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O mito do Cargueiro

por Zilda Cardoso, em 09.03.12

 

 

 

 

 

Estas realidades vistas da minha varanda lembram-me o culto messiânico do Cargueiro: os Melanésios pensam que os Brancos vivem na profusão, sabem capturar as mercadorias que lhes estão destinadas, a eles Melanésios, pelos seus antepassados retirados para os confins do mundo. Mas virá um dia em que os Brancos fracassarão e os antepassados dos Melanésios voltarão com a carga miraculosa e eles deixarão de ter necessidades.

 

 

 

 

Tudo isto é citado no livro de J. Baudrillard, A sociedade de consumo, tradução publicada pelas Edições 70 em 1975.

"Os indígenas da Melanésia sentiam-se maravilhados com os aviões que passavam no céu. Mas tais objectos nunca desciam até eles. Só os Brancos conseguiam apanhá-los. A razão estava em que estes possuiam no solo em certos espaços objectos semelhantes que atraíam os aviões que voavam. Os indígenas lançaram-se então a construir um simulacro de avião como ramos e lianas, delimitaram um espaço que iluminavam de noite e puseram-se pacientemente à espera que os verdadeiros aviões ali viessem aterrar."

"... o miraculado do consumo  serve-se de todo um dispositivo de objectos simulacros e de sinais característicos de felicidade, esperando em seguida (no desespero, diria um moralista) que a felicidade ali venha poisar-se."(J. B.)

 

 

 

Vamos reflectir seriamente sobre os benefícios do consumo. A opulência será, como se diz, a acumulação dos sinais de felicidade? Digam-me o que pensam.

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publicado às 11:27


4 comentários

De Marcolino a 10.03.2012 às 00:54

Olá Zilda!
Mas que fotografias maravilhosas! Parabéns!
Quanto à opulência, a meu ver, é a forma mais descarada, bizarra digamos, de quem tenta esconder, materialmente, a sua infelicidade.
Abraço de bom fim de semana
Marcolino

De Zilda Cardoso a 10.03.2012 às 07:52

Bom dia, Marcolino.

Obrigada por partilhar as suas ideias. É claro que elas ganham grande valor se forem conhecidas.
Boa saude!

De Maria Joao a 12.03.2012 às 20:16

Olá Zilda,

As fotos estão cada vez mais expressivas!! Para mim opulência e riqueza são circunstâncias transitórias que podem trazer algum prazer momentâneo mas não felicidade.

Citando o Dalai Lama:

"Nas grandes cidades, fazendas, lugares remotos, por todo o interior, as pessoas se movem ocupadas. Por quê? Todos somos motivados pelo desejo de nos tornarmos felizes. Fazer isso é correto.

Contudo, temos que ter em mente que muito envolvimento com os aspectos superficiais da vida não irá resolver nossos problemas maiores de descontentamento. Amor, compaixão e preocupação pelos outros são as verdadeiras fontes de felicidade.

Com isso em abundância, você não será perturbado nem pelas circunstâncias mais desconfortáveis. No entanto, se você nutrir o ódio, não será feliz nem no colo do luxo. Assim, se realmente desejamos felicidade, precisamos expandir a esfera do amor. Isso é tanto um modo de pensar religioso quanto senso comum básico.

in How to Expand Love ”.

Beijinhos de Lx ***

De Zilda Cardoso a 13.03.2012 às 08:07

Obrigada, M. João.
Tão simples, não é? Sabedoria pura. Mas por que nos é tão difícil aceder à simplicidade? Estamos tão cheios de ciência que não compreendemos a sabedoria.
A ciência tem sido muito útil para melhorarmos fisicamente a nossa vida, mas espiritualmente é a sabedoria que acrescenta o nosso bem-estar.
Os mestres tibetanos são insuperáveis nisto. Que pena não podermos ajudar o seu povo a recuperar a independência como eles nos ajudam, ensinando-nos a viver segundo os valores da sua cultura que também já foi nossa. E que perdemos para nosso mal.

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