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doer ou não doer, eis a questão

por Zilda Cardoso, em 05.05.12

 

“Chegou a hora de pensar mais sensatamente”. D.L.

 

O que se faz, quando se não pode fazer nada? O que se faz quando não se pode fazer o que se quer... o que se tem para fazer?

Quando se não pode ler nem desenhar, nem ver cinema nem televisão? Quando se não pode fazer o que sempre se fez…

Quando se não pode usar o computador e comunicar com os amigos desse modo simples e simpático? E servir-se e empregar o computador doutras maneiras…?

Quando se não pode mesmo prestar atenção olhando? Ou só prestar uma atenção miudinha com os olhos fechados? E mesmo que isso seja feito com ligeireza a cabeça dói?

Que tem ela?

Tem de se cogitar ligeiramente, sem insistência, sem exagerar… Ir ao fundo de qualquer questão está fora de questão. Ir ao fundo implica coisas agrestes, ásperas, incómodas. E, de certo modo, desagradáveis.

O melhor é pensar simplesmente. Meditar com tranquilidade. Sabem como é?

De forma tão útil!

 

 

Separando os pensamentos ásperos dos macios. Esquecendo os ásperos.

Pode-se prestar atenção à própria respiração, por exemplo – nada mais simples, é verdade. Reparar o que acontece.

Talvez ver o acontecimento em todos os pormenores – inspirar, pulmões cheios, reter por instantes como um fole vasto, expirar, esvaziar também a barriga, até ficar como um figo mirrado. E para cima e para baixo, voltar ao princípio.

Ver o movimento da respiração.

Haverá pequenos ruídos no ambiente… ao longe, bonitos sons … um pássaro. Serão pequenos sonidos, um alegre background para os mais simples pensamentos.

É claro que eu penso de imediato: vou terminar de respirar, no momento. Vou ouvir-me parar agora mesmo: será uma experiência única e divertida. E vou assistir ao que se passar logo depois.

Assistir e compreender. Entender os benefícios de compreender isso.

Não há nada que queira mais que assistir àqueles segundos e minutos, dar-me conta deles. Ver o que acontece a seguir ao fim. Falo da respiração.

Será uma coisa nova, inteiramente nova e diferente, resplandecente, talvez. Sobretudo elucidativa. Para quem, quando, como?

Os benefícios da meditação de que falo são notórios: os pensamentos não se enrolam uns nos outros, não fazem complexas conexões que levarão a conclusões imprevistas e provavelmente erradas. Os pensamentos restam simples e, por isso, não incomodam. Pelo contrário: dão espaço e à-vontade. São aceitáveis e bem-vindos. Estamos ou passamos a estar integrados no mundo, tal como ele é. Possivelmente, tal como ele é.

E estes pensamentos aceitáveis são úteis e levar-nos-ão à paz interior e à outra. É o afastamento dos pensares perturbadores que nos liberta de enganos, é o que disciplina a mente reduzindo as emoções aflitivas.

Sabemos que com ódio o cérebro não funciona de forma correcta. Pelo contrário, tratar os outros com afecto e respeito, cultivar esses sentimentos, deixa a nossa mente tranquila.

Afastei as emoções, aceito a simplicidade, estou já bem.

“O importante é que cada um seja um bom ser humano…” D.L.

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publicado às 20:53


5 comentários

De Vicente a 10.05.2012 às 07:19

"Il faut toujours penser comme si Dieu existait et toujours agir comme s'il n'existait pas"

Jean d'Ormesson

De Zilda Cardoso a 10.05.2012 às 07:55

Quer dizer que é preciso cada um conservar a sua independência? Na acção?

De Vicente a 10.05.2012 às 12:13

Nem mais:-)

De Maria João a 13.05.2016 às 11:23

Querida Zilda que texto maravilhoso!

"Talvez ver o acontecimento em todos os pormenores"

"Assistir e compreender"

"(...) é o que disciplina a mente reduzindo as emoções aflitivas"

"Afastei as emoções, aceito a simplicidade"

“O importante é que cada um seja um bom ser humano…” D.L.

Muito obrigada pela partilha e que felicidade saber e sentir que está num processo de aceitação da simplicidade. O mundo seria muito menos complexo e complicado se todos nós tentássemos fazer o mesmo..

Um grande beijinho e saudades ***

De Zilda Cardoso a 14.05.2016 às 10:08

Obrigada, M. João

Sim, o importante é que cada um seja um bom ser humano, nas palavras do Dalai Lama.
Mas surgem muitas interrogações sobre isso. Como - o que é um bom ser humano? As opiniões podem divergir, mais uma vez por questões de linguagem e diferenças culturais.
Sabe como é difícil disciplinar a mente. Às vezes, parece-me que passamos tempo de mais tentando disciplinar a mente e depois não sobra para outras actividades que também são importantes. E para pôr em prática o que aprendemos.
Dizer que aceito a simplicidade é fácil mesmo tendo a intenção firme de a aceitar, aceitá-la é muito difícil depois de séculos de cultura que nitidamente privilegia a complexidade.
Espero saber das suas futuras reflexões que muito me ajudam a pensar sobre estes temas.
Muito obrigada.
ZM

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