Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Uma Viagem à Índia

por Zilda Cardoso, em 07.02.12

Desconhecia que tinha em casa um livro tão importante como Uma Viagem à Índia, que alguém simpaticamente nos tinha oferecido há um certo tempo.

É de Gonçalo M. Tavares, um jovem cheio de imaginação e de cultura, tão bom e talentoso escritor, nascido em África, crescido na Europa, ganhador de todos os prémios portugueses e de alguns estrangeiros, cento e sessenta, não, 210 traduções dos seus livros em trinta e dois, em 44 países, Jerusalém considerado um dos mais importantes romances de todos os tempos, talvez o seu primeiro romance…

Nestes tempos difíceis, que seca, de desassossego para Portugal e para a Grécia e para todo o mundo ocidental, apenas uma viagem à Índia nos pode livrar de dificuldades. É claro que, tal como aconteceu com o Gama e com o Bloom de G.M.T., a Índia não nos salvará de nada, a Índia vai desiludir-nos, “não viajamos para nenhum paraíso”, sabemos que “todas as viagens são sempre um regresso ao passado donde nunca saímos”, diz o E. Lourenço, tão pessimista como sempre.

Na realidade não nos querem na Europa e nós nunca a quisemos, nunca. Só estamos felizes quando lhe viramos costas e então realizamos coisas curiosas e importantes. Gostamos de olhar para o longe, para longes terras que nos podem dar ilusões e fantasias. Viver o dia-a-dia na sua casa, na sua terra, na sua Europa é muito aborrecido. E não dá para escrever epopeias como a de Ulisses tal como fez Homero na sua Ilíada ou na Odisseia, não sei bem, nem como a do Gama em Os Lusíadas como fez Camões, nem como a do Bloom em Uma Viagem à Índia como fez Gonçalo.

Tem que haver algum mistério na nossa vida e também brilho.

Aqui, este bocadinho de terra europeu é capaz de ser separado facilmente do resto da Europa juntamente com a Galiza – deixando a Europa melhor, mais certinha, mais organizada; assim como a Grécia podia ser separada, são apenas aqueles farfalhos de terra, não faziam falta e não fazem e iríamos navegar nós no Atlântico, os Gregos no mar deles - o Egeu ou o Mediterrâneo ou o Jónico.

E os europeus esqueceriam tudo o que eles inventaram – a democracia, a filosofia, os jogos olímpicos, a literatura, a ciência política, a matemática, o teatro… Ficavam muito mais libertos, de cabeça mais leve, sem preocupações.

E esqueceriam, para seu bem, o que os Portugueses descobriram e deram a conhecer ao mundo. Esqueceriam sobretudo a sua importância, como a viu Camões e como nos disse Jaime Cortesão.

Disseram que antes, cada povo tinha o seu pequeno mundo para viver, mas os navegadores deram a ver novas terras, novos povos, novos costumes, novos regimes económicos, novas organizações socias e também novos mares e novos astros, artes e religiões desconhecidas… Uma vida nova foi possível, uma nova forma de pensar, uma moral diferente e novas ciências baseadas nas descobertas.

 Em suma, uma cultura nova. Um novo humanismo universalista: o mundo é muito maior do que imaginávamos e é aberto a todos. E é um mundo redondo, de modo que, por muito que viajemos, vamos sempre parar ao mesmo sítio, aquele de que partimos e que não esquecemos.

Uma viagem à Índia, nesta ocasião revolta e complexa aqui, sobretudo aqui, o mais a Ocidente que nos é dado pensar, é uma coisa maravilhosamente prometedora… de uma nova forma de pensar ou de uma nova cultura ou de uma outra moral.

O mais interessante é que já temos a epopeia do herói anti-herói deste século XXI, só nos falta a viagem.

Vou ler a epopeia. Ela dirá o que precisamos saber e fazer. “E tudo sem mentir, puras verdades!"

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:55


3 comentários

De Amigos do Concelho de Aviz a 08.02.2012 às 17:40

A CRISE está ai. Instalada! Vamos desmitificá-la concorrendo aos X JOGOS FLORAIS DE AVIS, cujo regulamento se encontra disponível em www.aca.com.sapo.pt (destaques). Bora lá?

De Cardosão a 14.02.2012 às 13:32

um grande texto... um dos teus melhores!!! Não é piegas nem de auto-ajuda e por isso não tens comentários... mas é actual e útil e inspirador!!!

De Zilda Cardoso a 18.02.2012 às 14:25

Tal qual, Cardosão! Será que as pessoas não compreendem... ou não querem ver nem compreender!? Às vezes tenho pena...
Mas se tu viste... se houve um leitor que gostou... já valeu a pena.
Obrigada.

Comentar post





Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

  Pesquisar no Blog



Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2016
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2015
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2014
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2013
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2012
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2011
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2010
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2009
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2008
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D