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A ideia romântica de Europa

por Zilda Cardoso, em 27.10.11

Qualquer
um que queira ser honesto consigo e com os outros, enfim, quem aprecie a
verdade, a clareza... tem que confessar que é muito complicado. A situação
económica, social, política no Ocidente é demasiado complexa para se poder ter
no momento um parecer fundamentado sobre ela. E como vivemos em democracia,
convém ter uma ideia, não podemos deixar que os outros pensem por nós e nos
governem.

Quanto
a isto, julgo não haver problemas: todos têm uma opinião ou várias. Podem,
muito bem, ser várias. E uma multidão de gente emite as suas e os seus pontos
de vista lúcidos, embora raramente o grupo veja as mesmas coisas da mesma maneira.
Entretanto, participa de fóruns, de conselhos de estado e de administração, de
entrevistas importantíssimas, de reuniões de alto nível ou cimeiras decisivas de decisões sempre
adiadas, de conversações intermináveis e de confabulações sem sentido... Não
sei se isso é trabalhar, se só nos mandam trabalhar a nós, comuns mortais.

As
convicções são desencontradas, controversas, esquisitas, espantosas,
fantásticas, sensatas. Insensatas também. Sempre complexas, o que significa que
temos dado muita actividade aos nossos neurónios - estamos sempre prontos para
ir mais além no raciocínio, sobretudo, na dedução maldosa. Simplesmente, a
concretização das medidas inteligentes preconizadas para dar solução aos
problemas é delicada de mais.

Talvez
cada um de nós devesse ter interrogado os responsáveis, no caso de saber quem
eram e são. No entanto, tratando-se de um problema que repercute sem fim, quase
sem fim, quem são os responsáveis? É o Homem Importantíssimo de Wall Street ou
são todos os que o seguiram alegremente durante anos? E depois há os
indignados, os à rasca, os contestatários... Contra quem se insurgem?
Pensa-se
em medidas austeras, em memorandos de entendimento, em alteração de tratados,
em recentes planos convincentes e cumprimento de metas, em resgate de dívidas e em reforço do fundo de resgate...

Os
bancos são pestes de todo o tamanho? Que é feito da confiança dos mercados? Que
importância têm as agências de "rating" e as instituições
internacionais? Acaba-se a moeda única?

De
que é que estamos a falar?

Vivemos
um caos de palavras e de ideias, um inferno de sentenças e de promessas. Será
necessário destruir tudo para (re)construir? Destruir sem possibilidade de
novas sementes do mal fazerem renascer as velhas "plantas"?

Os políticos de profissão têm obrigação de lutar e estão verdadeiramente empenhados em criar uma união europeia. Ou apenas em encarar o que alguns consideram a realidade: essa Europa é uma velha ideia romântica que os próprios mercados irão destruir antes que os nacionalismos e a violência o façam (profecia do deputado europeu e britânico Nigel Farage).

E
que tal construir um mundo em que os valores humanos tenham a maior
importância? Talvez alguém queira, é preciso que alguém se interesse ainda por que lhe indiquem como viver se quer desenvolver as suas
qualidades humanas, se quer ser um melhor ser humano. E, já agora, que
"respeite as leis e os outros, o contrato social e o bom uso das
liberdades".

Eu
estou interessada, não estou a fazer um novo juizo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:59


1 comentário

De José de Sousa Pinto a 30.10.2011 às 17:15

Os problemas postos tem resposta provavelmente diferente no curto e no longo prazo.
No longo prazo, parece-me bastante evidente que, no demorado processo histórico que levou a agrupar aldeias em cidades (Atenas, Esparta), depois cidades em países (Grécia), a disfunção actual entre mercados globalizados e governos nacionais vai impor um passo de agregação superior e alguma forma pois de governo mundial, que recuperará os padrões éticos que se não podem esperar dos mercados.
E para agora. o quê?
Não sei, vou limitar-me a apoiar o que me parecer que caminha na boa direcção.

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