura certa, emitia um perfume característico que, aliás, era usado como "ambientador" das casas rurais.

Lembro-me quando nesta altura e até aos "Santos", em casa dos meus avós maternos, se entrava e de imediato se sentia esse cheiro adocicado das maças do "Salão".

Havia o costume de espalhar as maças sobre os móveis mais altos das salas para, sem ficarem visíveis, ambientar e perfumar esses compartimentos.

O ciclo de maturação era feito lentamente sobre esteiras de palha de centeio que, penso eu, lhes proporcionava uma temperatura e humidades mais adequadas e, por isso, conducentes á correcta e lenta maturação.

No mercado é muito dificil encontrar fruta como era aquela, mas ainda vai existindo nas casas mais antigas desta Beira, que, por isso, vão mantendo essas árvores para consumo próprio.



Com cumprimentos,



José Manuel Correia Alves


De Augusto Küttner de Magalhães a 29.09.2008 às 15:55

Agradeço toda esta informação, deve ser preservada. Quanto à mecanização, na apanhab da castanha, por certo que existirá, como já existe na apanha e na pisa da uva!

Comentar post





Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

  Pesquisar no Blog



Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2016
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2015
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2014
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2013
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2012
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2011
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2010
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2009
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2008
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D