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Roteiro do Cérebro

por Zilda Cardoso, em 14.03.12

 

 

 

Tenho andado a ler com grande entusiasmo os livros de Gonçalo M. Tavares que são chocantes, mas muito bons.

Talvez os livros que se publicam actualmente devam ser chocantes. Estamos na era do cru e, se não for, não é verdadeiro, não pertence a este tempo, não faz sentido, não tem prémios nem referências de ilustres como livro sublime, livro da década, livro do século, um grande livro… e por aí fora.

Aquele de que mais gostei foi Uma Viagem à Índia, de que ainda me não recompus, como soi dizer-se. Impressionou-me enormemente; caminhei nas nuvens vários dias;  senti-me a revisitar a “mitologia cultural e literária do Ocidente” como e com Eduardo Lourenço, entre outros sentimentos e emoções.

Fiquei fascinada com a versão de caos que o autor mostra e em que nos faz participar. Vivemos perfeitamente no caos, temos experiência disso. Fiquei surpreendida com o paraíso da viagem que todos esperamos e nunca vamos encontrar, o paraíso, claro. No fim da viagem. Mas continuamos a empreendê-la, a começá-la; na verdade, a caminhar sem lá chegar. Com esperança aconchegada e escondida na algibeira.

A epopeia (genial ideia, esta forma) é uma maneira credível de relatar a bela fuga do herói, tanto ou mais do que um romance. Ou o motivo da viagem: foi apenas um crime num mundo de agravos e delitos, de transgressões e de violações, de malfeitorias e de coimas. Apenas um.

A chegada à Índia, ele chegou à Índia, pois… Que poderia este herói procurar na velha terra de promissão? Ele diz: sabedoria e esquecimento. Talvez seja. E terá ficado decepcionado.

Mas não era isto que eu queria dizer. Não era nada disto.

Queria falar do cérebro. Diz o dicionário de psicologia que o cérebro é o coroamento das vias nervosas; está ligado ao resto do corpo por meio da espinal medula, do bulbo raquidiano, do cerebelo e dos seus doze pares de nervos cranianos. A base é constituída pelo tronco cerebral.

Fiquei muito baralhada. Fui procurar no Gonçalo M. Tavares e ele é muito mais expressivo: chama-lhe o instrumento de percepção do mundo. A cabeça abunda de capacidades e de desvios surpreendentes, mas o importante é o caminho central: o cérebro serve para não nos deixarmos matar. Tem a forma e a função de uma arma, nada mais.

Foi então que decidi fazer o roteiro do cérebro proposto  pela Porto Cidade de Ciência nos dias 16 e 17, 23 e 24 deste Março. Vamos visitar laboratórios, faculdade de medicina, hospitais psiquiátricos, departamento de investigação de produtos farmacêuticos, faculdade de psicologia, laboratório  de neuropsicologia.

Se, depois de toda essa actividade, eu ficar a compreender que o cérebro é a mais complexa estrutura viva que conhecemos,  conto. Se.

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publicado às 21:26


5 comentários

De Vicente a 15.03.2012 às 07:44

Bela escrita e interessante tema:-) cá fico à espera.

De Zilda Cardoso a 15.03.2012 às 10:36

Eu digo - se.
Se não... não se queixe.
Obridada pelo seu interesse. Não aprecio escrever sobre nada.
Por isso, vou escrevendo sobre algo.

De Cardosão a 15.03.2012 às 20:29

que engraçado... nesse roteiro portuense do cérebro não tem nenhuma vista à polícia municipal, outras polícias e políticos... falta-lhes cérebro... só têm sinapses mortas por falta de uso :)))

De Zilda Cardoso a 16.03.2012 às 08:16

Que aconteceu?

De Isabel Maia Jácome a 19.03.2012 às 22:55

Querida Zilda
...gostei de ler... gostei. E apetece-me incrivelmente descobrir para além do que me parece ver. Ando com olhos cegos. Cegueira de ciência em início de trabalho de parto. Parto de conhecimento dos homens que quero bons.
Sou eu que quero? Ou devo acreditar no que quero acreditar?
Exploro a metolologia científica... e essa parte até gosto... mas gosto dessa abordagem do Gonçalo M. Tavares, também... ou da abordagem que a Zilda faz dele... e desse livro que desconheço, mas que me fica no topo da pilha dos que desejo ler... com tempo.
Estou mais animada. Tenho que estar. Tenho!!!
Tudo é aprendizagem. Há tanto para aprender!!!
Abraço. Enorme!
Isabel

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