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Vou mostrar como se colhem as castanhas, mesmo em soutos de bom tamanho como este da Quinta do Casal, no Alto Minho.
Os trabalhadores abrem os ouriços do chão recentemente caidos dos castanheiros e esmagam-nos com o calcanhar bem calçado e depois com as mãos enluvadas apanham os frutos para um balde de plástico. Os frutos do balde são despejados no pequeno carro parado no sítio da apanha e levados para serem pesados e vendidos logo a seguir, à porta.
É um processo demorado, mas parece que não há outro.
E seria penoso se as mulheres que fazem a colheita se não divertissem todo o tempo na tagarelice mais desenfreada.
Não se dão bem com o silêncio e, por isso, transformam qualquer pequeno acontecimento numa festa.
Convidaram-me a participar nela, na sua festa de palavras e de dizeres, não na apanha. Que essa é para elas e, quanto mais tempo durar, melhor.
Tudo isto se liga com a sabedoria feminina. Ou com a vulnerabilidade do calcanhar?
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