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Por que não, Eduardo Batarda?

por Zilda Cardoso, em 19.02.12
 

  

 

 Voltei ao Museu de Serralves para a exposição de Eduardo Batarda. Terei que ir várias vezes já que não tenho paciência para ver com o vagar que as obras merecem. Têm que ser observadas com curiosidade, com interesse, com desejo de descobrir. Sobretudo, com tempo.

Tem várias fases muito nítidas, aparentemente sem qualquer elo entre elas. O que terão em comum? Que ligação as liga e pode levar a pensar que foram realizadas pela mesma pessoa?

Na verdade, pouca coisa, em termos técnicos.

A impressão com que fiquei hoje, depois de várias tentativas de reflexão sobre as obras expostas em Serralves, é que o pintor é muito menos famoso do que devia ser. De que estamos à espera?! Quero dizer… para o tornar famoso?

O Museu de Serralves dá um enorme passo nesse sentido, é uma grande exposição antológica o que podemos admirar ou detestar nas salas do Museu. Indiferentes!?… Não, não ficaremos nem aos textos nem à pintura quer a dos primeiros tempos, de 1965, quer a actual de 2011.

  

 

 Essa intitulada “Como o conde Drácula foi desflorado” é muito provocatória, embora sem história, contém referências a filmes populares e lembra a banda desenhada, fragmentada em painéis sem sentido ou coerência, como o autor mesmo diz, e “com um título idiota”, será a primeira pintura a acrílico feita em Portugal.

Há outras sobre aglomerado de madeira, uma com história popular que é a da canção dos anos 30 (ou um pouco mais tarde) da Mariana que se apaixona pelo marinheiro americano, e ouvimos essa música sempre nesta sala à mistura com as pinturas dos anos 60. Personagens menos feias do que outras em obras que se aproximam do cartaz e que são robertos ou fantoches em teatro de marionetas, com alusões e trocadilhos e que se prestam felizmente a muitas interpretações.

  

 

As aguarelas enormes dos anos 70 que são incrivelmente minuciosas e trabalhosas e complexas e, tal como as suas pinturas de qualquer época, convidam à reflexão, são críticas sarcásticas em geral, humorísticas, muitas vezes com textos que são comentários. Criticam a ditadura, a guerra colonial, (escondendo referências tal como era necessário na época) e, do mesmo modo, a arte e sua interpretação. Acho que o que ele faz, sobretudo depois do fim da censura e do que ela implicava, é uma crítica cerrada à obra de arte, à sua possível interpretação e ao espectador apressado que vê sem ver, que vê e não pode ver, que vê e não desvenda nem deslinda nem descortina...

Eu pertenço ao antes e ao depois, tal como o pintor. Devia estar em posição de compreender, mas.

Há sempre de que criticar em democracia e fora dela. É mais simples para mim ver e dizer que primeiramente há uma pintura figurativa influenciada pela cultura pop e pelas técnicas da ilustração que evoluiu para o abstracto com outro tipo de referências.

 

 

No abstracto de 2011 está particularmente bem camuflada a crítica sob camadas e camadas de pinturas de cores sombrias que deixam espreitar restos de pinturas com formas diversas supostamente anteriores ou de baixo…

O que liga toda a obra será a atitude zombeteira do autor.

Eduardo Batarda nascido em Coimbra em 1943, recebeu em 2007 o Grande Prémio EDP Arte e é considerado actualmente “um dos nomes fundamentais da pintura portuguesa”.

 

 
 
Fotografei algumas folhas do catálogo da exposição de Serralves (excepto a aguarela extraordinária e lindíssima que serviu de convite para a exposição) e reproduzi sem qualquer arranjo, peço desculpa pela má qualidade da imagem 
 

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publicado às 14:42





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